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Última cartada A um ano de terminar seu governo, o presidente Fernando Henrique
fará uma última tentativa de aprovar no Congresso
a emenda que possibilita a regulamentação do artigo
192 da Constituição, o que trata do sistema financeiro.
Colocou seus líderes em campo para tentar negociar com os
partidos de oposição, mas não há sinal
de acordo à vista. E na própria base aliada as resistências
persistem. Com a proximidade das eleições presidenciais e a
perspectiva de vitória de um candidato da oposição,
as chances de aprovar tão polêmica emenda são
mínimas. Mas os líderes governistas na Câmara,
onde a emenda tramita, e seu presidente Aécio Neves estão
empenhadíssimos em mais uma ofensiva. Aécio prometeu
colocá-la em pauta antes do recesso. No centro da discussão está o que mais divide governo
e oposição: a independência do Banco Central.
Se aprovada a emenda, de autoria do senador José Serra, o
governo poderá regulamentar o sistema financeiro por várias
leis complementares, em vez de uma só, como é o entendimento
do Supremo Tribunal Federal. Poderá - e esse é o maior
receio do PT - enviar projeto estabelecendo mandatos fixos para
os diretores do BC por períodos que não coincidem
com o mandato de presidente da República. Seria para o PT o que Luiz Inácio Lula da Silva disse certa
vez: "Fernando Henrique quer sair do governo deixando seus
tecnocratas no comando". - Não vamos dar um cheque em branco para Fernando Henrique.
Eles não dizem o que pretendem com a regulamentação.
Essa urgência toda deve ter algum motivo escuso, como promover
a independência do BC. Para Madeira, é um argumento sem sentido, já que
o governo não terá o poder de decretar isso ou aquilo
para o sistema financeiro: Mas o governo tem maioria no Congresso, não é tão
difícil assim, retruca o PT. Será a última cartada de Fernando Henrique para fazer o que o PT chama de blindagem do sistema financeiro para um possível governo de oposição. FH não conseguiu nos sete gloriosos anos de seus mandatos. Poderá conseguir se o PT se transformar em uma real ameaça. Mas só se for na base do terrorismo político.Lula apresentará terça-feira aos petistas no Congresso propostas para as áreas de segurança pública e energia. Os tucanos ficarão de olho, para bater depois. É a nova regra. Rir para não chorar Os pré-candidatos do PSDB José Serra e Tasso Jereissati
não têm notícias de que melhoraram seus índices
nas pesquisas. Mas nos últimos dias demonstraram que têm
certa dose de humor. Surpreendente no caso de Serra. Fez sucesso entre os políticos a sugestão de Serra
para que seu adversário Ciro Gomes compre e use o Lexotan
genérico. Tasso pode não ter agradado a Fernando Henrique
quando disse que ele o complementaria no governo como seu chanceler.
Mas a piadinha também fez sucesso. Pode ser uma tática para desanuviar o pesado clima que ronda
a disputa entre os governistas.
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