| Brasília,
21 de fevereiro de 2005
- 18h50
Anvisa
analisa riscos e benefícios dos inibidores seletivos
de COX-2: recomendações da Câmara Técnica
de Medicamentos
A partir
da suspeita de efeitos adversos com o uso continuado dos
antiinflamatórios derivados da classe COX-2 e a recente
retirada do mercado, em nível mundial, do Vioxx,
a Anvisa já está analisando as decisões
da Câmara
Técnica de Medicamentos (Cateme) a respeito do
uso e comercialização desses produtos. A Anvisa
está revisando as indicações destes
medicamentos e ainda acrescentará à bula os
possíveis novos riscos.
Durante a 27ª reunião ordinária, realizada
em 30 de novembro e 1º de dezembro do ano passado,
foi feita discussão acerca do rofecoxibe e demais
coxibes inibidores seletivos de COX-2, ou seja, novos antiinflamatórios
da classe do Vioxx. Nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2005,
aconteceu a 28ª reunião ordinária que
produziu documento com várias recomendações.
Os debates no fórum foram pautados pela preocupação
com a segurança de todos medicamentos deste grupo
já comercializados ou em via de comercialização
no Brasil. Esse documento irá subsidiar as decisões
da Anvisa a respeito dos medicamentos dessa classe atualmente
registrados no país, ou que estão sendo utilizados
em pesquisas clínicas.
A Cateme considerou que há evidências de eficácia
dos coxibes como analgésicos e/ou antiinflamatórios
para diversas indicações aprovadas no Brasil
para os seguintes produtos:
| Princípio
ativo |
Nome
comercial |
Fabricante |
| Celecoxibe |
CELEBRA® |
Pfizer |
| Etoricoxibe |
ARCOXIA® |
Merck
Sharp & Dohme |
| Lumiracoxibe |
PREXIGE® |
Novartis |
| Parecoxibe |
BEXTRA
IM/IV® |
Pfizer |
| Rofecoxibe* |
VIOXX® |
Merck
Sharp & Dohme |
| Valdecoxibe |
BEXTRA® |
Pfizer |
*Registro
cancelado. |
A dose
diária e tempo de uso variam conforme o produto e
a indicação terapêutica. Também
foi considerado que não há prova conclusiva
de eficácia e segurança na faixa pediátrica
para essas substâncias atualmente registradas no Brasil.
Ainda há estudos que sugerem um aumento de eventos
cardiovasculares associados ao uso de coxibes, ressaltando-se
que tais reações são farmacologicamente
plausíveis para essa classe. Por não existirem
ensaios clínicos que comparem a segurança
entre coxibes, é difícil estabelecer se há
uma variação de risco de Reações
Adversas a Medicamentos (RAMs) cardiovasculares entre os
diferentes medicamentos pertencentes a essa classe. De uma
maneira geral, os riscos de RAMs cardiovasculares estão
relacionados à dose e ao tempo de uso dos coxibes.
Há outras RAMs associadas ao uso de coxibes, seja
por efeito de classe dos mesmos, como a nefrotoxicidade,
seja por reações raras e presumivelmente idiossincrásicas
associadas a cada um deles, individualmente.
A Cateme sugeriu
que fossem feitas as seguintes recomendações
aos profissionais de saúde e aos consumidores quanto
ao uso dos coxibes:
Recomendações
para profissionais de saúde:
Recomendações
Gerais:
- Tendo em vista
recentes mudanças no conhecimento do perfil de
segurança dos inibidores de COX-2, é indispensável
que prescritores e dispensadores se mantenham constantemente
atualizados quanto aos fármacos dessa classe terapêutica;
- O uso de
coxibes deve ser considerado somente para pacientes com
significante risco aumentado de sangramento gastrintestinal
e sem risco simultâneo de doença cardiovascular;
- Não
há estudos que demonstrem a segurança da
utilização desses fármacos em pacientes
menores de 18 anos;
- Pacientes
tratados com qualquer inibidor seletivo de COX-2, e que
tenham doença cardíaca isquêmica ou
doença cardiovascular, devem ter seus tratamentos
substituídos, tão logo seja possível,
por inibidores não seletivos de COX-2;
- Para todos
os pacientes, a alternativa de tratamento com inibidores
não seletivos de COX-2 deve ser considerada à
luz de uma avaliação individual de riscos
e benefícios de inibidores de COX-2, em particular,
de fatores de risco cardiovascular, gastrintestinal e
outros;
- Prescritores
devem ser alertados que para todos os Antiinflamatórios
não Esteroidais (AINEs) incluindo os inibidores
de COX-2, deve-se usar a menor dose efetiva pelo menor
tempo necessário de tratamento;
- Para pacientes
cujo tratamento foi substituído por AINEs não
seletivos, deve-se considerar a possível necessidade
de tratamentos gastroprotetores;
- Está
contra-indicado o uso de inibidores seletivos de COX-2
em pacientes sob tratamento com ácido acetilsalicílico
como antiagregante plaquetário;
- Monitoramento
e notificação
de RAMs observados em pacientes sob tratamento com inibidores
de COX-2.
