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Brasília,
2 de abril de 2004 - 12h30
Álcool
gel reduz acidentes em 60%
Resolução
da Anvisa que proibiu álcool líquido é
responsável pelo índice. Em contrapartida,
liminar em favor de produtores causou novo aumento de queimaduras
| Os
números assustam: no Brasil, cerca de 150 mil
pessoas por ano são vítimas de queimaduras
provocadas por acidentes com álcool líquido.
Um terço desse total são crianças.
Para atacar o problema, em 2002, a Anvisa editou a Resolução
RDC nº 46, de 20 de fevereiro de 2002. Com
ela, proibiu-se a venda do álcool líquido
96º GL (Gay-Lussac) no País.
A ação causou a redução
de 60% de casos nos primeiros meses de validade da medida.
Em contrapartida, uma liminar concedida em favor de
um grupo de fabricantes de álcool, permitindo
a venda do produto, provocou um retrocesso e os acidentes
voltaram a crescer. |
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Basta
uma visita a qualquer enfermaria do País para presenciar
o drama
das vítimas de queimaduras em acidentes com álcool.
Homens, mulheres e crianças, gente de todas as idades,
com a marca impiedosa do fogo. Se essas pessoas tivessem
álcool na forma gel em suas casas, ao invés
da substância líquida – com alta gradação
etílica – talvez não precisassem enfrentar
drama tão cruel. “A grande vantagem do álcool
gel é que, com ele, o fogo não se espalha,
como acontece com o líquido”, explica Jorge
Luiz Cavalcanti, técnico da Gerência de Saneantes
da Anvisa.
A maior parte dos acidentes tem como palco churrascos, onde
os participantes utilizam o álcool 96º GL para
obter uma combustão mais rápida. Brincadeiras
de crianças são outra causa desses acidentes.
Em fevereiro de 2002, quando a Anvisa editou a RDC
46, o álcool gel substituiu o líquido
no comércio. Os fabricantes dispuseram de seis meses
para se adaptar ao novo formato. A RDC permite apenas a
venda do álcool líquido abaixo de 46º
INPM (Instituto Nacional de Pesos e Medidas). Abaixo desse
teor, o potencial de combustão do álcool diminui
sensivelmente.
Já no período concedido pela Anvisa para adaptação
dos fabricantes, os acidentes com álcool caíram
60%. Isso representou 90 mil adultos e 27 mil crianças
a menos na lista dos queimados nos serviços de saúde.
A mudança causou enorme impacto no sistema de saúde
brasileiro. Além de evitar o sofrimento das vítimas,
a ausência de acidentes com o álcool líquido
reduz gastos no Sistema Único de Saúde (SUS).
O tratamento de uma pessoa queimada dura em torno de três
meses e custa cerca de R$ 1.500 por dia. “Foi uma
vitória para a sociedade, pois discutimos a resolução
amplamente, com diversos setores, inclusive com os fabricantes”,
recorda Jorge Luiz Cavalcanti.
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doloroso
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aplicações
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