| Brasília,
30 de abril
de 2007 - 14h10
Anvisa divulga resultado do monitoramento de agrotóxico
em alimentos
O morango e a alface foram os alimentos que apresentaram
maiores índices de contaminação por
agrotóxico no ano passado, de acordo com os dados
do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos
em Alimentos (Para). O resultado das análises foi
apresentado em Brasília nessa quinta-feira (26).
O Para monitorou em 2006 os níveis de agrotóxicos
presentes em seis alimentos consumidos pela população
brasileira: alface, batata, laranja, maçã,
morango e tomate. Desde 2002, foram realizadas 561.200 análises
de 92 princípios ativos de agrotóxicos em
cada uma das amostras coletadas nos 16 estados que integram
o programa. O Para recebeu um investimento de R$ 10 milhões
durante todo o período.
O Gerente de Avaliação de Riscos da área
de Toxicologia da Anvisa e coordenador do Para, Ricardo
Velloso, explica que o programa busca identificar a quantidade
de resíduos de agrotóxicos nas amostras de
cada alimento monitorado. O estudo avalia, ainda, se os
níveis estão de acordo com os estabelecidos
por lei e se o agrotóxico é autorizado para
aquelas culturas.
Resultados
De acordo com o Gerente-geral de Toxicologia da Anvisa,
Luiz Claudio Meirelles, os dados do Para apontam um índice
geral de 14% de irregularidades nas culturas analisadas.
Esse número evidencia a necessidade de desenvolver
estratégias para a redução do nível
de contaminação nos alimentos.
“Os resultados do Para vão auxiliar as vigilâncias
sanitárias de estados e municípios a estruturar
ações de rastreabilidade de controle dos eventos
que geraram a contaminação. Com isso, será
possível chegar até o produtor, identificar
e, em muitos casos, resolver o problema”, relata Meirelles.
Os números divulgados indicam que o morango é
a cultura com o maior índice de irregularidades em
2006 (37,68%). Mas os resultados apontam uma redução
de cerca de 20% dos problemas em comparação
com os dados de 2002, quando os desvios foram de 46,04%.
Em 2003, esse índice foi de 54,55% e, em 2004, 39,07%.
Em 2005, não houve coleta de amostras.
O segundo vilão nos dados divulgados pelo Para é
a alface, com 28,68% das análises irregulares. Ao
contrário do morango, a alface vem obtendo índices
de desvios crescentes. Na primeira análise, em 2002,
apresentou 8,64% de irregularidades.
A maçã é uma cultura que mantém
índices baixos, mas constantes de resíduos
de agrotóxicos. Já o tomate apresentou redução
das irregularidades: de 26,1% em 2002 para 2,01% no ano
passado. A batata e a laranja são as únicas
culturas cujas amostras deram resultados satisfatórios
em 2006.
O Para não coletou amostras de banana, mamão
e cenoura no último ano. Apesar disso, pode-se observar
que os resultados das análises da banana e do mamão
reduziram no decorrer do monitoramento. A banana obteve
6,53% de inconformidades em 2002 e, em 2005, baixou para
3,65%. Já o mamão – que na primeira
análise teve 19,5% – em 2005 não apresentou
problemas.
As amostras de cenoura estavam de acordo com os limites
estabelecidos por lei em 2002 e 2003. No entanto, em 2005,
a análise desse produto apresentou 11,3% de irregularidades.
Estratégias
O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de
agrotóxicos do mundo. O uso abusivo de agrotóxicos,
entretanto, ameaça a saúde do consumidor e
do trabalhador rural, além de contaminar o meio-ambiente.
A principal ação para 2007, segundo Meirelles,
é a ampliação do programa para outros
estados. Atualmente, o Para é formado pelas Vigilâncias
Estaduais de 16 estados e três laboratórios
públicos.
Em 2007, o programa contará com o reforço
de mais dois laboratórios e das vigilâncias
em nove estados – Amazonas, Maranhão, Alagoas,
Paraíba, Piauí, Rondônia, Rio Grande
do Norte, Amapá e Roraima.
A contratação de serviços para reforçar
a realização das análises e a implantação
de sistemas de informação para a troca de
dados entre os estados e a Anvisa também são
ações apontadas por Meirelles.
O gerente prevê, ainda, o aumento do número
de culturas analisadas por meio de parcerias com outros
órgãos e instituições, como
a Associação Brasileira de Supermercados (Abras)
e o Departamento Nacional de Proteção e Defesa
do Consumidor do Ministério da Justiça (DPDC/MJ)
e Procons.
A I Reunião Geral do Para 2007 reuniu técnicos
da Gerência-Geral de Toxicologia da Anvisa e representantes
de vigilâncias estaduais e de laboratórios
públicos, nos dias 24 e 25, na Unidade II da Anvisa,
em Brasília.
Informação:
Assessoria de Imprensa da Anvisa
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