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04/11
Panorama Político




Panorama Político
Fonte: O Globo - 04/11/2001

Última cartada

A um ano de terminar seu governo, o presidente Fernando Henrique fará uma última tentativa de aprovar no Congresso a emenda que possibilita a regulamentação do artigo 192 da Constituição, o que trata do sistema financeiro. Colocou seus líderes em campo para tentar negociar com os partidos de oposição, mas não há sinal de acordo à vista. E na própria base aliada as resistências persistem.

Com a proximidade das eleições presidenciais e a perspectiva de vitória de um candidato da oposição, as chances de aprovar tão polêmica emenda são mínimas. Mas os líderes governistas na Câmara, onde a emenda tramita, e seu presidente Aécio Neves estão empenhadíssimos em mais uma ofensiva. Aécio prometeu colocá-la em pauta antes do recesso.

No centro da discussão está o que mais divide governo e oposição: a independência do Banco Central. Se aprovada a emenda, de autoria do senador José Serra, o governo poderá regulamentar o sistema financeiro por várias leis complementares, em vez de uma só, como é o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Poderá - e esse é o maior receio do PT - enviar projeto estabelecendo mandatos fixos para os diretores do BC por períodos que não coincidem com o mandato de presidente da República.

Seria para o PT o que Luiz Inácio Lula da Silva disse certa vez: "Fernando Henrique quer sair do governo deixando seus tecnocratas no comando".
Procurado pelo líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira, para discutir o assunto, o deputado petista Aloizio Mercadante foi taxativo:

- Não vamos dar um cheque em branco para Fernando Henrique. Eles não dizem o que pretendem com a regulamentação. Essa urgência toda deve ter algum motivo escuso, como promover a independência do BC.

Para Madeira, é um argumento sem sentido, já que o governo não terá o poder de decretar isso ou aquilo para o sistema financeiro:
- Qualquer que seja a medida do governo, ela virá por projeto de lei que terá que ser aprovado pela maioria dos votos.

Mas o governo tem maioria no Congresso, não é tão difícil assim, retruca o PT.
- Bobagem. Há mais de um ano tentamos aprovar a lei da previdência complementar dos servidores e não conseguimos os 257 votos - responde Madeira.
- Mas não vamos arriscar - diz Mercadante.

Será a última cartada de Fernando Henrique para fazer o que o PT chama de blindagem do sistema financeiro para um possível governo de oposição. FH não conseguiu nos sete gloriosos anos de seus mandatos. Poderá conseguir se o PT se transformar em uma real ameaça. Mas só se for na base do terrorismo político.Lula apresentará terça-feira aos petistas no Congresso propostas para as áreas de segurança pública e energia. Os tucanos ficarão de olho, para bater depois. É a nova regra.

Rir para não chorar

Os pré-candidatos do PSDB José Serra e Tasso Jereissati não têm notícias de que melhoraram seus índices nas pesquisas. Mas nos últimos dias demonstraram que têm certa dose de humor. Surpreendente no caso de Serra.

Fez sucesso entre os políticos a sugestão de Serra para que seu adversário Ciro Gomes compre e use o Lexotan genérico. Tasso pode não ter agradado a Fernando Henrique quando disse que ele o complementaria no governo como seu chanceler. Mas a piadinha também fez sucesso.

Pode ser uma tática para desanuviar o pesado clima que ronda a disputa entre os governistas.

 

 
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