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Brasília,
25 de outubro
de 2007 - 20h50
Anvisa
recebe laudos e interdita preventivamente lotes de leite
Por
volta de 20h desta quinta-feira,
laudos da Polícia Federal chegaram à Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informando
que foram constatadas irregularidades no processamento do
leite por cooperativas de Minas Gerais. Por medida cautelar,
a Anvisa determinará, nesta sexta-feira (26), a interdição
de lotes de leite tipo longa vida comercializado pelas empresas
Parmalat, Calu e Centenário.
Os
lotes interditados são os seguintes:
| Leite
UAT Integral |
Lote |
Data
de fabricação |
Data
de vencimento |
| CALU |
4G |
03/08/2007 |
03/12/2007 |
| CALU |
4K |
07/07/2007 |
07/11/2007 |
| CALU |
4W |
26/07/2007 |
26/11/2007 |
| PARMALAT |
LCZI
06:23 |
22/06/2007 |
22/10/2007 |
| PARMALAT |
Não
determinado |
24/06/2007 |
24/10/2007 |
| PARMALAT |
LCZL01
12:42 |
22/06/2007 |
22/10/2007 |
| CENTENÁRIO |
1 |
25/07/2007 |
30/12/2007 |
| CENTENÁRIO |
1 |
04/08/2007 |
08/01/2008 |
| CENTENÁRIO |
2 |
28/07/2007 |
02/01/2008 |
De
acordo com os laudos laboratoriais, as amostras dos referidos
lotes "não estão em conformidade",
isto é, encontram-se em desacordo com os padrões
de identidade e qualidade considerados pela legislação
(Ministério da Agricultura).
Como
medida de precaução e segurança à
saúde, a Anvisa orienta a população
a não consumir leite dos referidos lotes até
a conclusão das investigações. Os estoques
de leite cujos lotes serão interditados não
poderão ser comercializados.
Em
virtude do teor dos laudos e por eles não terem indicado
a presença da substância soda cáustica
nas amostras analisadas, a Anvisa não considera risco
iminente à saúde a ingestão destes
produtos. Porém, as pessoas que consumiram leite
dos lotes identificados devem ficar atentas a qualquer sintoma
inesperado. Elas também podem buscar orientação
médica.
Amostras
estão em análise pela Funed, em Minas Gerais
Técnicos da Anvisa, da Vigilância Sanitária
do estado de Minas Gerais e do município de Uberaba
(MG) encaminharam, nesta quinta-feira (25), para a Fundação
Ezequiel Dias (Funed) – laboratório de saúde
pública do Estado – amostras de leite com suspeita
de adulteração no processo produtivo. A medida
corresponde a mais uma ação da Anvisa e do
Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS)
nas investigações deflagradas na última
segunda-feira (22) por meio da Operação Ouro
Branco.
A partir da análise conclusiva destas amostras pela
Funed – que abrange as marcas Calu, Parmalat e Centenário
– será possível assegurar quais substâncias
foram adicionadas de forma irregular ao leite embalado e
conhecido como tipo longa vida.
Até este momento, testes feitos pela Polícia
Federal para o início da Operação Ouro
Branco apontam para o uso de soda cáustica e água
oxigenada no leite durante o processamento. A atribuição
da Anvisa é monitorar a qualidade do produto oferecido
no comércio, cuja fiscalização é
feita por meio das vigilâncias sanitárias locais.
De acordo com a gerente-geral de Alimentos da Agência,
Denise Resende, o risco para a saúde do consumidor
pode ser minimizado porque estas substâncias químicas
devem ter sido misturadas em grandes quantidades de leite.
“A população, porém, deve ficar
atenta ao aspecto e a outras características do produto”,
explica Resende.
A Anvisa orienta que, em caso de verificação
de qualquer aspecto diferente no leite - como a cor, o cheiro
ou o paladar – o consumidor deve comunicar o fato
à autoridade sanitária. A população
também pode entrar em contato com a Ouvidoria da
Anvisa pelo e-mail ouvidoria@anvisa.gov.br.
Adulteração – A operação
Ouro Branco, que conta com o apoio técnico da Anvisa
desde a última segunda-feira (22), investiga a adulteração
de leite com substâncias químicas, como a soda
cáustica e a água oxigenada. O tipo de leite
objeto da adulteração é o leite integral,
longa vida (UHT ou UAT- Ultra Alta Temperatura), conhecido
como “leite de caixinha”.
O produto seria fornecido pelas cooperativas Agropecuária
do Sudoeste Mineiro (Casmil) e de Produtores de Leite do
Vale do Rio Grande (Coopervale), ambas localizadas no Estado
de Minas Gerais e fornecedoras para indústrias, como
as marcas Centenário, Calu e Parmalat.
Medidas – “As ações
em Minas Gerais fazem parte de uma série de medidas
que Agência vem tomando desde que foram levantadas
as primeiras suspeitas de problemas com o leite”,
destaca Denise Resende. Uma delas será a identificação
de lotes e de todas as marcas do leite suspeito de adulteração
pela Cooperativa Coopervale, em Uberaba.
A partir do rastreamento do leite processado pela Coopervale,
a Agência coletou amostras do produto e as submeteu
para testes laboratoriais visando à constatação
ou não da existência de desvio de qualidade
no produto final. A Anvisa poderá aplicar sanções
que variam desde a interdição cautelar do
leite até a apreensão dos produtos adulterados
em todo o território nacional caso sejam comprovadas
as irregularidades. As empresas também estão
sujeitas a multas que podem chegar a R$ 1,5 milhão.
Monitoramento – A Anvisa mantém,
em parceria com as Vigilâncias Sanitárias estaduais
e municipais, a Rede de Comunicação de Investigação
de Surtos (RCVISA). Essa rede atua articuladamente com o
Sistema de Notificação de Doenças Transmitidas
por Alimentos do Ministério da Saúde e identifica
surtos decorrentes da ingestão de alimentos adulterados.
Até o momento, a Agência não recebeu
nenhuma denúncia de ocorrência de surtos relacionados
à ingestão de leite.
A Agência também atua coordenando o Sistema
Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) no
controle sanitário de alimentos comercializados e
na investigação da presença ou não
de desvios de qualidade nesses produtos. Periodicamente,
as vigilâncias sanitárias locais realizam testes
de qualidade nos alimentos sujeitos à vigilância
sanitária.
Até este momento, a Anvisa não recebeu –
por parte das Vigilâncias Sanitárias estaduais
e municipais – nenhuma notificação de
desvio de qualidade em leite tipo longa vida. A Agência,
contudo, orienta as Vigilâncias sobre as medidas que
poderão ser tomadas no caso de constatação
de irregularidades no leite (interdição cautelar
ou recolhimento do produto).
Controle – O monitoramento da qualidade
dos alimentos é feito em toda a cadeia produtiva.
Ao Ministério da Agricultura, cabe o monitoramento
da qualidade dos alimentos de origem animal na fase de produção,
isto é, nas unidades produtoras de leite, nas plataformas
de recepção e no processamento do produto.
O controle de qualidade no processo produtivo também
é uma responsabilidade da indústria. Cabe
ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária
(SNVS) – coordenado pela Anvisa – fazer o controle
sanitário e monitorar a qualidade do produto comercializado,
cuja fiscalização é feita pelas vigilâncias
sanitárias locais.
Informação:
Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
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