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Controle das Infecções Hospitalares - Avanços Tecnológicos: velhos hábitos X novas atitudes

Dra. Glória Maria Andrade - coordenadora do Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar

A história dos hospitais é a própria história da Medicina. A Infecção hospitalar é a própria história dos hospitais. Como toda história, tem seu início marcado por uma série de fatos que de uma maneira ou de outra mudaram as vidas das pessoas, da sociedade e do mundo. Esta história é alimentada em sua evolução por outras ocorrências que traçam o curso e define objetivos a serem alcançados. Muito se aprende com o passado e ao se vivenciar o presente se constrói o futuro - o presente do amanhã.

Na história das infecções hospitalares,como não podia deixar de ser,fatos marcaram o início deste presente que estamos vivendo agora,refletindo sobre os conhecimentos que nos legaram os profissionais da saúde com suas observações, pesquisas, dedicação e sacrifício da própria vida.
Torna-se imperioso, neste momento, nos voltarmos à figura de IGNAZ SEMMELWEISS, médico húngaro, que instituiu no ato de "LAVAR AS MÃOS" a medida de eleição no controle das infecções hospitalares. Nesta galeria ilustre, surge HOLMES, na Universidade de Havard, nos Estados Unidos, afirmando que a "Febre Puerperal não era um infortúnio e sim um crime", ao implantar a prática da Lavagem das Mãos no controle das Infecções Cruzadas nos hospitais.

Ambos, duas vozes em continentes diferentes e à mesma época, ressaltavam o mesmo gesto simples como poderoso antídoto para as infecções hospitalares. Isto se dava na 2º metade do século XIX quando o desconhecimento era total no tocante às bactérias, fungos e vírus, quando as técnicas de anti-sepsia não eram conhecidas e inexistia o desenvolvimento das comunicações.

LAVAR AS MÃOS - um pequeno gesto uma grande atitude, que sobrevive ao desenvolvimento tecnológico dos nossos dias, como medida mais eficaz na prevenção deste mal. Este ato simples, longe de ser um ritual é uma atitude inerente ao processo educativo do ser humano, foi e sempre será realizado com água, sabão e bom senso. As mãos que levam a cura não podem transmitir a morte.

Na galeria dos nossos heróis, surge a figura da FLORENCE NIGHTINGALE, enfermeira inglesa, precursora dos conhecimentos que hoje detemos na Administração Hospitalar, na Enfermagem como profissão, implantando as medidas de higiene e limpeza no hospital que assistia os militares feridos na Guerra da Criméia. Esta figura de mulher, frágil na aparência, detentora de uma vontade férrea e de uma obstinação sem precedentes, ajudou a mudar a realidade dos hospitais da sua época.

O ambiente hospitalar tem na FLORENCE NIGHTINGALE um divisor. São duas realidades: o hospital antes da FLORENCE - casa de repouso, onde a Morte convivia confortavelmente com a Vida, onde os insetos e roedores disputavam o alimento com os pacientes, onde os mortos e vivos permaneciam no mesmo leito. O hospital depois da FLORENCE, onde a saúde é o maior bem produzido, onde a morte é um visitante fortuito e indesejável e onde a melhoria da qualidade de vida é uma busca constante.

Após LISTER e PASTEUR, já no final do século XIX e no início do século XX, com o conhecimento sobre as bactérias, fungos e vírus, com o desenvolvimento da MICROBIOLOGIA como ciência de apoio no combate ás infecções, surgiram procedimentos hospitalares que se acentuaram especialmente na 2º metade de século XX, mais precisamente em nosso País, nas décadas de 70 e 80: a procura desordenada dos microrganismos no ambiente hospitalar, na prática, exteriotipada com a distribuição de Placas de Cultura nos diversos setores dos hospitais, na Coleta de Material dos ralos de pias através do uso de Swabs, num processo ritualístico sem fundamentação científica para provar o óbvio : os micróbios convivem conosco nos hospitais. E o que fazer com estes resultados?... Não havia nem há resposta para esta indagação.

