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“A mulher tem o seu jeito de ser, suas habilidades próprias”

Ediná Alves Costa é figura de destaque no cenário nacional quando o assunto é vigilância sanitária. Graduada em medicina veterinária, mestre em Saúde Comunitária e doutora em Saúde Pública, Ediná trabalha desde 1977 na área. Atualmente, ela é professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. No Dia Internacional da Mulher, a pesquisadora analisa o perfil das profissionais de vigilância sanitária no Brasil.

Como a mulher aparece em sua pesquisa sobre a história da Vigilância Sanitária?

Quando nós olhamos a história da vigilância sanitária no Brasil vemos que os dirigentes sempre foram homens. Somente nos anos 80 e 90 é que nós encontramos mulheres em cargos mais altos. Nos anos 2000, é que aparece uma mulher na diretoria colegiada da Anvisa. Espero que continue havendo o feminino neste setor, porque a mulher tem algo diferente mesmo, específico, de gênero. É muito importante que a mulher esteja em todos os lugares, porque ela tem um jeito acolhedor de conduzir as coisas.

Há uma figura feminina na história da Vigilância Sanitária que a senhora destacaria?

Eu respeito e considero a professora Sueli Rosenfeld, da Escola Nacional de Saúde Pública como uma das pessoas mais importantes da história da Vigilância Sanitária. Foi uma pessoa que esteve na Vigilância Sanitária nos anos 80. No momento do governo da Nova República, a Sueli foi diretora da antiga Divisão de Medicamentos da então Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, criada em 1976. A Sueli teve um papel muito importante, porque ela fez um esforço enorme para praticar o que a legislação de medicamentos de Vigilância Sanitária determinava.

Enquanto na Anvisa as mulheres predominam, na área de Vigilância Sanitária em geral os homens são maioria. Como a senhora vê esse fenômeno?

Isso realmente chama a atenção e é difícil responder. Tentei levantar hipóteses sobre isso, buscando identificar as profissões que predominam na Vigilância Sanitária, mas é difícil explicar os motivos. Por exemplo: uma das profissões mais importantes do ponto de vista numérico do Censo Nacional dos Trabalhadores da Vigilância Sanitária é a de médico veterinário, e a maioria dos profissionais de veterinária é homem. Então, profissões ainda ocupadas na maioria dos casos por homens pesam muito nos números finais. Já em relação à saúde pública como um todo aparecem mais profissões associadas ao feminino, como enfermagem e nutrição.

Ainda existem barreiras no momento em que a mulher escolhe uma profissão? Ela ainda deixe de optar por determinada carreira por ser “coisa de homem”?

Estas barreiras estão sendo cada vez mais rompidas, mas ainda existe certa tradição em algumas profissões. Tradicionalmente, no Brasil, a medicina veterinária sempre esteve muito ligada à atividade com grandes animais, com o campo. E cuidar de fazendas, gado, cavalos são funções associadas ao trabalho masculino. O boom de medicina veterinária para pequenos animais é algo mais recente no Brasil. Quando eu fiz medicina veterinária, me formei em 1973, em uma turma de 45 alunos, havia apenas nove mulheres.

Saindo do âmbito da Vigilância Sanitária, a que a senhora atribui a discriminação histórica entre homens e mulheres?

Existem muitas teorias explicativas. Como eu sempre fui lutadora pela igualdade dos direitos, não só entre o masculino e o feminino, mas entre os grupos sociais, sempre me chamou a atenção, me incomodou muito a diferença de direitos em relação a homens e mulheres. Eu entendo que a mulher tem o seu jeito de ser, tem suas habilidades próprias femininas, suas tarefas específicas, mas não creio que ela tenha que ter diferença de direitos. A mulher tem especificidades, como o homem também, mas, como seres humanos, somos iguais.

 
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