| Brasília,
2 de outubro de 2009 - 18h55
Câmara
discute uso de agrotóxicos
A Anvisa
participou, nesta terça-feira (2), de Audiência
Pública promovida pela Comissão de Agricultura,
Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR),
da Câmara dos Deputados. Um dos objetivos do encontro
foi discutir o Projeto de Lei nº 4.336/08, que pretende
proibir o registro de agrotóxicos e afins que tenham
como ingrediente ativo o endossulfam.
A representante da Anvisa, Heloísa Rey Farza, da
Gerência Geral de Toxicologia, alertou para os riscos
aos quais a população fica exposta a partir
do uso de agrotóxicos, como o endossulfam, em várias
culturas. “Este produto apresenta características
genotóxicas, carcinogênicas, neurotóxicas,
imunotóxicas, além de provocar desregulação
endócrina [hormonal] e efeitos adversos na reprodução
humana e sobre o desenvolvimento embrio-fetal”, afirma.
Os posicionamentos dos autores dos requerimentos sobre o
tema em debate foram divergentes. O deputado Nazareno Fonteles
discursou sobre a saúde humana e o meio ambiente
e defendeu a proibição do uso do endossulfam.
Já o Deputado Moacir Micheletto propôs o uso
adequado da molécula. “O produto é prático,
viável, seguro e econômico. É vital
para o produtor que, antes de efetivar sua eliminação,
deve dispor de outras opções eficientes”,
disse.
Entre as preocupações dos expositores, está
a questão da resistência ao produto. Foi assinalado
que, se o manejo integrado de pragas não é
implementado de maneira correta e existir apenas uma alternativa
de controle (ex: pulverização de um mesmo
inseticida ou grupo químico), poderá ocorrer
o que é chamado de “resistência a inseticidas”.
Foram
levantadas, ainda, questões relativas à existência
de produtos alternativos ou substitutos ao endossulfam e
sobre o processo de desenvolvimento e registro de novas
moléculas que sejam seguras quanto ao aspecto da
toxicidade e economicamente acessíveis. Além
do endossulfam, a Agência deve reavaliar, ainda em
2009, o registro de 12 tipos de agrotóxicos que podem
ter seu uso restringido ou serem retirados do mercado. A
cihexatina, utilizada principalmente na citricultura, já
teve sua reavaliação concluída e será
retirada do mercado brasileiro até novembro de 2011.
Histórico
O endossulfam
foi desenvolvido e introduzido no mercado de agrotóxicos
por Farbwerke Hoechst em 1954. Trata-se de um produto com
ação de amplo espectro e com uso autorizado,
segundo a monografia publicada pela Agência, nas culturas
de algodão, cacau, café, cana-de-açúcar
e soja. Ele é inseticida e acaricida e pertence ao
grupo dos organoclorados, subgrupo dos clorociclodienos
(juntamente com o aldrin, dieldrin, endrin, heptacloro e
clordano), inserido na Classe Toxicológica I (extremamente
tóxico).
A Consulta
Pública nº. 61 da Anvisa, de 3 de setembro
de 2009, refere-se ao produto e encontra-se aberta para
que sejam apresentadas críticas e sugestões
relativas à proposta de Regulamento Técnico.
O Regulamento pretende cancelar os informes de avaliação
toxicológica de todos os produtos técnicos
e formulados à base do princípio ativo endossulfam
e, assim, proibir seu comércio e uso em todo o território
nacional.
Informações:
Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
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