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Em dezembro
de 2006, um consumidor da cidade de Sabará (MG),
vizinha a Belo Horizonte, comprou mais uma vez o medicamento
receitado pelo seu médico. Alguns dias após
utilizar o produto, percebeu que o medicamento não
estava fazendo efeito. Acreditando que se tratava de um
problema de fabricação, o consumidor ligou
para o atendimento do laboratório e fez uma reclamação.
Dias depois o laboratório entrou em contato com a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) que divulgou um alerta para todo o Brasil. O medicamento
comprado pelo consumidor era falso.
Situação
semelhante ocorreu em abril do mesmo ano quando, após
algumas denúncias, a polícia do estado de
São Paulo, com ajuda da Anvisa, apreendeu trinta
caixas de medicamentos falsificados para impotência
sexual. A falsificação foi encontrada ainda
em mais nove estados do país, em um trabalho que
contou com a participação das polícias
civis, vigilâncias sanitárias locais e da Anvisa.
Dentre
os diversos tipos de crimes previstos no Código Penal,
os que envolvem produtos para a saúde são
particularmente graves, tipificados como hediondos. No caso
das falsificações, por exemplo, representam
um risco para a pessoa que necessita de um tratamento.
(Carlos
Augusto Moura, Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa)
Medicamentos
roubados – Com o roubo de medicamentos,
a situação é semelhante. Nesse caso,
o produto perde todas as garantias de qualidade. De acordo
com o gerente geral de Inspeção e Controle
de Insumos, Medicamentos e Produtos da Anvisa, Roberto Barbirato,
os laboratórios e distribuidores devem atender certos
requisitos para garantir a segurança do medicamento,
durante o transporte e o armazenamento. “Mas quando
o medicamento cai nas mãos de um ladrão todos
esses requisitos necessários se perdem, por exemplo,
o controle da temperatura do produto”, destaca Barbirato.
No início
deste mês, a Polícia Federal realizou a operação
Hipócrates no Rio de Janeiro (RJ), em que, até
o momento, cerca de 30 pessoas foram presas pelo envolvimento
no roubo de cargas de medicamentos. O trabalho contou com
a participação de quatro funcionários
da Anvisa que auxiliaram os policiais. De acordo com o delegado
que coordenou a operação Hipócrates,
Hilton Coelho, a maior dificuldade do trabalho de investigação
foi rastrear todo o caminho percorrido pelo medicamento
do momento do roubo até o repasse para as farmácias
e drogarias que participavam do esquema.
Segundo
Coelho, os fabricantes produzem lotes que acabam sendo divididos
em vários carregamentos e isso dificulta a localização
das caixas roubadas. O delegado revela que, para os bandidos,
a saúde da população não é
motivo de preocupação, pois eles são
capazes de alterar os prazos de validade e repassar o produto
independentemente do estado de conservação.
Práticas
como a falsificação, o roubo e a venda de
medicamentos clandestinos têm recebido atenção
especial da Anvisa. Somente no primeiro semestre de 2007,
a Anvisa divulgou alerta sobre seis casos de medicamentos
falsificados no mercado. No ano passado, foram sete casos.
“Como
se trata de uma atividade ilegal, é difícil
estimar o tamanho real dessa fraude no Brasil, a única
certeza é que os medicamentos mais rentáveis
são os maiores alvos dos falsificadores”, explica
Roberto Barbirato. Para se ter uma idéia, nos últimos
três anos, dos 14 casos de medicamentos falsificados
encontrados no mercado, 12 eram produtos para impotência
sexual. Esses produtos estão entre os mais vendidos
no país.
Embalagem
segura – Alguns cuidados simples podem evitar
a compra de um medicamento falsificado. A primeira providência
é adquirir o produto somente em farmácias
ou drogarias, pois apenas esses estabelecimentos têm
autorização e farmacêuticos para lidar
com medicamentos. Se o usuário está acostumado
a utilizar um determinado medicamento, é importante
ficar atento às alterações na embalagem.
Em caso de suspeita, o recomendado é entrar em contato
com o laboratório fabricante, a vigilância
sanitária local ou ligar para o Disque Saúde,
por meio do serviço telefônico gratuito 0800-61-1997.
Uma
tecnologia presente em todas as embalagens de medicamento
também é um grande aliado na hora de evitar
as fraudes. Mais conhecida como “raspadinha”,
as caixas de medicamentos trazem um espaço em branco
que deve ser raspado com um pedaço de metal como
um clips ou uma moeda. Se o produto for verdadeiro, aparecerá
a marca do laboratório produtor. Se for falso, a
tinta sairá até rasgar a caixa de papelão.
De acordo com o gerente de Monitoramento da Qualidade e
Fiscalização de Medicamentos da Anvisa, Kleber
Pessoa, este é um dispositivo bastante eficiente.
“É um recurso de segurança que os falsificadores
ainda não conseguiram copiar”, revela Kleber.
Produtos
clandestinos – Além dos roubos e das
falsificações, a fabricação
de medicamentos clandestinos preocupa as autoridades sanitárias
no Brasil. Os clandestinos são medicamentos que não
possuem registro na Anvisa e por isso não tiveram
sua qualidade, eficiência e segurança avaliadas.
Na prática é como tomar um comprimido, por
exemplo, sem garantia da sua composição. Para
a gerente de Monitoramento e Fiscalização
de Propaganda da Anvisa, Maria José Delgado, as pessoas
acabam sendo seduzidas por propagandas irregulares. “Acompanhamos
a propaganda o tempo todo e vemos que uma das principais
irregularidades é o anúncio de medicamentos
sem registro”, aponta Delgado.
Por
este motivo, até junho deste ano, cerca de 40 produtos
já tiveram sua comercialização suspensa.
Um caso comum é quando o fabricante atribui propriedades
de um medicamento a um alimento. Ou ainda quando se vende
uma preparação caseira como se tivessem efeitos
comprovados. Segundo Roberto Barbirato, é um trabalho
feito em pequenas ações, mas com um resultado
fundamental para preservar a saúde da população:
“As ações de interdição
de produtos fazem parte do nosso dia a dia e garantem a
retirada do mercado de produtos que podem ser nocivos à
população”.
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Repressão
ao crime – casos recentes
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Operação
Caloria – feita pela Polícia Federal
em abril do ano passado. Prendeu dez pessoas que faziam
parte de um grupo de profissionais da área de
saúde que produziam e distribuíam ilegalmente
medicamentos para emagrecer. |
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Operação
Eros – realizada no ano passado também
pela Polícia Federal, em Imperatriz (MA). Prendeu
13 pessoas envolvidas na venda de Pramil, um medicamento
clandestino que promete corrigir a disfunção
erétil. |
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Vacina
contra gripe – após denúncia
de uma farmácia de Coronel Fabriciano (MG), a
Anvisa alertou sobre a oferta de vacina falsa no mercado. |
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Medicamento
para impotência – em janeiro do
ano passado, uma ação da Anvisa e das
vigilâncias sanitárias municipal, de Porto
Alegre (RS), e estadual, do Rio Grande do Sul, com apoio
da secretaria Estadual de Fazenda, apreendeu 37 caixas
de medicamento falso em uma farmácia da capital. |
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Fonte:
Polícia Federal e Anvisa |
Informação:
Assessoria de Imprensa da Anvisa |