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Brasília,
15 de abril de
2009 - 13h40
Divulgado
monitoramento de agrotóxicos em alimentos
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O pimentão foi o alimento que apresentou o
maior índice de irregularidades para resíduos
de agrotóxicos, durante o ano de 2008. Mais
de 64% das amostras de pimentão, analisadas
pelo Programa de Análise
de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos
(PARA) (PDF)
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), apresentaram problemas. O morango, a uva
e a cenoura também apresentaram índices
elevados de amostras irregulares, com mais de 30%
cada.
No
lançamento dos dados do Programa, nesta quarta-feira
(15), em Brasília (DF), o ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, destacou a importância
do trabalho da Anvisa no monitoramento de resíduos
de agrotóxicos em alimentos. “No Brasil,
a segunda causa de intoxicação, depois
de medicamentos, é por agrotóxicos,
o que tem uma dimensão importante”, afirmou
Temporão. |
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Os desvios detectados
pelo PARA foram: teores de resíduos de agrotóxicos
acima do permitido e o uso não autorizado para determinadas
culturas. No balanço geral, das 1773 amostras dos dezessete
alimentos monitorados (alface, batata, morango, tomate, maça,
banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, cebola,
feijão, manga, pimentão, repolho e uva), 15,28%
estavam insatisfatórias.
A cultura de tomate foi a que apresentou maiores avanços
quanto à diminuição dos índices
de irregularidades. Em 2007, 44,72% das amostras de tomate
analisadas apresentaram resíduos de agrotóxicos
acima do permitido. No último ano, esse número
caiu para 18,27%.
O arroz e o feijão, coletados pela primeira vez
no Programa de 2008, apresentaram índices de irregularidades
de 3,68% e 2,92% respectivamente. Juntamente com a manga,
batata, banana, cebola e maçã, esses dois
alimentos apresentaram os menores teores de irregularidade
detectados.
A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do
Programa, apresentou um índice de 22,2% de uso indevido
de agrotóxicos, teve o nível reduzido para
2%. A banana, que chegou a apresentar índice de
6,53% neste período, fechou 2008 com incidência
de 1,03% de irregularidades.
Chama atenção, nos resultados do Programa,
o uso de agrotóxicos não permitidos, em todas
as culturas analisadas. Ingredientes ativos banidos em
diversas partes do mundo, como acefato, metamidofós
e endossulfam, foram encontrados de forma irregular nas
culturas de abacaxi, alface, arroz, batata, cebola, cenoura,
laranja, mamão, morango, pimentão, repolho,
tomate e uva.
Cuidados
Para reduzir o consumo de agrotóxico em alimentos,
o consumidor deve optar por produtos com origem identificada.
Essa identificação aumenta o comprometimento
dos produtores em relação à qualidade
dos alimentos, com adoção de boas práticas
agrícolas.
É
importante, ainda, que a população escolha
alimentos da época ou produzidos por métodos
de produção integrada (que a princípio
recebem carga menor de agrotóxicos). Alimentos orgânicos
também são uma boa opção, pois
não utilizam produtos químicos para serem
produzidos.
Os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas
externas de verduras ajudam na redução dos
resíduos de agrotóxicos presentes nas superfícies
dos alimentos.
PARA
O objetivo do PARA, criado em 2001, é manter a segurança
alimentar do consumidor e a saúde do trabalhador
rural. O Programa, coordenado pela Anvisa em conjunto com
os órgãos de Vigilância Sanitária
Estaduais e Municipais, abrange, atualmente, 25 estados
e o Distrito Federal.
Em 2008, realizaram coletas em supermercados (de acordo
com o plano de amostragem) os estados do Acre, Bahia, Espírito
Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul,
Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro,
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e
Distrito Federal. Neste mesmo ano, as ações
de ampliação do Programa treinaram os estados
de Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão,
Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do
Norte, Rondônia, Roraima. Os dez estados treinados,
mais São Paulo, participarão do PARA em 2009.
A escolha dos itens analisados pelo Programa leva em consideração
a importância destes alimentos na cesta básica
do brasileiro, o consumo, o uso de agrotóxicos e
a distribuição das lavouras pelo território
nacional. No último ano, o PARA acompanhou oito
novas culturas, até então nunca monitoradas:
abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão,
repolho e uva.
O Programa funciona a partir de amostras coletadas pelas vigilâncias
sanitárias dos estados e municípios. No último ano, as
amostras foram enviadas para análise aos seguintes laboratórios:
Instituto Octávio Magalhães (IOM/FUNED/MG), Laboratório
Central do Paraná (LACEN/PR) e Instituto Tecnológico de Pernambuco
(ITEP), nas quais foram investigadas até 167 diferentes agrotóxicos.
Caso a utilização de agrotóxicos esteja em desacordo com
os limites permitidos pela Anvisa, os órgãos responsáveis
pelas áreas de agricultura e meio ambiente são acionados para
rastrear e solucionar o problema.
“
Trabalhadores rurais são expostos a estes agrotóxicos sem os
equipamentos próprios para o manejo destes produtos”, explica
José Agenor Álvares, diretor da Anvisa. As medidas em relação
aos produtores são, principalmente, de orientação para
que sejam adotadas as Boas Práticas Agrícolas (BPAs).
