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02/10
Transplantados temem a falta de medicamentos
02/10 Campanha dos remédios genéricos começa hoje




Transplantados temem a falta de medicamentos
Fonte:
Correio Braziliense - 02/10/2001



O Distrito Federal é a unidade da Federação que mais capta órgãos e o que mais realiza transplantes de rim, em relação ao número de habitantes, segundo dados do Centro de Captação de Órgãos da Secretaria de Saúde. No mês passado, alguns transplantados ficaram assustados com a possibilidade de faltar medicamentos contra a rejeição de órgãos.

Naiobe Quelem

Uma disputa comercial entre laboratórios colocou em risco, no DF, a vida de centenas de pacientes que dependem da ciclosporina - medicamento usado para evitar a rejeição de órgãos transplantados, principalmente rins. O troca-troca de laboratórios - medida paliativa da Secretaria de Saúde para não interromper o tratamento dessas pessoas - chegou a comprometer a distribuição gratuita do remédio na Farmárcia Ambulatorial Especializada do DF, no Hospital de Base de Brasília.

O último episódio ocorreu em setembro. O estudante Marcelo da Silva Bezerra Júnior, 17 anos, deveria ter recebido o remédio no dia 20. Mas ficou tranqüilo somente cinco dias depois, quando o medicamento chegou. ''Não fiquei sem o comprimido porque tinha uma reserva'', conta.

Segundo ele, essa não foi a primeira vez que o problema aconteceu. ''No início do ano, um mês depois do transplante, também faltou remédio. Para não perder meu rim e voltar a fazer hemodiálise, tive que comprar o medicamento. Cada caixa custou R$ 115'', lembra Marcelo, que antes fazia três sessões de hemodiálise por semana, com duração de 3h30 cada.

''Falaram que eu poderia comprar o remédio, pois seria ressarcido. Entrei com pedido na Secretaria de Saúde, mas foi indeferido'', reclama o pai de Marcelo, Marcelo da Silva Bezerra, 52 anos, que não entende o motivo da falta do medicamento. ''Eles sabem quantos remédios devem distribuir. Então por que não fazem um controle melhor?'', questiona.

No entanto, segundo o secretário de saúde, Jofran Frejat, a falta do remédio não foi causada por desorganização, e sim por questões judiciais. Depois de vencer a licitação pública da Secretaria de Saúde, para o fornecimento do genérico ciclosporina, o laboratório Abbott foi impedido de vender o produto. O Conselho Regional de Farmácia entrou com ação judicial contra o Ministério da Saúde, por acreditar que a ciclosporina da Abbott não poderia ter sido registrada como genérico pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A alegação era de que o remédio não tinha a mesma apresentação e forma farmacêutica do medicamento de referência, o sandimunn, fabricado pelo laboratório Novartis. Enquanto esse último tem a apresentação em cápsula mole, o do Abbott é em cápsulas dura, o que colocava sob suspeita a eficiência da absorção da droga.

LICITAÇÃO

Para não deixar os transplantados sem tratamento, a Secretaria de Saúde teve que comprar o medicamento de outro laboratório, até que a comercialização da Abbott fosse liberada.

''Realizamos uma dispensa de licitação para escolher o novo laboratório. É evidente que isso acaba atrasando a entrega do medicamento'', explica o secretário, justificado o primeiro atraso.
Segundo ele, a distribuição da ciclosporina será normalizada a partir deste mês. No último dia 18, o juiz Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ªRegião, suspendeu a liminar que proibia a comercialização do medicamento genérico ciclosporina, fabricado pelo laboratório Abbott. O juiz acatou os argumentos da Anvisa a respeito da segurança, eficácia e qualidade do produto. Testes da agência comprovaram que o produto possui os mesmos efeitos que o de referência, além de ser uma alternativa mais barata para pacientes transplantados.

''A partir de agora, a secretaria voltará a comprar o da Abbott. No entanto, como o medicamento será substituído, teremos de fazer nova dosagem'', alerta Jofran. Segundo ele, a Abbott ofereceu os kits de dosagem (material necessário para adequar as doses do remédio no sangue do paciente, de maneira a evitar a rejeição do órgão transplantado). ''Cada pessoa terá de fazer o teste, assim que receber o novo remédio'', adverte.

Acesso a remédios gratuitos

A Secretaria de Saúde distribui dois tipos de medicamentos: os excepcionais (para tratamento de doenças raras, de custo elevado ou importados) e os essenciais (para diabetes, hipertensão, etc)

Os medicamentos excepcionais são distribuídos na Farmácia Ambulatorial Especializada, no Hospital de Base. Já os essenciais são fornecidos nos centros de saúde
Qualquer morador do DF tem direito a receber remédios gratuitos, independentemente de ter sido ou não atendido pelo sistema público de saúde. Normalmente, é preciso fazer nova consulta na rede pública para abertura de prontuário

Para receber remédios gratuitamente, é preciso estar cadastrado na Diretoria de Procedimentos da Alta-Complexidade - DPAC (Estacionamento do Edifício das Pioneiras Sociais - SMHS Bloco B)

É preciso apresentar: receita médica legível, com identificação completa do usuário, duração do tratamento, denominação genérica do medicamento, apresentação, concentração e modo de usar a droga; relatório médico, preenchido pelo médico responsável pelo tratamento; comprovante de residência no DF (cópia de conta de luz, telefone, água ou título de eleitor); cópia da primeira via da solicitação de medicamentos, preenchida pelo médico responsável
Os remédios são distribuídos mensalmente, em quantidade suficiente para 30 dias. Caso o usuário precise sair do DF, poderá ser fornecida uma quantidade superior, desde que o paciente justifique e comprove a ausência

Campanha dos remédios genéricos começa hoje
Fonte:
O Estado de S.Paulo - 02/10/2001


BRASÍLIA - Começa hoje, em cadeia de rádio e TV, campanha do Ministério da Saúde que vai mostrar como é fácil identificar um medicamento genérico.

Todos os genéricos, fabricados a partir de 5 de outubro, serão obrigados a apresentar, na embalagem, uma tarja amarela com um grande G em azul. A medida quer ajudar a população a reconhecer o genérico e proteger a saúde do consumidor. Ao longo do mês será distribuído farto material explicativo nas farmácias e drogarias. Já os médicos vão receber um guia informativo de bolso com a relação dos genéricos aprovados e com dados técnicos sobre cada um deles.

 
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