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Anvisa Divulga - Notícias da Anvisa: Diário e Mensal

Florianópolis, 15 de outubro de 2007 - 19h40
Farmácias promotoras de saúde: mais audiências públicas em todo país


Raquel Bittencourt (VISA-SC); Gustavo Trindade e Dirceu Raposo (Anvisa); José Miguel Júnior (Ministério da Saúde).

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância (Anvisa), Dirceu Raposo de Mello, anunciou, nesta segunda-feira (15), a decisão de realizar uma audiência pública em cada região do país sobre o "Regulamento Técnico de Boas Práticas Farmacêuticas em Farmácias e Drogarias". A informação foi divulgada durante a primeira audiência pública sobre o tema, no II Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos, em Florianópolis (SC).

Segundo Raposo, "o exercício de participação da comunidade, de estudiosos e do setor regulado não termina nesta primeira audiência. Vamos levar esse tema Brasil a fora". A expectativa de Dirceu Raposo é que, depois de realizadas as audiências públicas, o regulamento seja lançado até a metade de 2008.

A proposta de regulamento da Agência traz critérios para o controle sanitário da venda de medicamentos, produtos para a saúde e alimentos, como também para a prestação de outros serviços farmacêuticos à população em farmácias e drogarias. Para a Anvisa, a farmácia não deve ser vista como um estabelecimento puramente comercial. "As farmácias são estabelecimentos de relevância pública", explicou Dirceu Raposo, durante a audiência na capital catarinense. Nos dados apresentados (power point) pelo diretor-presidente da Agência, os participantes ouviram que a proposta da Anvisa está afinada a uma preocupação internacional: a auto-medicação.

Na ocasião, o coordenador de Atenção Básica do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel Júnior, apoiou a proposta da Agência. Para ele, "com o atual modelo de farmácias e drogarias não é possível combater o uso indiscriminado e nem valorizar os profissionais desses estabelecimentos".


Diretor-presidente da Anvisa defende regras para farmácias e drogarias como forma de proteger a saúde da população

Audiência – A audiência pública sobre o "Regulamento Técnico de Boas Práticas Farmacêuticas em Farmácias e Drogarias" foi um dos destaques do primeiro dia do II Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos. Estiveram presentes no debate cerca de 200 participantes entre profissionais de saúde, empresários do setor e cidadãos interessados.

Os temas mais abordados durante audiência foram referentes aos serviços de saúde e a proibição da comercialização de produtos não relacionados à saúde em farmácias e drogarias. A Anvisa disponibilizará, no site da Agência, documento com as perguntas (inclusive as não respondidas) e respostas apresentadas no debate e ata resumida da audiência pública.

Consulta Pública – O Regulamento Técnico de Boas Práticas Farmacêuticas em Farmácias e Drogarias esteve em consulta pública por 90 dias (até o último dia 10) e recebeu mais de 4,5 mil manifestações e 471 contribuições. As sugestões recebidas pela Anvisa estão sendo consolidadas.

Um dos pontos propostos pelo regulamento da Agência valoriza o papel do farmacêutico nas farmácias e drogarias. A Anvisa propõe que os serviços farmacêuticos só possam ser realizados por farmacêuticos ou por outro profissional qualificado e legalmente habilitado, segundo a legislação vigente, desde que ele comprove adequada capacitação técnico-científica e esteja sob a supervisão do responsável técnico (farmacêutico). Além da dispensação (venda assistida) de medicamentos, a resolução permite, às farmácias e drogarias, a prestação de serviços farmacêuticos como medição e monitoramento de pressão arterial, de temperatura corporal e de glicemia capilar.

Pelo regulamento proposto, produtos cuja finalidade não tenha vinculação direta com a promoção da saúde não poderão ser comercializados em farmácias e drogarias. É o caso de alimentos como picolés, bolachas e chicletes. Outros itens que deverão ser retirados desses ambientes são produtos de limpeza e veterinários, roupas, calçados e materiais de cinema, fotografia e vídeo.

A proposta de resolução traz, ainda, uma lista com os tipos de produtos que continuarão sendo comercializados nas farmácias e drogarias – os chamados "produtos correlatos" – como cosméticos, produtos de higiene pessoal, adoçantes e suplementos de vitaminas/minerais, entre outros.

Uso Racional de medicamentos

Congresso - A audiência pública fez parte do primeiro dia de programação do II Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos. A abertura oficial do encontro aconteceu nesta segunda-feira (15), às 19h, no Campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis (SC).

O Congresso, que vai até a próxima quinta-feira (18), é uma iniciativa da Anvisa, Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A expectativa é que participem do encontro cerca 1,5 mil pessoas, entre docentes, pesquisadores, profissionais de saúde e estudantes.

Caminhada - O uso racional de medicamentos também foi tema de uma caminhada que ocorreu em Florianópolis no último sábado (13). Cerca de 200 pessoas passaram pelas areias da Praia Brava, divulgando aos banhistas os malefícios da auto-medicação e as vantagens da prática regular de atividade física.

De acordo com a coordenadora de Vigilância em Serviços Sentinela da Anvisa, Clarice Petramale, a passeata é o lançamento simbólico de programas de qualidade de vida que deverão ser implementados nos hospitais. “Queremos trabalhar a prescrição não-medicamentosa e a mudança de estilo de vida como forma de prevenção e controle de doenças, como as degenerativas”, explicou durante o ato.

Segundo Petramale, além dos pacientes, os profissionais de saúde devem corrigir hábitos prejudiciais ao bem estar físico e mental. “Precisamos conscientizar também os funcionários do hospital. É muito difícil, por exemplo, que um médico obeso, fumante e sedentário prescreva saúde para seu paciente”, assegura.

A caminhada, que recebeu o nome de PróSaúde, encerrou o IX Encontro Nacional de Gerentes de Risco da Rede Sentinela. O evento, promovido pela Anvisa, reuniu parceiros do projeto, técnicos da Agência e representantes de associações internacionais na capital catarinense, entre os dias 10 e 13 desse mês, para discutir avanços e experiências obtidas pela Rede Sentinela.

Esse projeto integra mais de 190 hospitais e favorece a gerência de risco em serviços de saúde públicos e privados, colabora para a notificação de eventos adversos e auxilia a Anvisa na obtenção de informações necessárias para garantir desempenho e segurança aos produtos sujeitos à vigilância sanitária.

Informação: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa

 
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