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Brasília, 13 de agosto de 2009 - 12h05
Experiências mostram como fazer vigilância sanitária

O I Fórum Regional de Vigilância Sanitária de 2009, que acontece até esta quinta-feira (13) em Palmas (TO), é um espaço para a valorização da integração com outro setores. No primeiro dia, foram discutidas a relação entre investigação e a comunicação do risco, a gestão do conhecimento, os avanços do SUS e os mecanismos de participação e controle social. Experiências de sucesso dos sete estados mostraram como a integração entre as vigilâncias sanitária, epidemiológica e ambiental pode render
bons resultados. Confira a programação.

Mesmo com orçamentos apertados e equipes pequenas, e tendo em alguns casos os agravantes do isolamento geográfico, os municípios da Região Norte têm demonstrado avanços evidentes no âmbito da Vigilância. “Os problemas gerados pela municipalização necessária, porém inadequada, em que faltava financiamento e infra-estrutura, estão sendo vencidos. Os municípios estão se fortalecendo”, apontou o representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Edmundo Gomes.

Para Gomes, a vigilância vive hoje outro momento: o do planejamento das ações, da regionalização solidária, em que despontam os colegiados de gestão e da definição dos papéis de municípios, estados e União.

Experiências

Da qualidade da merenda escolar ao enfrentamento das conseqüências provocadas por uma enchente, tudo passa pela ação sanitária no Norte do país. Da Região vêm os exemplos de que “a vigilância percorre o país, o conhece mais que qualquer outro setor e entende as necessidades das comunidades”, lembrou a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito, ao falar sobre a importância da área na construção dos conhecimentos formal e empírico para o avanço da saúde no país.

Sob a gestão do diretor de Vigilância Sanitária Ullannes Passos, o estado mais jovem do país, o Tocantins, priorizou as ações preventivas e a intersetorialidade para oferecer mais qualidade de vida aos seus cidadãos. No estado, a chamada “Força-Tarefa Pró Consumidor”, formada por instituições autônomas como o Ministério Público, visitam, orientam e avaliam os estabelecimentos. “Aquele que ainda não recebeu a visita, pede para irmos até lá, porque quer ter reconhecimento junto à população”, conta o procurador de justiça José Omar de Almeida Junior, do Tocantins.

Em Dianápolis, no interior do estado, a melhoria das condições higiênico-sanitárias dos açougues veio com a orientação e educação dos proprietários. “Levamos informação e formação a eles, mostrando os ganhos que podem ser alcançados com medidas simples durante a manipulação”, explica a fiscal da vigilância municipal, Coleta Alves. Já em Paraíso, também no interior do Tocantins, a vigilância sanitária foi além da fiscalização: se instalou dentro de festas populares como a Expobrasil, a maior festa agropecuária da cidade, que todos os anos reúne milhares de pessoas e envolve a produção e oferta de uma diversidade de alimentos e outros produtos. “Montamos uma estande de orientação dentro da feira”, conta o fiscal sanitário Fernando Lustosa.

Em Rio Branco, no Acre, outro exemplo de intersetorialidade: o trabalho da vigilância sanitária com a Secretaria de Educação possibilitou oferecer uma merenda de melhor qualidade nas escolas. As empresas que transportavam e fracionavam os alimentos melhoraram os seus serviços e as merendeiras, funcionárias que preparam o lanche para as crianças, passaram a receber capacitações permanentes.

Em 2008, após a confirmação de três casos de Leishmaniose Visceral Humana, a equipe da vigilância sanitária de Juriti, no Pará, entendeu que era preciso sair do escritório e começou a visitar as comunidades para explicar sobre a doença e os cuidados necessários. O maior desafio foi vencer a resistência das pessoas ao sacrifício de cães infectados. “Descobrimos que além do cachorro ser um bicho de estimação, gerando um vínculo emocional, em muitas comunidades ele ajudava no sustento da família, com a caça de animais silvestres”, explica o coordenador da Vigilância Sanitária de Juriti, Luiz Augusto Santos. Hoje sensibilizada, é a própria comunidade quem procura a Vigilância para informar sobre um caso suspeito.

No aeroporto internacional de Manaus (AM), uma parceria da Anvisa com a Fundação de Vigilância em Saúde e a Infraero é uma importante ferramenta no combate à Dengue. A ação que detectou focos de transmissão da doença e larvas fez mudar os cuidados com pneus, copos e outros objetos, promovendo a saúde de funcionários e viajantes que transitam pelo aeroporto todos os dias.

Ainda no Amazonas, o enfrentamento de uma enchente dependeu essencialmente do trabalho da Vigilância quando o município de Anamã, na margem esquerda do rio Solimões, ficou debaixo d’agua. Com 100% da população atingida e a decretação do Estado de Emergência, a Vigilância precisou elaborar um Plano de Contigência.
“ Tivemos que organizar a prestação de serviços e os abrigos, verificar a qualidade e o acondicionamento dos alimentos doados que compunham as cestas básicas, além de pensar na eliminação dos ratos que invadem a cidade após uma enchente e na coleta do lixo que se espalha”, explica o gerente de Vigilância Ambiental, Romeu Fialho.

Segundo Fialho, o trabalho emergencial deu origem a um planejamento permanente, que vai influenciar na política de ocupação do solo e na engenharia de construção de estabelecimentos assistenciais como escolas e posto de saúde.

Livro

As experiências de sucesso selecionadas em cada Região serão apresentadas durante os fóruns regionais de 2009 e vão compor um livro que será lançado no Fórum Nacional de Vigilância Sanitária, que acontece em novembro, em Brasília (DF).



Informações: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
 

 
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