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Cosméticos

 

Câmara Técnica de Cosméticos - CATEC

Parecer Técnico

ASSUNTO: Potencial carcinogênico do Lauril Sulfato de Sódio

Introdução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem recebido inúmeras consultas quanto à veracidade das informações sobre a carcinogenicidade relacionada aos compostos lauril sulfato de sódio e lauril éter sulfato de sódio tendo em vista a variedade de produtos de higiene pessoal e saneantes que apresentam as referidas substâncias em suas formulações.

As informações veiculadas na Internet, a exemplo de "I have heard that sodium laury sulfate, which is added to many shampoos, may cause cancer. Is this true? Why would a company be allowed to add a harmful substance to such a commonly used product?" Robb-Nicholson, C.Harv. Womens Health Watch 1998 Dec.; 6(4):8" não obedecem ao mínimo rigor científico mas, simplesmente, um mero questionamento técnico.

Com o objetivo de esclarecer o problema, com base em publicações científicas relevantes e reconhecidas internacionalmente, foi implementada uma comissão composta por membros da CTAC (Comissão Técnica de Assessoramento na Área de Cosméticos) para a emissão de um parecer que apresente os dados encontrados na literatura científica.

Os tensoativos

O lauril sulfato de sódio, designação genérica empregada para o Dodecil Sulfato de Sódio, é um composto orgânico devidamente registrado no Chemical Abstract Service (CAS) sob o número 151-21-3. O Lauril Éter Sulfato de Sódio apresenta, como registro de CAS, o número 1335-72-4.

Estes compostos vêm sendo usado ao longo dos anos para diferentes finalidades e usos distintos a saber, banhos de espuma, cremes emolientes, cremes depilatórios, loções para mãos, xampus, dentifrícios, além de produtos saneantes (detergentes domissanitários). Este uso tem sido motivado em razão das suas propriedades detergente, molhante, espumógena, emulsificante e solubilizante. Cabe ressaltar que estas características são comuns à todos os tensoativos e não somente aos dois em questão.

Alguns tensoativos apresentam potencial de irritação à pele, no entanto, em formulações cosméticas, essa característica pode ser atenuada em função da concentração utilizada, da associação entre os mesmos, bem como das características da formulação pretendida para o produto final.


Dados de literatura

Após detalhadas buscas bibliográficas realizadas no MEDLINE, TOXILINE e National Toxicology Program, não foi encontrada, até a presente data, nenhuma publicação sugerindo que estes tensoativos fossem dotados de atividade carcinogênica.

O lauril éter sulfato de sódio quando administrado, via oral, à ratos, em concentração de 0,5%, durante dois anos não produziu nenhuma alteração anatômica, bioquímica ou microscópica especialmente quando o tempo de exposição e a concentração são avaliados. Também quando aplicado topicamente em camundongos Swiss fêmeas por 105 dias, duas vezes na semana, em solução aquosa a 5%, não produziu tumor de pele. Da mesma forma, várias classes de tensoativos foram avaliadas em numerosos sistemas para verificação de mutagenicidade, onde os resultados obtidos permitiram concluir que os tensoativos não possuem risco significativo de danos genéticos.

Os alquil-sulfatos, classe à qual pretencem o LSS e o LESS, foram estudados juntamente com outras classes de tensoativos, quanto ao potencial carcinogênico após administração oral em água e alimentação. Nenhum desses experimentos indicou aumento do risco de câncer após a ingestão oral.


Conclusão

1 - Os dados propagados pela Internet não apresentam as publicações científicas que sustentam as afirmações feitas;

2 - Lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de sódio, lauril sulfato de amônio e lauril éter sulfato de amônio, não constam da lista de produtos carcinogênicos do National Toxicology Program (Maio/2000) e nem do IARC - International Agency for Research on Câncer (Março/1999), este último, laboratório criado pela Organização Mundial da Saúde, sediado na França;

3 - Em documento do CIR (Cosmetic Ingredient Reviews), publicado no JACT 2(7) (1983), o lauril sulfato de sódio e o de amônio foram seguros para uso em produtos de enxágüe imediato (rinse-off). Entretanto, para produto que permanecem em contato prolongado com a pele, isto é, não enxaguados imediatamente após aplicação (leave-on), recomendou-se que a concentração não exceda 1% (um por cento), em função da característica irritante dos tensoativos;

4 - No JACT 2(5) (1983), o CIR conclui que o lauril éter sulfato de sódio e o lauril éter sulfato de amônio são seguros em concentrações até 50%;

5 - Com base nos dados apresentados acima, até o presente momento, não constam informações técnicas e científicas relativas ao potencial carcinogênico dos tensoativos lauril sulfato de sódio e lauril éter sulfato de sódio.


Sub-comissão/CTAC

Ana Lúcia Pereira Farmacêutica/Bioquímica - Gerência Geral de
Cosméticos/ Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Dermeval de Carvalho . Prof. Titular aposentado de Toxicologia da Universidade de São Paulo e Coordenador do Curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade de Ribeirão Preto

Elisabete Pereira dos Santos Prof. Adjunto/Faculdade de Farmácia - Universidade
Federal do Rio de Janeiro

Martha de Lucca Prof. Adjunto/Faculdade de Farmácia - Universidade
Federal Fluminense

Octavio Augusto França
Presgrave Tecnologista - Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde/FIOCRUZ - RJ.

Referências Bibliográficas

- WINTER, R. A consumer´s dictionary of cosmetics ingredients. Three Rivers Press, New York, 1994.

- WILKINSON, J. B., MOORE, R. J. Harry´s Cosmeticology. 7Ed. Chemical Publishing, New York, 1982.

- RIEGER, M. M., RHEIN, L. D. (Editors). Surfactants in cosmetics, Surfactant science series, vol. 68, 2 Ed. Marcel Dekker, Inc., New York, 1997.

- GOSSELIN, R. E., SMITH, R. P., HODGE, H. C. Clinical Toxicology of Commercial Products. 5 Ed. Williams & Wilkins, Baltimore, 1984.

- CIR - Final Report. Journal of the American College of Toxicology 2(5):1-34 (1983)

- CIR - Final Report. Journal of the American College of Toxicology 2(7):127-181 (1983)

- www.ncbi.nlm.nih.gov/PubMed

- www.medscape.com

- ntp-server.niehs.nih.gov

 
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