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Brasília,
3 de agosto de 2001
Indústrias
terão de adicionar ferro à farinha para combater
anemia
Os fabricantes de farinha de trigo e de milho terão de
adicionar ferro aos seus produtos. A decisão foi tomada
pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa). Cada 100g de farinha deverá
conter, no mínimo, 4,3 mg do mineral, o equivalente a 30%
da Ingesta Diária Recomendada (IDR).
Com a medida
a população terá acesso ao ferro por meio
do consumo de alimentos básicos, evitando a incidência
de anemia por deficiência do mineral, hoje o problema nutricional
mais freqüente no Brasil e no mundo.
A estimativa
do Ministério da Saúde é de que cerca de
45% das crianças até cinco anos - aproximadamente
10 milhões de crianças - tenham algum grau de anemia.
Na maioria dos casos, esta anemia é leve, mas precisa ser
combatida porque provoca apatia e interfere no desenvolvimento
e desempenho intelectual da criança, além de aumentar
a vulnerabilidade às infecções.
"Com
isso, pretendemos em dois anos reduzir dois terços do índice
de anemia nas crianças em idade escolar", informou
a coordenadora de Alimentação e Nutrição
do Ministério da Saúde, Denise Coutinho.
Gestantes
também são um grupo de alto risco para essa carência,
que pode levar ao baixo peso do recém-nascido. A doença
ocorre em todas as classes de renda porque a alimentação
habitual da população brasileira é pobre
em ferro ou contém um tipo do mineral que é de baixa
absorção pelo organismo.
Consulta
- A resolução da Anvisa é de Consulta
Pública. A partir de sua publicação
no Diário Oficial da União, a sociedade poderá
fazer sugestões ao regulamento técnico por
um período de 30 dias. Elas poderão ser enviadas
para o seguinte endereço: Agência Nacional
de Vigilância Sanitária, Gerência-Geral
de Alimentos - SEPN 515, Bloco "B" Ed. Ômega,
Asa Norte, Brasília, DF, CEP: 70.770-502 ou fax:
(61) 448-1076 ou ainda e-mail: alimentos@anvisa.gov.br.
Terminado
o prazo da Consulta, a Agência vai discutir as sugestões
enviadas e redigir o texto final do ato, que deverá ser
publicado no Diário Oficial da União. Depois da
publicação, os fabricantes vão ter 180 dias
para adicionar o ferro à farinha de trigo e à farinha
de milho. Na embalagem do produto enriquecido serão escritas
expressões como "fortificada com ferro", "enriquecida
com ferro" ou frases equivalentes.
Ações - O Ministério da Saúde
distribui o sulfato ferroso (medicamento à base de ferro
que trata e previne a anemia) pelo Programa Farmácia Popular
por meio das equipes de saúde da família. Além
disso, os agentes comunitários de saúde são
instruídos sobre os alimentos mais ricos em ferro para
que possam orientar as famílias assistidas.
A anemia, porém, só é realmente controlada
com intervenções de caráter abrangente e
universal, como o enriquecimento de alimentos básicos com
ferro. Essa estratégia é considerada de grande alcance
e tem condição de cobrir em curto espaço
de tempo populações expostas ao risco.
Em 1998, o governo federal fez um pacto com indústrias
moageiras de trigo e milho para o enriquecimento voluntário
das farinhas, uma vez que o processo de moagem do trigo retira
quase 70% do ferro natural que existe no cereal. O custo da fortificação
da farinha é ínfimo. Para 100 kg de farinha são
gastos, no máximo, R$ 0,05. Para cada quilo seriam gastos
R$ 0,0005 - 5 centésimos de centavos de real -, valor irrelevante
no custo final do produto.
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