| Brasília,
18 de novembro de 2005
- 18h30
Anvisa
faz parceria para diminuir mau uso de medicamentos
A Anvisa anunciou nesta sexta-feira (18/11) uma parceria
inédita com a Federação Nacional dos
Farmacêuticos (Fenafar) e com a Federação
Nacional dos Médicos (Fenam). O objetivo é
reduzir os efeitos negativos advindos do mau uso de medicamentos.
Por meio da parceria, a Anvisa vai aumentar entre os dois
segmentos profissionais a circulação de informações
sobre a importância do uso racional nas práticas
médicas e farmacêuticas e reforçar a
pertinência da notificação de reações
adversas às autoridades de saúde.
De acordo com o diretor-presidente da Agência, Dirceu
Raposo de Mello, o uso racional de medicamentos depende
do envolvimento de vários setores. “A Anvisa
procurou os médicos e farmacêuticos para tornar
mais incisiva a ação da Agência na educação
pelo uso adequado dos medicamentos. Outras parcerias serão
feitas no mesmo sentido. Os conselhos de medicina e de farmácia
também serão convidados para atuar”,
explicou Raposo.
O diretor da Anvisa Franklin Rubinstein explica que o uso
de medicamentos requer todo o cuidado. “Não
podemos deixar nenhum dos elos da cadeia dos medicamentos
descoberto. Da produção até o usuário
final, é papel da Anvisa cuidar para que nada dê
errado nesse caminho, pois o que está em jogo é
a saude da população”.
A Fenam e a Fenafar representam, juntas, 360 mil profissionais.
Segundo Heder Borba, presidente da Fenam, os profissionais
têm papel fundamental no uso correto de medicamentos
“É importante que os médicos notifiquem
as reações adversas aos medicamentos, pois,
junto com os farmacêuticos, eles são os profissionais
que primeiro ficam sabendo dos problemas que ocorrem com
os usuários”, sentencia.
Para a presidente da Fenafar, Maria Eugênia Cury,
o quadro está melhorando. “Hoje em dia encontramos
mais farmacêuticos nas farmácias do que há
alguns anos, mas isso ainda precisa melhorar. Esta parceria
com a Anvisa vai servir para que o farmacêutico reconheça
ainda mais a necessidade de estar presente no ponto onde
o usuário busca o medicamento”, explica Eugênia.
Os reflexos da parceria serão importantes nas atividades
dos prescritores, na dispensação e no nível
de informação colocado à disposição
dos usuários. A parceira traduz uma ação
concreta da Agência como uma das integrantes do processo
de estabelecimento da Política Nacional de Assistência
Farmacêutica no Brasil.
O primeiro resultado da união com as federações
é a realização de quatro seminários
regionais para debater sobre o uso racional e a propaganda
de medicamentos, nas seguintes datas:
• Regional Nordeste – 9 e 10 de dezembro
de 2005 – Salvador/Bahia
• Regional Norte / Centro-Oeste – março
de 2006
• Regional Sul – abril de 2006
• Regional Sudeste – maio de 2006
O Uso Racional de Medicamentos, segundo definição
da Organização Mundial da Saúde (OMS),
é a situação na qual os pacientes recebem
os medicamentos apropriados às suas necessidades
clínicas na dose correta por um período de
tempo adequado e um custo acessível.
Números
O uso inadequado de medicamentos é
um problema de Saúde Pública prevalente em
todo o mundo. Dados da OMS revelam que:
• 15% da população mundial consome
mais de 90% da produção farmacêutica;
• 25 a 70% do gasto em saúde nos países
em desenvolvimento corresponde a medicamentos, nos desenvolvidos
esse porcentual é de 15%;
• 50 a 70% das consultas médicas geram prescrição
medicamentosa;
• 50% de todos os medicamentos são prescritos,
dispensados ou usados inadequadamente;
• Somente 50 % dos pacientes, em média, tomam
corretamente seus medicamentos;
• Os hospitais gastam de 15% a 20% de seus orçamentos
para lidar com as complicações causadas
pelo mau uso de medicamentos;
• De todos os pacientes que dão entrada em
prontos-socorros com intoxicação, 40% são
vítimas dos medicamentos.
No Brasil, segundo informações do Sistema
Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas
(Sintox), os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre
os agentes causadores de intoxicações em seres
humanos e o segundo lugar nos registros de mortes por intoxicação.
Segundo dados levantados pela CPI dos Medicamentos, em
2002, no Brasil:
• 15% da população consome 50% do
que se produz de medicamentos, enquanto 51% entre os que
ganham até quatro salários mínimos
consomem 16% do que se produz.
Informação: Assessoria de Imprensa da
Anvisa |