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05/11
Como gastar menos com medicamentos




Como gastar menos com medicamentos
Fonte: Folha de São Paulo - 05/11/2001

Preços de remédios vão aumentar nesta semana; para economizar, a saída é pesquisar os programas de desconto

SILVANA MAUTONE
DA REPORTAGEM LOCAL

Dia 9, entra em vigor o aumento autorizado pelo governo de até 3,58% para os remédios de uso continuado e antibióticos e de 3,72% para os demais. Para quem não pode prescindir dos medicamentos, a saída para aliviar o bolso é ficar atento aos programas de descontos oferecidos por associações, farmácias e convênios.

Não é raro encontrar pessoas que comprometem a maior parte da sua renda com a conta da farmácia. "Isso é particularmente comum entre os aposentados, que, devido à idade, acabam consumindo mais remédios", diz João Inocentino, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas.

A entidade lançou no mês passado um programa para aquisição de medicamentos mais baratos. Pagando uma taxa de R$ 0,50 ao mês, o aposentado tem direito a comprar alguns medicamentos com até 47% de desconto.

Segundo Inocentino, para vários aposentados o programa permitirá uma economia significativa no orçamento familiar. "Qualquer redução de gasto hoje em dia vale a pena", concorda o aposentado José Maria Neto, 54, que recebe seis salários mínimos (R$ 1.080) e tem uma despesa com medicamentos que ele próprio considera baixa -pouco mais de R$ 30 ao mês.

"No caso do medicamento que eu tomo para controlar a pressão, o preço normal é R$ 33,10. Com o desconto, eu passei a pagar R$ 17,60", diz.

O projeto, que conta com a participação de dez laboratórios e de sete redes de farmácias, foi lançado em 10 de setembro na Grande São Paulo. Em outubro, passou a funcionar também nas cidades paulistas de Bauru, Santos e Piracicaba.

Quem não é aposentado também pode procurar outras formas para comprar medicamentos mais baratos. A Abramed (Associação Brasileira de Defesa e Assistência aos Usuários e Consumidores de Medicamentos), por exemplo, oferece preços, em média, 40% inferiores ao da tabela sugerida pelos laboratórios. "Em alguns casos, eles chegam a 70%", diz Marcos Oliveira, diretor-presidente da associação.

A Abramed atua em cinco cidades, entre elas Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Cuiabá e Campo Grande. No Estado de São Paulo, por enquanto, funciona apenas em Jundiaí.
Segundo Oliveira, para manter a entidade, é cobrada de cada associado uma taxa anual de R$ 30. Essa pessoa pode incluir até cinco agregados, pagando mais R$ 2 por ano por dependente.
Quem possui um plano de saúde também deve checar se ele oferece desconto em medicamentos. A Amil, por exemplo, possui uma rede de farmácias próprias, onde os associados têm desconto de 50% em cerca de 200 remédios.

As principais redes de farmácias geralmente têm algum plano de desconto para medicamentos (costumam variar entre 10% e 30%) ou de facilidade para pagamento. A Farmais, por exemplo, lançou em outubro uma parceria com a financeira Fininvest.

Com o cartão da rede, o Farmais Card, o consumidor poderá dividir as compras acima de R$ 30 em até três vezes. Também terá crédito pré-aprovado, que poderá ser sacado em caixas eletrônicos, de no mínimo R$ 100 (o valor depende de análise cadastral). Nesse caso, o juro cobrado, porém, é salgado: 13% ao mês.

Em julho do ano passado, a Drogaria São Paulo estendeu o programa de desconto para aposentados a todo consumidor. Mantém uma lista de cerca de mil produtos, incluindo os genéricos, com descontos entre 20% e 30%.

A Droga Raia também possui um cartão que garante descontos a aposentados (15%) e consumidores em geral (10%) na compra de qualquer medicamento. O cartão permite ainda que o consumidor possa fazer o pagamento com cheque pré-datado para 30 dias.
Segundo o presidente-executivo da Abifarma (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica), Ciro Mortella, a entidade está desenvolvendo juntamente com o governo um estudo para viabilizar a redução de preços dos medicamentos mais consumidos. "A idéia básica é permitir que não haja mais controle de preço por parte do governo. Em contrapartida, reduziríamos o preço dos remédios mais vendidos", diz.

Segundo levantamento da empresa de pesquisas Target Marketing, este ano, o consumo anual per capta de remédios na classe E será de US$ 20,03, enquanto na classe denominada A1, composta pelos mais abastados, esse gasto chegará a US$ 348,72.

 

 
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