De prático em tudo isto, houve sobrecarga de trabalho nos laboratórios de Microbiologia e elevação dos custos hospitalares, Nos últimos dez anos, os profissionais de controle de infecção hospitalar vêm realizando todo um trabalho para mudar estes conceitos, enfatizando a aplicação de medidas realmente eficazes no controle da qualidade do ambiente hospitalar, orientando os profissionais de saúde nas utilização das medidas de higiene e limpeza, desinfecção e esterilização, esclarecendo a comunidade hospitalar da inocuidade destas práticas desordenadas que oneram o atendimento hospitalar sem resultados satisfatórios.

Ainda no início século XX, as medidas inovadoras na técnica operatória implementadas por HALSTED , cirurgião americano, introduziu o uso de Luvas nos procedimentos hospitalares. Prática esta sem duvida que contribuiu na redução das infecções nosocomiais, mas que devido aos novos direcionamentos adotados na sua utilização, merece de nossa parte uma análise acurada quanto ao uso de luvas na substituição da Lavagem das Mãos, pelos profissionais de saúde; o reprocessamento de luvas estéreis permitindo o reuso em procedimentos cirúgicos; a utilização de luvas pelas equipes do Serviço de Limpeza Hospitalar sem orientação, sem trocas e sem limites de situações.

As LUVAS passaram a funcionar, nestas situações, como verdadeiros vetores, conduzindo os germes hospitalares, contribuindo para aumentar a contaminação e a disseminação dos processos infecciosos.
Necessário se faz citar a grande descoberta do século XX:a PENICILINA seguida pelos demais antibióticos numa corrida vertiginosa da potente indústria farmacêutica. Mas não podemos nos esquecer que o mundo bacteriano também segue de perto, muitas vzes paralelamente, outras vezes correndo por fora, levando consigo o troféu da Resistência Bacteriana.

O Antibiótico tornou-se uma arma que muitas vezes se volta contra o próprio paciente. Seu uso indiscriminado, em todos os Países, gera cada vez mais dificuldades que anulam os esforços envidados na recuperação dos nossos pacientes.

Neste universo de inadequações dos avanços tecnológicos, observamos muitas vezes, em situações semelhantes, o descaso caminhar lado a lado com o exagero no que concerne à utilização de Máscaras, Gorros, Propés, evidenciando desconhecimento da correta utilização dessas Medidas de Proteção Individual, mais uma vez onerando os custos hospitalares sem bases científicas que respaldem tais atitudes. Soma-se a isto, a prática disseminada, durante anos de "Formolização de Ambientes" causando efeitos danosos aos profissionais de saúde e passando por longe no combate aos germes hospitalares. A origem desta prática se confunde talvez com os miasmas hospitalares e com a supervalorização dos odores emanados nos hospitais em detrimento das medidas eficazes de higiene e limpeza.

Convivemos com o avanço tecnológico no nosso dia a dia nos hospitais. Novas descobertas surgem a todos os momentos. A Medicina Robótica já substitui a mão do homem no campo cirúrgico. Os Monitores com seu festival de luzes e botões se interpõem entre o profissional de saúde e o doente. Foi-se o tempo em que o paciente podia contemplar a face do seu médico e segurar com confiança na mão do seu enfermeiro de cabeceira. Perde-se no tempo o olhar de esperança que o paciente busca naqueles que lhe aplicam os tratamentos. Cada vez mais a máquina vem assumindo estas funções. Paga-se alto preço nas unidades de tratamento intensivo por se prolongar a vida dos pacientes.

O aumento das taxas de infecção hospitalar nestas circunstâncias é um sinalizador que a melhoria da qualidade de vida nem sempre é uma verdade. Os procedimentos invasivos, muitas vezes desordenados, se transformam em mais uma agressão ao templo sagrado do corpo. Necessário se faz que reflitamos ao se colocar a tecnologia ao nosso serviço. Fazê-la correr paralelamente conosco não permitindo que o computador engesse nosso raciocínio e nossas ações quando se trata de oferecer cuidados aos nossos pacientes.

Que possamos usufruir do maravilhoso Mundo Novo Tecnológico com parcimônia, sem nos esquecermos que a máquina não transmite o calor humano, não oferece o olhar de esperança.
Nesta história que estamos escrevendo agora devemos ter presentes os exemplos dos nossos antepassados devemos aplicar sobretudo as lições que eles nos legaram, evitando rituais e ações cabalísticas no trato com doente. Usar o bom senso lado a lado com a tecnologia na construção de um mundo melhor.

 
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