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Genéricos na Imprensa
Notícias
Opinião
- Painel do Leitor
Fonte:Folha
de S.Paulo - 04/12/2001
Anvisa
"Causou-nos preocupação a afirmativa da sra.
Vera Valente em carta publicada ontem pela Folha em que assume que
há diferença entre a ciclosporina da Abbott e o medicamento
de referência e que essa diferença em nada interfere
na eficiência terapêutica da ciclosporina Abbott. Vale
informar que, de acordo com a lei 9.787/99, para ser considerado
genérico, um medicamento tem de ser cópia fiel do
remédio de marca/referência, não podendo, portanto,
ter nenhuma diferença. No caso citado, os medicamentos são
substancialmente diferentes quanto à forma farmacêutica,
como atesta o parecer do dr. José Gomes de Pinho após
consulta da própria Anvisa. O parecer de José Liporage
Teixeira, especialista da Fiocruz, atesta que a apresentação
em cápsula gelatinosa dura e a apresentação
em cápsula mole são formas farmacêuticas diferentes
e alerta que "mudança da faixa terapêutica na
ciclosporina para este grupo de pacientes poderá ser de grande
risco de vida". Por todos esses alertas sérios é
que o CRF-DF entrou com uma ação na Justiça
visando à suspensão do registro, que foi concedido
de modo irregular. A sra. Vera Valente informa que a eficiência
foi devidamente comprovada pelos ensaios de bioequivalência
realizados dentro dos requisitos da legislação brasileira.
A informação é falsa. O medicamento importado
pelo laboratório Abbott não tem nenhum teste de bioequivalência
feito no Brasil."
Antônio Barbosa da Silva, presidente do Conselho Regional
de Farmácia (Brasília, DF)
Filiação
"Gostaria de esclarecer que jamais fui filiado ao Partido da
Social Democracia Brasileira (PSDB), ao contrário do que
informou o sr. Luiz Felipe Moreira Lima na entrevista "Serra
interfere em atuação de agência, diz diretor"
(Brasil, pág. A4, 27/11)."
Ricardo Oliva, diretor da Anvisa (Brasília, DF)
Receita pernambucana
Fonte:Correio
Braziliense - 04/12/2001
Laboratório estatal que produz medicamentos do coquetel de
combate à Aids inaugura fábrica no Recife e aumentará
a produção em cinco vezes
Daniela Guima
Da equipe do Correio
A política brasileira de incentivo aos medicamentos
genéricos ganhou um aliado no combate aos preços altos.
Um dos mais importantes laboratórios oficiais do país
inaugurou ontem uma fábrica de remédios no Recife.
Trata-se do Laboratório Farmacêutico de Pernambuco
(Lafepe) que, com a nova estrutura, poderá aumentar em cinco
vezes a produção. O número de unidades produzidas
passará de 8 milhões para 40 milhões ao ano.
O Lafepe atende a 18 estados brasileiros e tem como destaque a produção
de nove dos 12 medicamentos que compõem o coquetel de combate
à Aids. ''Foi o nosso trabalho e o de outros laboratórios
oficiais brasileiros que deram retaguarda ao ministro da Saúde,
José Serra, na questão da quebra de patentes'', diz
o secretário de Saúde de Pernambuco, Guilherme Robalinho.
''Produzindo medicamentos de qualidade a baixo custo, o Lafepe força
os outros laboratórios a reduzirem os preços.'' Serra,
o vice-presidente da República, Marco Maciel, e o governador
de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, participaram da solenidade de
inauguração da fábrica.
Até o início de 1999, a saúde financeira do
Lafepe era delicada. A instituição devia R$ 37 milhões
e não contava com subsídios do Ministério da
Saúde. Foram necessários três anos para quitar
débitos e retomar os convênios com o governo federal.
Com as contas equilibradas, o laboratório partiu para a construção
da fábrica. Nesse processo, foram investidos R$ 5,5 milhões.
''O próximo passo é a construção de
uma indústria de comprimidos'', afirma o diretor-presidente
do Lafepe, Tito Lívio. Outros R$ 8,5 milhões serão
investidos na conclusão da fábrica até setembro
de 2002.
O Lafepe existe há 35 anos e emprega 489 funcionários.
Produz 67 tipos de medicamentos de farmácia básica,
nove anti-retrovirais, destinados ao combate ao HIV, três
contra tuberculose e um contra o cólera.
