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03/12
Hexal mais agressiva no mercado de genéricos
03/12
Usuário do SUS pode ter genérico com baixo custo
03/12
Anvisa é acusada de fraude em registro de ciclosporina genérica





Hexal mais agressiva no mercado de genéricos
Fonte: Gazeta Mercantil - 03/12/2001

Curitiba - A alemã Hexal prepara uma investida mais agressiva no mercado de genéricos, liderado hoje por quatro grupos nacionais. Segundo maior laboratório da Alemanha, com faturamento de US$ 600 milhões, a empresa inicia na próxima quarta-feira a construção da sua fábrica brasileira em Cambé (PR), com investimentos de R$ 108 milhões. O foco é ampliar sua participação no setor, que cresce hoje a taxas de 15% ao mês, de acordo com as estimativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem a participação de 29 laboratórios e já responde por 4% dos US$ 7,5 bilhões faturados pela indústria farmacêutica no país.

O grupo, que desembarcou no Brasil com a compra da Química Intercontinental Farmacêutica (QIF), de São Paulo, em 1999, tem hoje um portfólio de dez genéricos, como o cloridrato de fluoxetina, que substitui o Prozac, e o citrato de tamoxifeno, usado no tratamento de câncer de mama. O volume ainda é pequeno quando comparado com os 400 produtos distribuídos pela marca em todo mundo em 3,5 mil apresentações diferentes. 'Vamos evoluir de acordo com a demanda', diz Telma Salles, gerente de desenvolvimento de mercado da empresa. No ano passado, a empresa investiu R$ 6 milhões para aumentar em 40% sua linha de produtos.

A procura pelos medicamentos genéricos, que custam entre 30% e 40% menos do que os de referência, cresce a cada dia. A Anvisa estima que os genéricos responderão por 17% da produção do setor farmacêutico no próximo ano.

Em 2003, quando entrar em funcionamento, a fábrica da Hexal terá um mercado potencial quase sete vezes maior que o atual, com 30% das vendas do setor farmacêutico.

Porém a disputa também vai aumentar. Além dos 29 laboratórios que hoje fazem genéricos, outros 28 querem entrar nesse setor, segundo a Anvisa. São 426 remédios em 1.326 apresentações diferentes registrados no país. As empresas que predominam no setor - ao todo são 20 nacionais e nove estrangeiras - começam a se armar para a chegada de novos concorrentes.

Dono de uma fatia de 30% no setor de genéricos no Brasil, o EMS-Sigma Pharma já anunciou investimentos de US$ 30 milhões numa nova fábrica na sede em Hortolândia (SP) e outros US$ 20 milhões para construir uma outra em Sergipe, ambas com inauguração prevista para o próximo ano. Hoje comercializa 66 princípios ativos e 125 apresentações e prevê lançar mais 150 genéricos no mercado. Dois deles, o inédito Azitromicina, antibiótico e antibacteriano, e o antiinflamatório e anti-reumático Cetropofeno, chegam ao mercado nesse mês.

O Laboratório Teuto Brasileiro , terceiro maior produtor de genéricos, vai rapidamente multiplicar por três sua produção atual, de 120 milhões de unidades, em três anos. Há pouco mais de uma semana, o grupo inaugurou o seu parque industrial em Anápolis (GO), com investimentos de cerca de US$ 100 milhões. 'O objetivo é conquistar a liderança nacional', diz Jailton Batista, superintendente do laboratório.
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Se o mercado vai crescer, a concorrência vai ainda mais', admite Telma, da Hexal. Apesar disso, a empresa diz que não tem pressa. 'Vamos caminhar num ritmo normal', afirma. A nova unidade, que vai funcionar numa área de 38 metros quadrados, vai triplicar a produção atual, alcançando seis milhões de unidades por mês.

Com o início de funcionamento da fábrica em Cambé (PR), a Hexal vai transferir sua linha de produção de São Paulo para o Paraná. Na capital paulista ficarão apenas escritórios de representação. Presente em 35 países, o laboratório alemão, que produz 14 milhões de unidades por mês, também prevê exportar parte da produção brasileira para o resto da América Latina.

(Cristina Rios)


Usuário do SUS pode ter genérico com baixo custo
Fonte: A Tarde (BA) - 02/12/2001


ELEITOREIRA - Adversários de Serra não têm argumentos para criticar o projeto

Rio e Brasília - O ministro da Saúde, José Serra, disse que o governo está estudando uma forma de garantir a venda nas farmácias de remédios genéricos a preços muito mais baratos que os atuais.

Os beneficiados seriam os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Serra, a idéia é negociar com os fabricantes e criar uma lista de preços máximos dos medicamentos, muito abaixo dos valores do mercado. O ministério organizaria um sistema de reembolso para os pacientes do valor que excedesse esse limite. ''As farmácias receberiam pelo trabalho de vender'', explicou o ministro.

Serra lembrou que o governo já tem um sistema de distribuição de remédios gratuito. Os medicamentos, porém, não são distribuídos nas farmácias, atualmente. A intenção do ministério, segundo Serra, é encontrar ''outra forma de dar acesso ao medicamento mais barato''. Um dos pontos que estão em estudo é onde encontrar recursos para financiar a diminuição dos preços. Também está em estudo no ministério a criação de um plano de saúde voltado para os medicamentos.

Serra reagiu a uma pergunta sobre a hipótese de os fabricantes de genéricos estarem oferecendo apenas os medicamentos mais caros. ''Esse raciocínio é a mais perfeita idiotice e estupidez que eu já ouvi a respeito de medicamentos".

