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Genéricos na Imprensa
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A Aids no Brasil e na China
Fonte:
Revista Veja - 05/09/2001
"Surgirão estudos
sobre as diferenças históricas, culturais e sociais
que explicam a situação diversa da Aids nos dois países,
mas a praga está sendo mais contida aqui porque somos uma
democracia, e lá há uma ditadura"
Há
trinta anos, os livros de história estavam marcados pelos
postulados cientificistas e racionalistas do começo do século
XX. Epidemias e fanatismos religiosos apareciam como coisas do passado
varridas pelo progresso da ciência, da laicidade e da razão.
Assim, retrospectivamente, o alastramento de novas intolerâncias
religiosas e de vagas epidêmicas em várias partes do
mundo aparece como uma incongruidade histórica. No que concerne
às doenças de massa, os acontecimentos recentes continuam
a surpreender.
Quando a Aids começou a se espalhar, muita gente se assustou,
achando que o Brasil seria maciçamente atingido por essa
nova peste. Veio a Aids com o seu cortejo de mortes e de sofrimentos,
mas o mal não assumiu em nosso país as proporções
catastróficas que adquiriu em nações africanas
e asiáticas. Todo cuidado é pouco, mas a vigilância
da população, dos especialistas e dos serviços
de saúde pública parece ter conseguido limitar o desastre.
Além disso, o Brasil implementou o tratamento dos aidéticos,
desmentindo as correntes conservadoras dos países ricos,
ainda ativas no governo Bush, que defendem métodos unicamente
preventivos fora da Europa e dos Estados Unidos. Para essas correntes,
só as nações ricas poderiam arcar com os custos
do tratamento gratuito dos aidéticos no âmbito da saúde
pública. Quebrando patentes, fabricando genéricos
e obrigando os grandes laboratórios ocidentais a reduzir
os preços dos medicamentos, o Brasil não aceitou as
imposições dos países ricos. O mais recente
embate dessa luta opõe o ministro da Saúde, José
Serra, à Roche, empresa farmacêutica suíca,
em torno da droga Viracept, utilizada nos coquetéis para
controlar a doença nos aidéticos.
Desse modo, o Brasil pôde apresentar nos foros internacionais
resultados de uma política de saúde seriamente efetivada
no país, obtendo apoio de amplos setores da opinião
pública mundial (bem ao contrário do que sucede na
Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, onde a delegação
brasileira propõe agora, em favor dos negros, cotas educacionais
até então inaplicadas e nem sequer sugeridas nas duas
presidências de FHC).
Há um forte contraste entre o combate à Aids no Brasil,
de um lado, e nos países africanos e asiáticos, de
outro. Na África, a doença se apresenta como um dos
maiores dramas que têm afligido esse continente martirizado.
Na Ásia, e em particular na China, a epidemia avança
num ritmo assustador. Organismos da ONU calculam que haja 1 milhão
de chineses infectados com o HIV atualmente e que o número
pode saltar para 20 milhões de casos em 2010. Todos os especialistas
concordam quanto ao fato de que grande parte da responsabilidade
pelo desastre cabe ao governo de Pequim. Num país onde quase
tudo é segredo de Estado, a doença avançou
durante muito tempo sem encontrar barreiras. Principal vetor de
contaminação, a coleta de sangue para fins comerciais
só foi proibida no final de 1998. Na província de
Henan, 74% dos habitantes que vendiam sangue estão infectados,
o que representa uma cifra de 700.000 casos.
O governo chinês, que não hesita em copiar produtos
industriais patenteados, não pensou em fabricar genéricos
para tratamentos de aidéticos nem desenvolveu políticas
preventivas. A primeira conferência de um alto responsável
governamental sobre a situação da Aids na China ocorreu
agora, no final de agosto. Altura em que vários sites de
internet, escapando ao controle chinês, anunciavam o aumento
de 67% nos casos de HIV no primeiro semestre de 2001.
Surgirão, decerto, estudos sobre as diferenças históricas,
culturais e sociais que explicam a situação diversa
da Aids no Brasil e na China. No entanto, será difícil
escapar de uma evidência cristalina: a praga está sendo
mais contida aqui porque o Brasil é uma democracia e a China,
uma ditadura.
Luiz Felipe de Alencastro é historiador e professor titular
da Universidade de Paris - Sorbonne (lfa@workmail.com)
Serra reage a Ciro chamando-o
de desocupado e comparando-o a Collor
Fonte:
O
Globo - 05/09/2001
Ilimar
Franco
BRASÍLIA.
O ministro da Saúde, José Serra (PSDB), chamou ontem
de desocupado o candidato do PPS à Presidência da República,
Ciro Gomes, e o comparou ao ex-presidente Fernando Collor. O ataque
foi uma resposta à acusação de Ciro de que
o ministro estaria usando dinheiro público para promover
sua pré-candidatura à Presidência. Irritado
com o ex-ministro, Serra determinou que sua assessoria distribuísse
nota afirmando que "os números nunca foram o forte de
Ciro".
"O que Ciro Gomes deseja é que eu pare de trabalhar
como ministro da Saúde e fique como ele, há seis anos
e meio sem fazer nada, desocupado, proferindo insultos e promovendo
confusões. Tenho mais o que fazer. Toda vez que Ciro fala,
me lembro de Collor e de um ditado: 'Cabeça vazia é
morada do diabo'", disse Serra na nota.
Serra contesta ainda a afirmação de Ciro de que a
verba publicitária do Ministério da Saúde para
este semestre é de R$ 90 milhões: segundo a nota,
a verba para este ano é de R$ 63,6 milhões, dos quais
R$ 45,5 milhões já foram gastos. A nota diz ainda
que os anúncios pagos com o dinheiro se referem à
prestação de serviços do ministério
e cita como exemplo as campanhas contra a dengue, a febre amarela,
pela detecção precoce da diabetes, de estímulo
ao aleitamento materno, dos genéricos, contra o tabaco e
de vacinação contra a paralisia infantil.
Serra contestou as críticas de Ciro ao presidente Fernando
Henrique e disse que os ataques ao governo federal fazem parte de
uma estratégia de marketing eleitoral do candidato do PPS.
"Ele (Ciro) pretende fazer com Fernando Henrique o que Collor,
candidato, fazia com Sarney. Até nisso Ciro se parece com
Collor", disse o ministro na nota.
Serra não desmentiu ser candidato à Presidência
e afirmou que suas viagens pelo país são necessárias
para o desempenho de suas funções como ministro. Disse
ainda que Ciro nunca trabalhou.
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