|
Brasília,
19 de agosto
de 2008 - 10h50
Menores
de um ano devem evitar o consumo de mel
 |
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) recomenda que crianças com menos de
um ano de idade não consumam mel. O objetivo
da orientação é prevenir a ingestão
de esporos da bactéria Clostridium botulinum,
bacilo responsável pela transmissão do
botulismo intestinal. Não existem restrições
ao consumo de mel por crianças com mais de um
ano de idade e adultos sem problemas de saúde
relacionados à flora intestinal. |
Apesar de não haver confirmação de
casos da doença no Brasil, a atuação
da Anvisa está fundamentada em publicações
oficiais da Secretaria de Vigilância em Saúde
do Ministério da Saúde (como, por exemplo
o Manual
Integrado de Vigilância Epidemiológica do Botulismo
- PDF)
e publicações científicas sobre contaminação
do mel brasileiro com Clostridium botulinum. Resultados
de pesquisas
(PDF)
apontam que 7% das 100 amostras de mel comercializadas por
ambulantes, mercados e feiras livres, em seis estados brasileiros,
estavam contaminadas com o bacilo.
O assunto foi pautado pela Agência em duas reuniões
da Câmara Técnica de Alimentos, fórum
formado por professores especialistas que fornecem suporte
técnico à Gerência Geral de Alimentos
da Anvisa. “A discussão ocorrida na Câmara
Técnica de Alimentos resultou na publicação
do Informe Técnico
37, que alerta pais e educadores para não incluir
o mel na alimentação de crianças menores
de um ano”, explica a diretora da Anvisa, Maria Cecília
Martins Brito.
O botulismo intestinal só se inicia após
a transformação dos esporos do Clostridium
botulinum para a forma vegetativa (início das atividades
metabólicas do microrganismo). Na forma vegetativa,
esse bacilo se multiplica e libera toxina botulínica
no intestino. “É importante lembrar que a multiplicação
do Clostridium botulinum e liberação da toxina
no intestino só ocorre em crianças que ainda
não possuem a flora intestinal completamente formada
ou em adultos com alguma doença que possa alterar
essa flora protetora”, afirma Brito.
Em adultos sem problemas relacionados à flora intestinal,
o consumo desses esporos nos alimentos não gera qualquer
tipo de problema para a saúde. “A vigilância
sanitária está trabalhando com o princípio
da precaução, uma vez que o alto teor de açúcar
e a baixa atividade de água, próprios do mel,
impedem a germinação do esporo e, conseqüentemente,
a produção da toxina”, finaliza a diretora
da Anvisa.
Botulismo
O botulismo é uma doença neuroparalítica
grave, não contagiosa, resultante da ação
de uma potente toxina produzida pela bactéria Clostridium
botulinum. Quando provocada pela ingestão de alimentos
contaminados, é considerada doença transmitida
por alimento. Nas amostras de alimentos é comum encontrar
formas esporuladas do Clostridium botulinum, em especial
no mel.
O botulismo intestinal é um modo de transmissão
do botulismo e ocorre com maior freqüência em
crianças com idade entre 3 e 26 semanas. Está
associado à ingestão de esporos da bactéria
presentes em alimento contaminado.
De acordo com a Portaria 5/2006, da Secretária de
Vigilância em Saúde do Ministério da
Saúde, o botulismo é doença de notificação
compulsória. As suspeitas de casos exigem notificação
à vigilância epidemiológica local e
investigação imediata.
Informações:
Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
|