Sinuca de bico

Serra pôs seus críticos numa sinuca de bico ao idealizar a distribuição subsidiada de remédios aos usuários do SUS. Embora todos os políticos apontem uma conotação eleitoreira, ninguém tem coragem de condenar frontalmente uma medida que garanta acesso a medicamentos aos brasileiros de baixa renda.

O líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), admite que, por mais que considerem a proposta eleitoreira, os petistas não têm como lutar contra sua adoção. "Temos que tomar um cuidado enorme.

O PT pode dizer que a medida é eleitoreira, que deveria ser sido feita há quatro anos. Mas teríamos uma dificuldade extrema de ser contra um MP como essa".

O discurso é o mesmo: elogios à proposta, com insinuações sobre a oportunidade da escolha da data para sua implantação. Foi o que o governador do Estado do Rio, Anthony Garotinho (PSB), fez: "É uma boa idéia. Tudo que é bom para o povo não vou ser contra. Só lamento que o ministro José Serra tenha demorado tanto para tomar essa iniciativa".

No PFL, a proposta também foi alvo de críticas. Os pefelistas reclamaram da idéia de se cortar recursos de outras áreas, num ano de Orçamento enxuto, para que um projeto eleitoral de Serra seja contemplado. Embora frisando os obstáculos orçamentários, o presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), deixou evidente que não há como se opor ao programa: "Se há verba no Orçamento ou se o governo vai cortar em outra área, por que vou ficar contra a distribuição de remédio? Só posso aplaudir".
Câmara convoca

Deputados da Comissão de Seguridade Social da Câmara pretendem convocar o ministro da Saúde, para explicar a medida provisória em estudo pelo governo que cria o Programa Nacional Auxílio Medicamento (Pró-Medicamento). Os parlamentares votarão quarta-feira um requerimento de convocação, apresentado pelo deputado Ivan Paixão (PPS-SE).

Os deputados querem que o ministro compareça a uma audiência pública sobre medicamentos na quinta-feira. Mas, mesmo que o requerimento seja aprovado, o ministro não é obrigado a ir.
Ele pode mandar um assessor para representá-lo. A presidente da comissão, Laura Carneiro (PFL-RJ), que integra a base governista, defende a ida do ministro ao Congresso, mas primeiro vai esperar o resultado da reunião com técnicos do governo, na quinta-feira. A deputada disse que desconhecia a medida provisória e quer explicações do governo."Fui pega de surpresa disse".

 

Anvisa é acusada de fraude em registro de ciclosporina genérica
Fonte: O Estado de S.Paulo - 01/12/2001


Denúncia deve ser investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público

DEMÉTRIO WEBER

BRASÍLIA - A polêmica em torno do registro de um remédio genérico, a ciclosporina (medicamento utilizado contra a rejeição em pacientes transplantados) do laboratório Abbott, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ganhou novo capítulo com a divulgação de denúncia sobre suposta fraude no órgão. A acusação é que farmacêuticos da Anvisa agiram de "má-fé", num "trabalho em quadrilha", para registrar o medicamento.

O autor da denúncia é o coordenador do Sistema de Informação sobre Medicamentos do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), professor Antonio Carlos Zanini. "Há diversos fatos e provas que sugerem trabalho em quadrilha", diz carta enviada por ele ao Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, que já pediu investigação à Polícia Federal e ao Ministério Público.

A carta sugere que as irregularidades teriam ocorrido por pressão da gerente-geral de medicamentos genéricos da Anvisa, Vera Valente. Segundo Zanini, a agência teria concedido o registro de forma irregular, já que havia parecer técnico indicando diferenças entre o genérico e o remédio usado como referência.

Vera nega qualquer irregularidade: "Tudo não passa de um conjunto de imbecilidades." O presidente do conselho, Antônio Barbosa da Silva, responsável pela divulgação da denúncia, lembra que o caso faz parte de uma guerra comercial, em que estão envolvidos poderosos interesses econômicos dos laboratórios. Para ele, a comercialização do remédio do Abbott deveria ser suspensa até o esclarecimento do caso.

Em nota oficial, o Abbott esclarece que a produção de sua ciclosporina é centralizada em uma única fábrica. O remédio é distribuído em quase 20 países, incluindo os Estados Unidos. A nota afirma que estudos comprovam que a ciclosporina do Abbott tem o mesmo resultado clínico que o medicamento de referência.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina Neto, divulgou nota ontem negando as irregularidades apontadas por Zanini e divulgadas por Barbosa da Silva. De acordo com Vecina, os documentos "constituem um conjunto de acusações irresponsáveis, levianas e tendenciosas, sem qualquer fundamentação ou prova". Segundo a nota, a atuação do presidente do conselho e do professor da USP atendem a interesses comerciais e não a uma preocupação com saúde pública.

Vecina sustenta que é equivocada a interpretação de Zanini de que a substituição das demais ciclosporinas pela do laboratório Abbott representa risco à vida dos pacientes. "Os estudos de bioequivalência também foram conduzidos com alimentação e provaram que os dois medicamentos podem ser trocados, pois têm os mesmos efeitos, mesmo se ingeridos até uma hora e meia depois das refeições, contrariando o que alega o prof. Zanini", diz a nota.

Vecina nega também qualquer irregularidade no registro do medicamento para fins de participação em licitação realizada pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Segundo ele, a licitação foi vencida pela ciclosporina similar e não genérica, o que demonstraria cabalmente não haver relação entre o registro como genérico e a compra, uma vez que o remédio escolhido foi um similar.

Segundo a nota, anteontem "a 8ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve válida a licitação". "A decisão da Justiça de São Paulo ajuda a comprovar, mais uma vez, que não existe qualquer irregularidade ou problema com relação ao referido medicamento", diz a nota.



 

 
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