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Índia vem para ampliar
negócios
Fonte: Gazeta
Mercantil - 06/09/2001
(Aldo
Renato Soares)
Brasília,
- Na década de 90, a Índia foi um dos poucos países
cujo Produto Interno Bruto (PIB) cresceu mais de 5% ao ano. Da população
de 1 bilhão, estima-se que 350 milhões dos indianos
pertençam à classe média - de maior poder aquisitivo.
O país é um reconhecido e bem considerado produtor
de 'software' e domina também o conhecimento em áreas
de medicamentos genéricos, informática, tecnologia
nuclear e espacial. Nos últimos dois anos, vários
laboratórios indianos se instalaram no Brasil, mas a participação
de empresários brasileiros na Índia é, em contrapartida,
muito tímida. "As empresas brasileiras não participam
das feiras promovidas pela Índia ou realizadas em seu território",
afirma o embaixador no Brasil, Muthal P. M. Menon. Para iniciar
um movimento de reversão destas condições,
entre os dias 26 e 29 deste mês, a Índia promoverá
em São Paulo, o Indian Trade Exhibition. Está prevista
participação de 230 empresas, escolhidas desde o setor
de alimentação, mais tradicional, até o de
tecnologia da informação, mais avançado, passando
por telecomunicações e tecnologia espacial.
Recentemente, o embaixador indiano manteve contatos com fabricantes
brasileiros de ônibus e lhes mostrou as possibilidades que
o produto teria no mercado de seu país. Um dirigente de uma
das empresas contatadas disse que já havia iniciado entendimentos
e mantinha correspondência com possíveis importadores
indianos. O caso mostra um pouco do amadorismo constatado por assessores
do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC) e por diplomatas brasileiros. "Os empresários
brasileiros precisam ir à Índia para apresentar seus
produtos em nossas feiras", afirma o embaixador.
Para ele, o pequeno volume de comércio entre os dois países
deve-se a esse mútuo desconhecimento. Até o início
dos anos 90 praticamente não houve comércio. O fim
do isolamento só começou em 1996, quando o presidente
Fernando Henrique Cardoso esteve no país em visita oficial.
Mais recentemente, a cruzada do ministro da Saúde, José
Serra, contra detentores de patentes dos remédios para o
combate da Aids, acabou "descobrindo" a Índia.
Atualmente, estão instalados no Brasil pelo menos quatro
grandes indústrias farmacêuticas indianos, o maior
deles, Ranbaxy Laboratories Ltd, tem fábrica no Rio de Janeiro.
Há, ainda, o Aurobindo Pharmaceutica do Brasil Ltda, o Core
Healthcare do Brasil Ltd, fabricante de aparelhos médicos,
e o Aurantis - Dr. Reddy's Laboratories. Segundo o embaixador, há
grande interesse da Índia também em formar parcerias
nas áreas de 'software'. "O Brasil é forte em
'hardware' e nós somos fortes em 'software", afirma.
Há interesse em importar carne de frango e carne suína,
e automóveis. A indústria automobilística da
Índia é recente ( começou nos anos 90) e poderia
haver um intercâmbio maior nessa áreas.
No ano passado, o governador de Santa Catarina, Esperidião
Amin, esteve na Índia com uma missão empresarial o
mesmo acontecendo com o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos.
Amin quer atrair empresas de 'software' e fabricantes de medicamentos
para o seu estado.
No ano passado, o comércio bilateral não chegou a
US$ 500 milhões. O Brasil exportou US$ 217,4 milhões
e importou US$ 271,2 milhões. O Brasil vende para a Índia
principalmente minério de ferro, derivados de soja, produtos
de aço e ferro, calçados esportivos, motores e autopeças.
A Embraer tem demonstrado interesse crescente no mercado da Índia.
Este país exporta para o Brasil principalmente produtos farmacêuticos,
produtos plásticos, produtos químicos, produtos de
borracha e máquinas elétricas.
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