Novartis investe em genéricos
Arlete Salvador
Da equipe do Correio
São Paulo - Mais um gigante do setor
de medicamentos entra na era dos genéricos no Brasil. A Novartis
Biociências, quinta maior fabricante mundial de produtos farmacêuticos
e dona de 6,45% do mercado nacional, criou uma divisão de
genéricos que colocará no mercado 100 remédios
até 2003. A empresa está com pressa. A produção
local dos medicamentos só começa no ano que vem, na
fábrica já montada em Taboão da Serra, em São
Paulo. Mas, até lá, estará no mercado brasileiro
com genéricos importados de sua unidade na Áustria.
''O mercado de genéricos no Brasil está consolidado'',
afirma o diretor da nova divisão da Novartis, Paulo Muradian.
''Reconhecemos que isso aconteceu mais rápido do que imaginávamos.''
Na prática, a empresa corre para recuperar o tempo perdido.
É uma das líderes do mercado mundial de genéricos,
mas demorou a acreditar no potencial do setor no Brasil.
Empresas brasileiras ou concorrentes de porte saíram na frente,
comprometendo as vendas dos dois principais produtos de marca da
Novartis, os antiinflamatórios Cataflan e Voltaren. Atraídos
pelo preço mais baixo, os consumidores trocaram as duas marcas
famosas por genéricos sem grife, mas com o mesmo princípio
ativo. Juntos, os dois remédios respondem por 20% de todo
o faturamento em vendas da divisão de produtos farmacológicos
da Novartis (cerca de R$ 1 bilhão em 2000).
Crescimento rápido
Ao mesmo tempo, a Novartis viu o setor de genéricos no país,
como um todo, explodir. Em apenas três anos de vida, já
responde por 3,5% de todo o faturamento da indústria farmacêutica
(US$ 7,4 bilhões no ano passado) e cresce a uma taxa média
de 12% ao mês, segundo dados da Anvisa, a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.
''Num primeiro momento, só empresas nacionais acreditaram
no negócio de genéricos'', diz Vera Valente, gerente-geral
de medicamentos genéricos da Anvisa. ''A entrada de uma multinacional,
como a Novartis, mostra que essa política veio para ficar''.
Hoje, 29 indústrias produzem os 411 genéricos aprovados
e registrados pelo Ministério da Saúde.
A Novartis pretende investir R$ 52,6 milhões na nova divisão
em três anos. Trata-se de um valor baixo, se comparado ao
tamanho do faturamento da empresa, porque não serão
erguidas novas fábricas. Serão necessárias
apenas adaptações. Os primeiros lançamentos
incluem uma linha de seis antibióticos, um anti-hipertensivo
e um antialérgico. Em quatro anos, a Novartis espera estar
entre as três maiores empresas de genéricos do Brasil
- um mercado, hoje, dominado por companhias de capital nacional.
Lilly compensa perdas do Prozac com Zyprexa
Fonte:
04/12/2001
(Vicente Vilardaga)
São Paulo - A Eli Lilly tinha no
antidepressivo Prozac seu grande negócio até agosto.
Durante algum tempo, o produto virou um símbolo da felicidade
em comprimidos. Mas a patente expirou e, por causa da competição
com os medicamentos genéricos, suas vendas, que garantiam
uma receita mundial de cerca de US$ 3 bilhões, caíram,
repentinamente, tanto nos Estados Unidos como em outras partes do
mundo.
No mercado norte-americano, a queda de vendas foi de 43%. O faturamento
do Prozac no terceiro trimestre ficou em US$ 449 milhões,
US$ 231 milhões a menos do que em 2000. E mesmo no Brasil,
onde o medicamento compete com produtos similares há vários
anos, a Lilly sentiu a pressão dos genéricos, recém-lançados.
A participação do produto no negócio de antidepressivos
diminuiu de 5,46% para 3,84% em doze meses.
Trata-se de uma situação difícil e preocupante
à primeira vista, já que a crise de vendas do Prozac
é irreversível. Mas o problema do laboratório
é apenas momentâneo. Alguns relatórios reservados
da indústria e analistas de bancos consideram as ações
da Eli Lilly um dos melhores investimentos na indústria farmacêutica
a médio e longo prazo. O laboratório corre atrás
de substitutos para manter sua boa posição na área
de neurologia e conta com vários trunfos.
O primeiro deles é o Zyprexa, um antipsicótico da
nova geração cada vez mais receitado no tratamento
da esquizofrenia. As vendas do Zyprexa cresceram 32% neste ano e
alcançaram os US$ 2,18 bilhões até setembro,
compensando, com folga, as primeiras perdas do Prozac.
