| Brasília,
05 de agosto de
2009 - 17h
Hélio
Vannucchi
Médico formado pela Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho (SP), Hélio Vannuchi
é professor titular da Universidade de São
Paulo (USP). Pela Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto (SP) possui especialização em Nutrição,
mestrado em Clínica Médica (Nutrição)
e doutorado em Clínica Médica (Nutrição).
Vannucchi foi presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação
e Nutrição (SBAN) e da Sociedade Latinoamericana
de Nutrição (SLAN). Além disso, possui
pós-doutorado pela University of Califórnia
e já publicou mais de 200 trabalhos científicos
em revistas internacionais e nacionais e 40 capítulos
em livros nacionais e internacionais
Entrevista
1. Qual a importância da CTCAF
para a segurança dos alimentos consumidos no Brasil?
Resposta: Acho fundamental este papel
regulatório. Imagine o caos que seria no país
sem essa regulação. Cada empresa que pensasse
um alimento e o colocasse a venda sem nenhum tipo de análise.
O risco corrido pela população seria enorme.
Ainda hoje acontece isso, acredito que em menor escala e
ainda assim regionalmente. Estabelecer critérios
de análise sobre: preparação, boas
práticas de elaboração, objetivo nutricional
específico bem claro, análise de risco para
consumo humano e comprovação de segurança
e eficácia garante segurança dos alimentos
diminuindo os riscos da população.
A análise das alegações feita à
luz do mais recente e rigoroso conhecimento científico
é essencial para garantir segurança. A análise
científica dos testemunhos apresentados deve ser
feita utilizando critérios de importância crescente
e com validade específica para cada produto analisado.
Assim, experimentos com cultura de tecidos, em animais de
laboratório, estudos em humanos com diferentes amostragens
e tipo de controle utilizado embasam a análise científica.
2 – Podemos notar alguma evolução
ao longo desses 10 anos de Comissão? Quais?
Resposta: A atuação da
Comissão evoluiu muito ao longo deste período.
No início, havia uma superposição de
expectativa e até inúmeros produtos da área
de medicamentos eram submetidos à Comissão.
Ainda hoje observa-se uma certa confusão sobre isto,
principalmente por parte das empresas produtoras dos alimentos.
Estabelecer as normas e critérios tornou a tarefa
da Comissão muito mais racional, produtiva e eficiente
e isto foi conseguido com a experiência adquirida
na pratica contínua de análise dos produtos
submetidos à regulação.
3 – Quais os principais desafios
que a Comissão ainda precisa superar?
Resposta: Existem alguns desafios. Primeiro,
sua composição é complexa com membros
do corpo técnico da Anvisa e representantes do conhecimento
científico da área, membros das Universidade
e de outros ministérios. Muitas vezes ocorre duplicidade
de encaminhamento burocrático sendo que a decisão
acaba sendo tomada em outro ministério sobre alimentos
que deveriam pelo menos ter uma análise na Comissão.
Segundo, existe, obviamente, uma pressão do setor
empresarial para aprovação de seus produtos,
mas tem sido administrada sem interferência. Existe,
ainda, a questão de explicitar perante a nação
os principais pontos da política nacional de alimentação,
pois é freqüente a análise de produtos
que contrariam claramente o que se deseja para a saúde
nutricional da população.
Não podemos esquecer que é importante estabelecer
uma prática de responsabilidade por parte das empresas
como existe em alguns países, pois a atribuição
de responsabilidade de eventuais efeitos indesejáveis
cabe ao proponente. Por fim, melhorar a infra-estrutura
de funcionamento das reuniões.
4 - O Brasil dispõe de mecanismos
eficientes para acompanhar a evolução tecnológica
e inovações dos alimentos sem expor a população
a riscos de saúde? Quais?
Resposta: Tanto o corpo técnico
como o acadêmico estão preparados para acompanhar
a evolução tecnológica e as inovações.
Ainda assim algumas vezes torna-se necessário propor
uma discussão acadêmica mais ampla com convidados
da área, pesquisadores estrangeiros, etc. Isto tem
sido garantido em algumas situações e muito
ofereceu como contribuição às decisões
da Comissão.
5 – Como você avalia a atuação
da CTCAF ao longo desses 10 anos? Existe algum caso que
gostaria de relembrar?
Resposta: Ressalto o fato de que dentro
da Comissão, a diversidade de conhecimento principalmente
entre os representantes das universidades, se constitui
em aspecto auspicioso e completa a ampla análise
de cada produto submetido. Neste sentido, a composição
da Comissão é muito feliz e facilita a análise.
Em minha opinião, o clima das discussões,
e por conseqüência das decisões, é
muito agradável. Vários produtos muito bizarros
foram submetidos à análise da Comissão.
Alguns que fugiam as normas e critérios aceitos e
até outros muito estranhos a alimentação
humana. Cito como exemplo um produto que era uma pasta de
minhocas liofilizadas para alimentação humana.
Informações:
Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
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