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Brasília, 3 de junho de 2004 - 10h50
Programa reduz índice de contaminação por agrotóxicos no Brasil

Vulnerabilidade – O maior avanço do trabalho foi constatado com o tomate, que não apresentou contaminação no ano passado. Em 2002, a fruta teve índice de contaminação de 26%. Apenas em dois produtos registrou-se aumento de toxidade: no mamão e no morango. No mamão, esse índice subiu de 19,50% para 37,66% e no morango, de 46% para 54,44%. Oitenta e nove por cento das ocorrências são de uso de agrotóxicos não permitidos.

O alto índice de irregularidades no mamão e no morango ocorre devido a vulnerabilidade dessas frutas às pragas. Os agricultores abusam do agrotóxico nessas plantas para conter a ação de insetos, fungos e ervas daninhas. “O morango cresce no chão e fica muito exposto aos parasitas. O agricultor se desespera e apela aos produtos químicos para não perder a sua colheita”, constata Ricardo Velloso, gerente de Avaliação do Risco, da Anvisa.

Com o objetivo de solucionar o problema do morango, a Anvisa convidou representantes do Ministério da Agricultura para discutir uma proposta de projeto que garanta a qualidade da fruta.

Parceria – O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) é desenvolvido pela Anvisa em parceria com as vigilâncias sanitárias dos estados. A Agência mapeia os produtores que utilizam o agrotóxico de maneira irregular. As vigilâncias visitam os supermercados e outros estabelecimentos comerciais. Ali identificam o fornecedor e verificam se ele segue a legislação. “Caso haja alguma irregularidade, o supermercado será alertado sobre a possibilidade de receber uma multa. Ou ele repassa a multa ao produtor ou deixa de comprar”, ressalta Ricardo Velloso.

Quem não quer consumir produtos com agrotóxicos tem como alternativa os alimentos orgânicos. Esses produtos são cultivados sem uso de química e as pragas são retiradas manualmente. “Os vegetais orgânicos ainda são mais caros, inacessíveis à maior parte da população”, observa Velloso.


Brasil na vanguarda dos estudos

Quando a indústria propõe novas fórmulas de agrotóxicos, a Anvisa se encarrega de avaliar e certificar o produto. Por uma questão de mercado, muitas vezes o fabricante dá preferência a agrotóxicos para serem utilizados em alimentos mais rentáveis, como a soja. Pela ausência de uma substância para combater as pragas que atacam sua colheita, o agricultor usa o agrotóxico inapropriado. “Sem um estudo, você não sabe, por exemplo, a quantidade de resíduo que pode ficar no vegetal. O agrotóxico pode se comportar de maneira diferente dependendo da planta”, afirma Ricardo Velloso.

De acordo com o técnico da Anvisa, o Brasil está extremamente avançado em estudos, tecnologia e legislação sobre agrotóxicos. “Todos os estudos de resíduos sobre as moléculas são desenvolvidos no País, com os testes no nosso clima e com as nossas pragas”, explica. As monografias que tratam dos componentes dos agrotóxicos são publicadas e pertencem ao domínio público.

Outro ponto importante é que o Brasil participa de todos os fóruns internacionais de discussões sobre agrotóxicos. “Nesses eventos, nos atualizamos em relação ao que há de mais moderno, como novas pesquisas e produtos, moléculas menos tóxicas e de menor persistência, ou seja, que ficam menor período no alimento”, afirma.


As informações são da Agência Saúde
Assessoria de Imprensa da Anvisa
E-mail: imprensa@anvisa.gov.br
Telefones: (61) 448-1022/448-1299
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