| Notícia
Brasília, 18 de maio de 2006
- 11h20
Entrevista Dirceu Raposo de
Mello/diretor-presidente da Anvisa
Fracionados
têm qualidade garantida
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A Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) é a agência reguladora
responsável pela regulamentação da
prática do fracionamento de medicamentos no país.
Também fiscaliza ao lado das vigilâncias sanitárias
de estados e municípios a prática correta
do fracionamento por fabricantes, drogarias e farmácias.
Nesta entrevista o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu
Raposo de Mello, garante a qualidade absoluta que esses
produtos têm, passando a constituir-se em grande vantagem
para o consumidor na hora em que for necessário fazer
uso de algum medicamento. |
Os medicamentos fracionados têm qualidade
e são tão seguros quanto os embalados em quantidades
maiores já conhecidos?
Dirceu: Sim, quanto à qualidade
e segurança podemos garantir tranqüilidade absoluta
aos consumidores. Os fracionados estão sujeitos aos mesmos
padrões de produção de todos os outros medicamentos
à disposição no mercado nacional. Neste ponto,
as exigências brasileiras são equiparadas a dos países
do primeiro mundo. Todos os fabricantes devem seguir regras chamadas
de Boas Práticas de Fabricação, cuja aplicação
é checada periodicamente pela fiscalização.
Mas, no ponto de venda, na hora em que o
medicamento pode ser picotado, ou repartido, não é
possível haver contaminação, mistura ou troca?
Dirceu: Este risco não existe
e aí é que está o diferencial do fracionamento
adotado pelo Brasil. Só se pode fracionar mantendo-se o que
chamamos de embalagem primária dos produtos. Ou seja, o medicamento
por menor que seja a dose tem que continuar envolto num blister,
numa pequena bisnaga, numa ampola, etc. E esta embalagem menor tem
que conter informações básicas sobre a origem
do produto, para que possamos rastreá-lo em caso de alguma
dúvida quanto à procedência.
Como se dá a fiscalização
da qualidade dos medicamentos no Brasil?
Dirceu: A Anvisa é a coordenadora
do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, que é
formado pelas vigilâncias de estados e municípios e
pelos laboratórios de análises. Antes de começar
a fabricar, a indústria deve solicitar registro de seu produto
à Anvisa. Para obtê-lo, terá que se adequar
à legislação própria, com regras sanitárias
que abrangem da área física do prédio à
qualificação profissional dos funcionários,
passando por maquinário, origem da matéria-prima,
transporte da mercadoria, pontos de checagem de qualidade e outros
itens. As farmácias recebem visitas periódicas das
vigilâncias dos estados e municípios. Além disso
também é feito recolhimento de amostras para análise
em laboratório visando saber se o produto que está
sendo vendido mantém as características especificadas
quando de seu registro. Por fim, temos o trabalho de Farmacovigilância,
que é a investigação de problemas porventura
ocorridos com medicamentos já em uso.
O senhor recomenda que as pessoas passem
a procurar os medicamentos fracionados?
Dirceu: Por vários motivos
os fracionados passam a ser uma grande opção. Por
questões econômicas e sanitárias porque se a
pessoa precisa, por exemplo, só de três comprimidos
vai pagar só por três, além de evitar a armazenagem
de remédio em casa, o que inibe a auto-medicação
e os acidentes com intoxicação por medicamentos. Também
se evitará que sobras sejam descartadas no meio-ambiente.
Recomendo também porque defendo o uso racional
dos medicamentos, que significa acesso ao remédio adequado
para uma finalidade específica, em quantidade, tempo e dosagem
suficientes para o tratamento correspondente, sob a orientação
e a supervisão de profissional qualificado, com trânsito
de informações e acompanhamento dos resultados do
uso.
E onde as pessoas podem encontrar medicamento
fracionado?
Dirceu: A regulamentação
permite que tanto farmácias quanto drogarias, sem distinção,
possam oferecer remédio na quantidade exata que o consumidor
pedir. Basta apresentar a receita médica especificando a
quantidade. O próprio balconista pode atender e “repartir”
o medicamento, desde que esteja sendo supervisionado por um farmacêutico,
profissional qualificado que deve sempre estar à disposição
no estabelecimento. A farmácia ou drogaria tem que ter uma
parte do balcão destinada a isso, onde haverá uma
placa indicando “Área de Fracionamento”. A rigor,
já é possível encontrar 26 produtos em várias
apresentações nesses estabelecimentos. É importante
o paciente pedir ao médico que prescreva na dose certa para
que ele possa comprar só o necessário.
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