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Genéricos na Imprensa
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05/10
Múltis disputam a dor do brasileiro
05/10
Transplantados correm risco com mudança de medicamento





Múltis disputam a dor do brasileiro
Fonte:
Valor Econômico - 05/10/2001




Farmacêuticas Com faturamento crescente, fabricantes de analgésicos
armam suas ações de marketing

Maurício Capela,

A febre e as dores de cabeça dos brasileiros estão na mira das
multinacionais. Quarto maior mercado farmacêutico do país, atrás apenas dos
antibióticos, antiinflamatórios e hormônios, os analgésicos deverão faturar
US$ 261 milhões neste ano - um incremento de 1,9% em relação ao desempenho
do ano passado.

São números que atraem companhias como Roche, Boehringer Ingelheim,
Sanofi-Synthélabo, Aventis, Bayer, Janssen-Cilag e outras. Sem contar os
fabricantes de genéricos, que já abocanham uma fatia do mercado. Davilson de
Almeida, gerente de analgésicos da Aventis, diz que a cópia da Novalgina já
trouxe perdas de R$ 20 milhões ao laboratório, o que significa 40% da
receita.

Mas, a presença dos genéricos não fez com que as multinacionais
abandonassem o mercado. Juntas, Roche, Boehringer Ingelheim,
Sanofi-Synthélabo e Aventis, vão gastar R$ 18,5 milhões até o fim deste ano.
Tudo para convencer o consumidor final e a classe médica a consumir os seus
medicamentos. A Janssen-Cilag não fala sobre o assunto.

Apesar da disposição, a tarefa não é nada fácil. Almeida, da
Aventis, lembra que é muito difícil ocorrer troca de posições entre os
produtos nesse mercado. "É um segmento maduro, o que dificulta o crescimento
da participação desses remédios", completa Marcos Morra, gerente de
analgésicos da Boehringer Ingelheim no país.

Apesar de reconhecer a dificuldade, a alemã Boehringer vai
revitalizar o Anador, um produto presente nas farmácias e drogarias desde
1956. O objetivo é elevar o faturamento - hoje perto de US$ 17,2 milhões,
segundo dados da IMS/PMB - em 2% até o fim de 2002.

Para tanto, a companhia vai desembolsar cerca de R$ 6 milhões (US$
2,5 milhões), que abrigam desde ações de marketing, desenvolvimento de uma
nova embalagem, até os pré-testes de campanha. "O foco é o consumidor final
e não a classe médica, porque o Anador é um produto que não requer receita",
afirma Morra.

Fora da mídia há quatro anos, a modernização do Anador acontece
depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decretou que
a dipirona, o princípio ativo desse remédio, não é nocivo à saúde. Morra
lembra que os planos da Boehringer Ingelheim estavam prontos para entrar em
ação já no primeiro semestre, mas foram colocados na gaveta até o
pronunciamento da Anvisa.

"Não acreditávamos na retirada da dipirona, porque haviam estudos
que comprovavam a sua eficácia e segurança", diz o executivo da Boehringer.
Das 3,2 bilhões de doses vendidas no país por ano, a dipirona detém 1,5
bilhão. O restante divide-se entre o paracetamol (Tylenol) e o ácido
acetilsalicílico (AAS e Aspirina).

A Aventis também não contava com a proibição da comercialização da
dipirona. Tanto que manteve a tradicional verba publicitária, de R$ 1,5
milhão, para divulgar a Novalgina, cujo alvo é a classe médica. "Apesar de
não necessitar de receita, o remédio mantém um estreito contato com os
médicos. Essa proximidade garante a posição de terceiro medicamento mais
prescrito no país", diz Davilson de Almeida.

Sanofi-Synthelabo e Roche também não vão assistir de braços cruzados
os movimentos dos concorrentes. Andréa Bó, diretora da Sanofi no país,
informa que vai investir R$ 8 milhões para divulgar e promover os seus
analgésicos, cujas principais marcas são o AAS e Dôrico.