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DADOS
CONSOLIDADOS DO PARA 2008
|
|
Cultura
|
Total de amostras analisadas
|
Amostras insatisfatórios
|
|
Total
|
%
|
|
Abacaxi
|
95
|
9
|
9,47
|
|
Alface
|
101
|
20
|
19,80
|
|
Arroz
|
136
|
6
|
4,41
|
|
Banana
|
97
|
1
|
1,03
|
|
Batata
|
100
|
2
|
2,00
|
|
Cebola
|
103
|
3
|
2,91
|
|
Cenoura
|
102
|
31
|
30,39
|
|
Feijão
|
137
|
4
|
2,92
|
|
Laranja
|
101
|
15
|
14,85
|
|
Maçã
|
102
|
4
|
3,92
|
|
Mamão
|
104
|
18
|
17,31
|
|
Manga
|
101
|
1
|
0,99
|
|
Morango
|
86
|
31
|
36,05
|
|
Pimentão
|
101
|
65
|
64,36
|
|
Repolho
|
102
|
9
|
8,82
|
|
Tomate
|
104
|
19
|
18,27
|
|
Uva
|
101
|
33
|
32,67
|
|
Total
|
1773
|
271
|
15,28
|
Ações
Práticas:
1. Realizar reuniões nos Estados, com os órgãos
de vigilância sanitária e agricultura e os
representantes dos supermercados, dos produtores rurais,
do Ministério Público e da Sociedade Civil
para o estabelecimento de ações conjuntas.
2. Reavaliar ingredientes ativos de importância toxicológica
evidenciada pelos resultados do PARA.
3. Dar continuidade às ações de fortalecimento
da rede de referência de Laboratórios de Saúde
Pública para o monitoramento de resíduos
de agrotóxicos nos alimentos.
4. Continuar ampliando o quantitativo de amostras
e a diversidade das culturas envolvidas no PARA.
5. Seguir ampliando as estratégias junto
aos Estados para a rastreabilidade de produtos in natura.
6. Fomentar a estruturação da assistência
técnica rural para aprimorar a qualificação
do produtor.
7. Organizar e fomentar ações
e campanhas educativas voltadas para todos os atores
sociais
envolvidos
na cadeia produtiva de Frutas, Verduras e Legumes : dos
trabalhadores rurais aos consumidores.
8. Elaborar uma versão da nota técnica comentada
para ser disponibilizada nas estruturas de divulgação
da Coordenação Geral da Política de
Alimentação e Nutrição do Ministério
da Saúde e outros canais de comunicação
direta com a sociedade.
9. Incluir as ações do PARA no Plano Integrado
de Vigilância e Saúde de Populações
Expostas a Agrotóxicos da Secretaria de Vigilância
em Saúde do Ministério da Saúde.
10. Estabelecer parceria com o Instituto Nacional
de Colonização
e Reforma Agrária (INCRA), por meio do Programa
de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES)
da Diretoria de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento
Rural.
11. Definir as ações a serem desenvolvidas
em relação aos ingredientes ativos que apresentaram
maior freqüência de irregularidades e para as
culturas com grande número de resultados insatisfatórios.
12. Fortalecer os programas de governo já existentes,
como o de produção integrada e o de produção
orgânica.
13. Solicitar ao Ministério da Agricultura a adoção
de medidas que limitem a importação de agrotóxicos
que são encontrados pelo PARA apesar de terem severas
restrições internacionais, e cujos níveis
de importação estão acima do teto
histórico.
14. Fomentar a integração das ações
voltadas para o monitoramento de resíduos de agrotóxicos
efetuados por diferentes instituições públicas,
federais e estaduais.
15. Agilizar a publicação de normas técnicas
para as culturas com suporte fitossanitário insuficiente
e para os produtos destinados à produção
orgânica de alimentos.
16. Integrar regionalmente as ações fiscalizatórias
das Vigilâncias Sanitárias e das Secretarias
de Agricultura.
17. Informar o Ministério da Agricultura e a Polícia
Federal quanto à presença de agrotóxicos
proibidos no país, encontrados nas culturas
analisadas pelo PARA.
18. Apoiar ações desenvolvidas
pela Associação Brasileira de Supermercado
(ABRAS) no que tange: a geração de dados e
informações sobre o consumo e qualidade de
Frutas, Verduras e Legumes (FLVs); a organização
de sistemas de “Alerta rápido para acidentes
de consumo” objetivando a construção
de base histórica de solução de problemas;
o estabelecimento de mecanismos que permitam aos Supermercados
informar e orientar o Consumidor e o compartilhamento da
base de dados sobre monitoramento interno da qualidade de
FLVs junto aos órgãos pertinentes;
19. Fortalecimento das ações
da Produção Integrada-PI através da
divulgação dos benefícios de sua utilização
como agricultura sustentável, que profissionaliza
o setor, através da adoção de tecnologia
e capacitação, acarretando entre vários
benefícios a redução da utilização
de agrotóxicos nos alimentos e produtos derivados
20. Incentivar e aumentar a abrangência de atuação
dos projetos SAPI e Orgânicos como parte de políticas
públicas, como por exemplo: alimentos de Produção
Integrada e Orgânicas na merenda escolar
21. Incentivar e apoiar o Programa Pró-Orgânico
do Ministério da Agricultura para ampliar a oferta
de produtos que não utilizam agrotóxicos
Leia Mais: Reavaliação
de agrotóxicos: 10 anos de proteção
a população
Informações:
Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa
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