Além disso, há outros dois antidepressivos na lista
de lançamentos que a Eli Lilly pretende fazer nos próximos
dois ou três anos (um para depressão resistente e outro
para depressão com dor), além do cloridrato de atomoxetina,
droga indicada para o déficit de atenção ou
hiperatividade, em fase de aprovação pela agência
de regulação dos Estados Unidos, a FDA. A atomoxetina
deve chegar ao Brasil até 2004.
'Como todo produto maduro, com longo tempo de mercado, o Prozac
perdeu a patente e também o vigor', afirma Daniela Lins,
diretora adjunta de neurociência da Eli Lilly do Brasil. 'Felizmente,
temos um pipeline muito rico'. O trabalho de pesquisa e desenvolvimento
da Eli Lilly é considerado um dos mais promissores da indústria.
E a área de neurologia não é a única
que chama a atenção. No dia 16 de outubro, a FDA aprovou
um medicamento do laboratório chamado Xigris, para o tratamento
de infecções generalizadas (septicemia), um mal que
mata 215 mil pessoas por ano só nos Estados Unidos. O Xigris
tem grande potencial de faturamento. Estima-se que as vendas da
droga atinjam US$ 2 bilhões por ano.
Um outro produto que deve trazer bons negócios para a Lilly
a partir de setembro de 2002 é o Cialis, concorrente direto
do Viagra, da Pfizer . Nas suas análises internas, a Pfizer
considera o Cialis um competidor respeitável, capaz de encolher,
em poucos meses, a receita média obtida com o Viagra. São
produtos com mecanismos de ação semelhantes.
A Eli Lilly pretende colocar nas ruas cerca de cinco mil propagandistas
nos próximos três anos para divulgar suas novidades.
A saúde financeira de um grande laboratório depende
de sua capacidade para apresentar inovações depois
que seus medicamentos líderes de venda entram em decadência.
O fim da proteção da patente faz parte do destino
de todo produto farmacêutico.
O mercado do Prozac encolhe em um momento favorável para
os antidepressivos. Desde os atentados de setembro em Nova York,
as vendas de medicamentos para a depressão aumentaram nos
Estados Unidos. Muitos consumidores, porém, compraram genéricos,
ou migraram para a Zoloft, antidepressivo da Pfizer que tem ainda
alguns anos de proteção pela frente. No Brasil, o
Prozac rendeu US$ 6,2 milhões em 2000, segundo dados do instituto
IMS. Neste ano, a receita com o produto vai ficar em US$ 3,8 milhões.
O que favorece a Eli Lilly é que a curva de baixa do Prozac
coincide com a alta do Zyprexa. Levantamentos epidemiológicos
são conta que a esquizofrenia atinge 1% da população
mundial. Até pouco tempo, mesmo nos países desenvolvidos,
a maior parte dos doentes era tratada com drogas de primeira geração,
desenvolvidas há 40 anos, que aquietam os esquizofrênicos,
mas pouco contribuem para sua reintegração. O que
o Zyprexa oferece é o aumento das chances de socialização
dos doentes.
O preço do tratamento com o Zyprexa é três vezes
e meia maior do que o pago pelo tratamento com produtos convencionais,
à base de aloperidol, por exemplo. Em países ricos,
a decisão médica de substituir a tradição
pela inovação é mais simples do que em mercados
emergentes. Não por acaso, nos Estados Unidos ou na Europa,
entre 70% e 80% dos pacientes já usam drogas de segunda geração,
o que favorece a expansão do consumo do Zyprexa. No Brasil,
os novos medicamentos para esquizofrenia detêm apenas cerca
de 20% do mercado. Mas isso só torna o negócio mais
atraente.
Segundo Daniela Lins, 1,2 milhão de doentes consomem remédios
para esquizofrenia no Brasil. Cerca de 250 mil têm acesso
a produtos de segunda geração. Esse número
tende naturalmente a crescer, assim como o número de diagnósticos.
Neste ano, o faturamento com da Eli Lilly com o Zyprexa, próximo
de US$ 700 mil por mês, deve crescer perto de 4%. No mundo,
o crescimento será de 10%. As vendas da droga vão
beirar os US$ 3 bilhões.
Droga
para hipertensão é
roubada em São Paulo
Fonte:O
Estado de S.Paulo - 04/12/2001
Desde sexta-feira, estão proibidos o uso
e a comercialização do Atenolol 50 mg do lote 01106187.
Usado no tratamento de hipertensão, o remédio é
fabricado pelos Laboratórios Biosintética Ltda. Uma
quadrilha de ladrões levou 12.150 caixas do medicamento no
momento em que era embalado. A Vigilância Sanitária
alerta que esses produtos podem ser adulterados.
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