| Brasília,
6 de agosto de 2004 - 14h50
Produtos de limpeza
clandestinos ameaçam saúde
Anvisa alerta para o perigo de comprar sabão,
detergente e água sanitária sem registro na
rua. “Piratas” podem causar alergias, intoxicações
e até a morte
Quando o consumidor adquire um produto clandestinamente,
não tem qualquer tipo de garantia sobre a confiabilidade
do que está comprando. Se o item ilegal for um saneante
(produtos de limpeza e conservação, como água
sanitária, sabão e detergente), além
de não haver garantias de qualidade, põe-se
em risco a segurança e a saúde de quem compra
e de seus familiares. A Anvisa alerta para o perigo de um
hábito cada vez mais comum nas grandes cidades: adquirir
produtos de limpeza sem qualquer tipo de regularização
vendidos nas ruas.
O comércio de saneantes ilegais virou motivo de preocupação
para as autoridades em 2001. Naquele ano, a Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) realizou,
em São Paulo, uma pesquisa para a Associação
Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza
e Afins (Abipla). O estudo analisava a venda nas ruas dos
seguintes itens: água sanitária, detergentes,
multiusos, amaciantes e desinfetantes.
Concluído o trabalho, a Abipla apresentou os resultados
à Anvisa. “Os dados eram assombrosos”,
lembra a gerente-geral de Saneantes da Agência, Tania
Pich. Ela recorda que a pesquisa constatou que aproximadamente
40% da água sanitária consumida, só
no município de São Paulo, eram ilegais. “Trata-se
de um produto de alto risco, à base de cloro. Se
houver excesso deste elemento na fórmula, pode-se
provocar intoxicação respiratória”,
alerta. “Já a baixa quantidade de cloro torna
a água sanitária ineficaz para matar as bactérias
e deixar o ambiente limpo”, completa.
Para combater o problema, a Anvisa criou em 2002 um grupo
de trabalho formado por membros da Agência, representantes
do setor regulado e funcionários das vigilâncias
sanitárias estaduais de São Paulo, Minas Gerais,
Rio de Janeiro e Goiás. O resultado imediato das
atividades desse grupo foi a publicação, em
2003, da cartilha
Orientações para os Consumidores de Saneantes.
O material reúne imagens e informações
sobre quais são os produtos saneantes e como eles
devem ser utilizados; o que é vigilância sanitária;
como os produtos saneantes são controlados; e como
identificar os clandestinos (piratas). “Para serem
vendidos em supermercados, lojinhas, mercearias e outros
locais de comércio, a Anvisa exige que as empresas
desenvolvam produtos saneantes seguros, que dêem bons
resultados e com rigoroso controle da qualidade”,
diz um trecho do documento. “Todos os fabricantes
são obrigados a seguir normas legais e técnicas
e obter autorização do Ministério da
Saúde para cada produto saneante colocado à
venda”, explica o texto.
Cores fortes – Em
outro trecho, a cartilha chama a atenção especificamente
para os produtos de limpeza piratas: “Os saneantes
clandestinos são vendidos por ambulantes em caminhões,
peruas, de porta em porta, mas também costumam ser
oferecidos em lojas que revendem produtos e artigos para
limpeza em geral”. A cartilha informa que os “piratas”
podem causar queimaduras, problemas respiratórios,
irritações, machucados e graves intoxicações.
O material da Anvisa reproduz uma foto
com várias garrafas reaproveitadas de refrigerantes,
com um visual bastante chamativo. Novamente, a cartilha
alerta para a segurança do consumidor: “produtos
saneantes clandestinos geralmente têm cores bonitas
e atrativas, principalmente para crianças, e costumam
ser vendidos em embalagens reaproveitadas de refrigerantes,
sucos e outras bebidas. Esses produtos, quando ingeridos,
podem causar sérios danos à saúde e
até a morte”.
Segundo Tania Pich, um dos maiores problemas quanto aos
produtos piratas é o desconhecimento sobre o conteúdo
das substâncias. O produto comercializado legalmente
reúne várias informações úteis,
como sua composição química, alertas
para que a embalagem fique longe do alcance das crianças,
número do registro no Ministério da Saúde
e um telefone para atendimento de emergência. “Desintoxicar
uma vítima do saneante ilegal é mais difícil,
pois não há informações sobre
os componentes da fórmula e que procedimentos devem
ser adotados”, observa Tania. “Alguns dos corantes
responsáveis pela cor viva dos produtos são
proibidos, por serem nocivos à saúde”,
assinala.
Televisão –
A fiscalização da venda de
produtos de limpeza ilegais é responsabilidade das
vigilâncias
sanitárias estaduais e municipais.
Tania Pich afirma que esse trabalho é árduo.
“Os vendedores ora estão no meio de uma rua,
ora no quintal de uma casa. Eles têm uma mobilidade
muito grande e fica difícil ir atrás deles”,
lamenta.
Nesse contexto, a informação é uma
arma eficaz. “O objetivo da nossa ação
é proteger a saúde da população.
Ela precisa saber que, no caso dos produtos ilegais, citando
o ditado popular, o barato sai caro. Se o consumidor economiza
alguns reais por aquele sabão ou detergente, depois
pode gastar muito mais com remédios e tratamentos
de saúde”, avisa Tania.
A gerente de Saneantes queixa-se de emissoras de televisão
e de algumas instituições que ensinam as pessoas
a fabricarem artigos de limpeza em casa e ainda as incentivam
a comercializar essa produção. “Você
pode até fabricar e usar na sua casa, mas não
vender. Ninguém tem permissão de vender algo
sem registro”, adverte. Tania revela que a Anvisa
quer realizar um trabalho de conscientização
de fabricantes de produtos ilegais, para que eles regularizem
sua situação na vigilância sanitária
de sua cidade. A idéia é divulgar a cartilha
para estimular a legalização, tanto dos produtos
como dos fabricantes.
As
informações são da Agência Saúde
Assessoria de Imprensa da Anvisa
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