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Brasília, 6 de agosto de 2002 - 11h15
Educação para a Saúde é questão de bom senso

Por Lourdes Frazão*

Educação e saúde são valores que não mais podem ser compreendidos, na generalidade, como bens de consumo pessoal, apenas. Isso exatamente porque esse binômio, fundamental para o crescimento intelectual e social do indivíduo, tem hoje a sua concepção teórica ampliada do ponto de vista dos cientistas sociais e analistas de recursos humanos, ao reconhecerem acertadamente que, além da conquista pessoal, a saúde e a educação representam um investimento certo também no desenvolvimento coletivo.

A elevação dos padrões de saúde do trabalhador, por exemplo, depende, indiscutivelmente, de sua capacidade de entender o grau de importância dos cuidados e das precauções que deve tomar no trabalho, para a defesa e a preservação de seu bem-estar físico. Essa conscientização gera, via de conseqüência, a produtividade esperada, porquanto, hígido, o trabalhador não se ausentará de suas atividades e, educado, interferirá positivamente no seu meio em benefício da coletividade.

Embora seja do conhecimento comum que o Brasil é um país doente em decorrência de questões conjunturais de soluções complexas, do ponto de vista político, insistimos em dizer que o problema maior decorre da desinformação, da falta de educação do povo para promover a sua própria defesa sanitária, exigindo a proteção efetiva e eficaz do Estado.

A idéia predominante atualmente nas sociedades mais desenvolvidas, é a de que, mais importante do que o capital físico disponível, é a qualidade do capital humano. Mais importante é o homem; não qualquer um, mas o homem hígido.

A taxa de retorno para um país que investe solidamente em educação e saúde é especialmente alta e cientificamente comprovada na sua eficácia. A ignorância e a doença andam juntas; são companheiras inseparáveis na marcha fúnebre para o caos. Promover a saúde, sem proporcionar à população assistida as defesas sanitárias básicas e elementares, é dispersar recursos.

Evidências epidemiológicas demonstram ser cientificamente incorreta e moralmente inaceitável a absorção de recursos vultosos em atividades de alta complexidade e baixa cobertura, em detrimento de outras mais simples de abrangência ampla e realística.

Malgrado a ponderável lógica dessa assertiva, em nosso país os programas voltados à saúde se têm mostrado pródigos em demonstrações de como dispersar recursos na inútil tentativa de assistir à população. O gigantismo das propostas acabam por distanciá-las, inexoravelmente, de objetivos simples e eficazes, quais sejam, o da medicina básica, primária, elementar, associada a programas educativos formulados com tecnologias regionais, sensíveis às diferenças e às idiossincrasias regionais.

A falta de previsibilidade nesse aspecto, aliada a uma visão descomprometida com a realidade, nos levou à adoção de um Sistema de Saúde complexo e extremamente paternalista, para a sustentação do qual não possuímos suficientes recursos financeiros, nem mecanismos eficientes e eficazes de controle, de sorte a impedir o malbaratamento e os despautérios observados nas ações empreendidas, condenando a todos que a ele recorrem, ao "gueto" assistencial.

E, assim, perdurará até que se entenda que uma nação para dar certo não pode prescindir da educação sanitária de seu povo. Esse é o caminho que se apresenta a impedir que a medicina de emergência, já deficiente e claudicante, continue sendo, perversamente, a única alternativa disponível para a população.

* Lourdes Maria Frazão de Moraes
Advogada, Gerente de Consultoria e Contencioso Sanitário da Anvisa

 
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