Recomendações
Específicas:
- Excluir a
indicação de uso para a profilaxia de poliposes
adenomatosas familiares com relação ao celecoxibe;
- O uso de
valdecoxibe e parecoxibe está contra-indicado para
pacientes que realizaram procedimentos cirúrgicos
de revascularização do miocárdio;
- Considerar
a interrupção de uso de valdecoxibe na presença
de exantema cutâneo, lesão de mucosa ou qualquer
outro sintoma indicativo de hipersensibilidade, pois foram
observadas as seguintes graves reações cutâneas
com esse fármaco: síndrome de Stevens-Johnson
e necrólise epidérmica tóxica, em
pacientes com ou sem história de alergia a sulfonamidas;
- Para o celecoxibe
não utilizar doses diárias superiores a
400 mg e revisar os tratamentos nos quais são administradas
doses diárias superiores a 200 mg.
Recomendações
aos usuários:
- Nenhum antiinflamatório
deve ser utilizado sem a devida prescrição
de médico ou de cirurgião-dentista;
- Sempre solicitar
esclarecimentos ao prescritor sobre os benefícios
e riscos do tratamento;
- A dispensação
de antiinflamatórios prescritos deve ser feita
sob orientação de farmacêutico;
- Seguir rigorosamente
a posologia conforme a prescrição determinada;
- Comunicar
imediatamente ao médico, cirurgião-dentista
ou farmacêutico o aparecimento de problemas durante
o tratamento.
A Cateme também
recomendou as seguintes ações a serem tomadas
pela Anvisa:
-
Exigir que os produtores de medicamentos enquadrados como
inibidores seletivos de COX-2 façam o protocolo
na Anvisa de petição de “Notificação
de Alteração de Texto de Bula”, contendo
recomendações e advertências relacionadas
aos riscos cardiovasculares e outros riscos tratados nesse
documento;
- Retirar do
texto de bula do celecoxibe a possibilidade de utilização
de doses superiores a 400mg;
- Produzir
documento informativo ao prescritor/dispensador e demais
profissionais de saúde, recomendando o uso racional
desses medicamentos. A divulgação desse
documento poderá ser realizada por meio dos Conselhos
Profissionais e as Associações de Classe;
- Revisar as
indicações de uso aprovadas dos coxibes
registrados no Brasil.
- Revisar as
propagandas divulgadas pelos laboratórios brasileiros
sobre os coxibes.
Outras recomendações
de ordem mais geral dirigidas à prevenção
de situações semelhantes no futuro, mas que
não se aplicam exclusivamente ao caso dos coxibes,
foram as seguintes:
-
Criar e acrescentar um símbolo na embalagem/rotulagem/bula
de medicamentos inovadores indicando que é um medicamento
novo e que o conhecimento do perfil de segurança
é limitado, necessitando atenção
especial;
-
Estimular a notificação voluntária
de reações adversas dos profissionais de
saúde, em especial para medicamentos novos;
-
Promover o uso racional de medicamentos;
-
Incentivar a realização de estudos independentes
da indústria farmacêutica;
-
Revisões sistemáticas de eventos adversos
atualizadas continuamente com base em dados publicados
e não publicados de ensaios controlados randomizados
e estudos observacionais.
As
Informações são da Agência Saúde
Assessoria de Imprensa da Anvisa |