A farmacêutica também prepara o lançamento de uma nova versão do AAS
no ano que vem, cuja missão é aproximar-se dos médicos e consumidores
finais. Enquanto isso, a empresa já modificou a embalagem desse analgésico,
que agora é vendido em blíster, diferenciando o produto de seus
concorrentes.

A Roche foi a primeira a modernizar o seu remédio neste ano.
Investiu R$ 3 milhões para relançar e divulgar o Saridon. A estratégia deu
resultado. As vendas deverão saltar de uma participação de 0,37%, US$ 947,6
mil, para 0,7%, o que significa cerca de US$ 1,82 milhão.




Transplantados correm risco com mudança de medicamento
Fonte:
A Tarde (BA) - 05/10/2001


Jair Mendonça

A Associação Paulista de Renais Crônicos (Aprec) lançou uma carta aberta aos pacientes transplantados, que está sendo distribuída também em Salvador, na qual faz um alerta sobre os riscos na substituição de marcas de ciclosporina - droga usada contra a rejeição de órgãos. A entidade condena a ciclosporina "modificada, dispersão aquosa, hidrossolúvel Gengraf, da Abbott, que está sendo substituída pelas ciclosporinas "modificada, microemulsão", lipossolúvel, com nome de marca Sandimmun Neoral, da Novartis, e a ciclosporina genérica da Nature's. Segundo a nota, a substituição pode provocar desde reações tóxicas até a perda do transplante.
Segundo o médico e professor da USP Antonio Carlos Zanini, nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration), o rigoroso departamento de controle e fiscalização de medicamentos, e o próprio laboratório da Abbott são cuidadosos em não recomendar a substituição da ciclosporina microemulsão pela ciclosporina aquosa (Gengraf) sem supervisão e responsabilidade médica. No Brasil, diz o documento, o Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), defende a substituição "como se as duas fórmulas fossem idênticas, sem necessidade de controle médico".
Conforme já denunciado, a Aprec revela que "documentos e informações técnicas", divulgados pela própria Anvisa, por intermédio de seu consultor José de Jesus Pinho, mostram que o Gengraf não é intercambiável com as ciclosporinas que vêm sendo distribuídas entre os pacientes transplantados no Brasil. E vai mais além. A entidade sugere que o registro de "medicamento genérico" dado à Abbott "foi feito de modo irregular", advertindo: "É provável que muitos pacientes, inadvertidamente, já tenham começado a usar esse novo produto sem os cuidados indispensáveis".
Sem resposta
Para sustentar a denúncia, a Aprec se apóia em vários estudos médicos que contestam a semelhança entre os medicamentos. Um desses estudos, o seu autor, o imunologista Ricardo Manrique, afirma que, no caso de troca da ciclosporina microemulsão (medicamento de referência e genérico da Nature's) pela ciclosporina dispersão (Gengraf da Abbott), "pode haver necessidade de aumentar a dose em até 42%". Já o professor doutor Antonio Carlos Zanini, estudando documentos divulgados pela Abbott e pelo FDA na Internet, verificou que "a Abbott toma o cuidado de não afirmar em momento algum a intercambialidade irrestrita entre o Gengraf e a ciclosporina microemulsão, tal como foi aprovado no Brasil".
Na carta, o presidente da Aprec, João Carlos Ribeiro Nascimento, lembra que desde 31 de maio a Anvisa se nega a mostrar o processo de registro do Gengraf. Citou que instituições credenciadas pela própria Anvisa, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a seção de nefrologia do hospital do Centro da Aeronáutica do Rio de Janeiro e o Centro Franciscano de Santa Maria da Vitória (RS) deram pareceres afirmando que Gengraf não é equivalente farmacêutico e intercambiável com o Sandimmun Neoral.
Em Salvador, a notícia preocupou vários pacientes transplantados. "O fato de o medicamento ser distribuído gratuitamente não quer dizer que nós, pacientes, tenhamos que usar medicamentos de qualquer jeito ", acentuou o renal crônico Jorge Ramos Brandão. A TARDE tentou ouvir a Abbott, mas o laboratório não deu retorno às ligações realizadas.

 
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