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“A mulher conquista lugares e cargos de forma explícita”

Maria Cecília Martins Brito é farmacêutica e desde dezembro de 2005 ocupa uma das diretorias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É a primeira mulher a ocupara uma das cinco diretorias da Agência.

O que motivou a trabalhar com saúde pública? E com Vigilância Sanitária?

Uma família comprometida com a democracia, com o respeito ao ser humano e com os sentimentos fraternos do cristianismo. Fui educada para contribuir, com responsabilidade, pela melhoria da sociedade onde vivo. A escolha pela área da saúde, Farmácia, no caso, sofreu a influência da época. As mulheres precisavam marcar o seu lugar nos concursos (vestibulares) mais difíceis. Quanto a Vigilância sanitária, foi casual. Trabalhava, há 10 anos, com Vigilância Epidemiológica em Laboratórios de Saúde Pública, quando fui convidada para dar início às atividades de vigilância sanitária na cidade onde residia, junto ao Parque Farmacêutico em começo de desenvolvimento. A partir daí, tudo acabou acontecendo. Passei a conhecer o potencial com que cada trabalhador de vigilância sanitária faz cumprir a Declaração de Alma Ata, o que nos torna responsáveis não só pela nossa saúde, mas, também, pela a dos outros.

Em sua trajetória profissional, alguma vez você enfrentou dificuldades ou preconceito por ser mulher?

Nunca a ponto de incomodar-me. As conquistas profissionais que fazemos sempre têm um preço, e a expressão de que “coisas de mulher atrapalham” é só uma ironia. Nós, homens e mulheres, de todas as idades, carregamos referências maravilhosas de grandes mulheres, a começar pela nossa casa, com as nossas mães.

Como primeira mulher a integrar a Diretoria Colegiada da Anvisa, o que você acha que as instituições ganham ao serem dirigidas por mulheres?

Uma visão do conjunto sendo mais importante do que a parte. Também cito a perseverança. A mulher foi educada para refazer serviços: todos os dias, suprimos a casa e reconversarmos; todos os dias, o modelo da família obriga-nos a recomeçar. Isto faz com que nos acostumemos não só a perder, mas também a ser incansável no recomeçar. Outro ganho é trazer o afeto entre as pessoas que trabalham conosco. Contratamos Recursos Humanos, mas trabalhamos com gente. Nesse sentido, afeto é fundamental.

A maioria dos funcionários da Anvisa são mulheres. A que você atribui esse interesse feminino pela área da saúde?

São vários os fatores. A mulher conquista lugares e cargos de forma explícita nos dias de hoje, não só na Anvisa. Por outro lado, é muito próprio do sentimento feminino a possibilidade de zelar pelas pessoas, pela saúde delas. Isto, sim, faz com que as mulheres se apaixonem pelo trabalho da vigilância sanitária.

Em sua opinião, quais mulheres têm papel de destaque na história da vigilância sanitária?

Existem nomes de valor, mulheres que possuem notoriedades acadêmicas e outras com experiência no processo de trabalho propriamente dito. São por todos citadas, seja em função de seus livros, de suas apresentações, da presente resistência, ou dos feitos passados. Mas, aqui, ressalto a mulher que trabalha na vigilância sanitária, na execução mesmo! Que levanta cedo, cuida da família, provê a casa, sai para o trabalho. Aquela mulher que se envolve tanto com o trabalho a ponto de esquecer os filhos e que, ao retornar, se sente culpada por ganhar tão pouco, ficar tanto tempo longe da família. Ela ainda perde o sono, pensando na responsabilidade que detém.
Destaco, hoje, a ação de Márcia Maria Martins Campos, companheira de liderança, determinação e compromisso, dando novo significado à vigilância sanitária na Amazônia, a quem tive oportunidade de conhecer melhor recentemente.

 
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