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Comitiva brasileira que vai à reunião da OMC no Catar leva 360 compridos para tratamento contra o antraz. A missão do ministro da Saúde é enfrentar a resistência americana e quebrar patentes de remédios em casos de emergência Tina Evaristo e Daniela Guima Bem-humorados e prontos para encarar até trincheiras. É
esse o espírito que tomou conta da comitiva do governo brasileiro,
três dias antes da viagem para a reunião da Organização
Mundial do Comércio (OMC). O encontro ocorre de 9 a 13 deste
mês no Catar, país encravado no Oriente Médio,
terra de incertezas em tempos de combate ao terrorismo. Os executivos
do Ministério da Saúde partem para a missão
munidos de 360 comprimidos de ciprofloxacina, genérico do
Cipro,produzido no Brasil para combater a bactéria do antraz.
As pílulas foram retiradas do estoque oficial do ministério. Para aliviar a tensão de um temido ataque biológico,
os enviados da comitiva oficial fazem brincadeiras. ''A gente fica
falando que está indo para a guerra. Minha mulher até
perguntou se ando no meu juízo perfeito para topar fazer
uma viagem dessas'', diz um dos três funcionários do
ministério que fará assessoria ao ministro José
Serra durante o encontro. Serra é o único que não
brinca com o assunto. ''Ele não é muito dado a essas
coisas não...'', fala outro executivo do ministério. A bagagem da delegação americana é mais reforçada.
Contém máscaras contra gases tóxicos e aparelhos
individuais de rastreamento, que facilitam a busca de vítimas
perdidas em escombros. Às vésperas do encontro, as
informações, mesmo as mais banais, recebem tratamento
de segredos militares. Na semana passada o Itamaraty pediu à
OMC a lista com nomes de jornalistas estrangeiros que cobrirão
o evento. O pedido foi negado por se tratar, segundo a organização,
de informação confidencial. Em Genebra, cidade suíça
onde fica a sede da OMC, cogitou-se na semana passada da possibilidade
de transferir a reunião para Cingapura. A idéia não
vingou. Por motivos de segurança, os participantes foram aconselhados
pela OMC a não divulgar o nome do hotel em que ficarão
hospedados. Para todos os efeitos, as comitivas permanecerão
no Sheraton, local onde será realizada a reunião.
Na prática, a coisa muda de figura. A delegação
brasileira - chefiada pelos ministros das Relações
Exteriores, Celso Lafer, da Agricultura, Marcus Vinícius
Pratini de Moraes, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
Sérgio Amaral, e da Saúde, José Serra - será
dividida entre o Sheraton e o Marriot. Os outros países seguem
o mesmo exemplo. A tática é despistar os terroristas.
Se todos ficassem nos Sheraton, o hotel se tornaria alvo óbvio,
no caso de um ataque. É a primeira vez que um ministro de saúde participa
da reunião da OMC. De cara, Serra enfrentará a resistência
dos americanos. O ministro brasileiro concentra-se na estratégia
destinada a dar o golpe final na política de quebra de patentes
de medicamentos em situações de emergência.
O momento é favorável. A ameaça do antraz forçou
o governo norte-americano a entrar com processo de cópia
do Cipro, fabricado pelo laboratório alemão Bayer.
''Eles sentiram na pele a importância dessa política
quando há emergências'', avalia o diretor da Área
de Programas Estratégicos do Ministério da Saúde,
Platão Fisher. A posição brasileira tem um forte aliado. Na última semana, o jornal The New York Times, um dos mais influentes nos Estados Unidos dedicou um editorial à defesa da redução do preço de medicamentos em circunstâncias especiais. ''Estamos confiantes de que esse encontro será um bom momento para tornar os acordos internacionais que regem as propriedades menos rígidos'', avalia o coordenador do programa de combate à Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira.
O aumento nos preços dos remédios, autorizado pelo
governo para cobrir prejuízos dos laboratórios com
a alta do dólar, começa a vigorar na próxima
sexta-feira, dia 9. Os produtos de uso contínuo e antibióticos subirão
até 3,58%, enquanto o aumento para os demais medicamentos
poderá chegar a 3,72%. Outra alternativa é pedir ao médico que prescreva
genéricos, que possuem os mesmos princípios ativos,
mas podem custar até 40% menos em relação aos
remédios de marca. Os associados do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas contam com um programa que oferece desconto de até 47% em alguns medicamentos. Para se associar, o consumidor deverá pagar uma taxa mensal de R$ 0,50. Mirtes Guimarães Os remédios ficarão mais caros a partir de sexta
feira. Os de uso contínuo e antibióticos terão
reajustes de até 3,58%. Os demais subirão até
3,72%. O aumento foi pedido pela Associação Brasileira
da Indústria Farmacêutica (Abifarma), sob a alegação
de que o dólar disparou, e componentes importantes dos medicamentos
(matéria prima e alumínio) vêm do exterior. Teuto e EMS vão exportar genéricos Dois laboratórios nacionais vão exportar genéricos
a partir de 2002. Teuto e EMS já fecharam contratos com países
da Ásia, África, Leste Europeu e América Latina.
Os laboratórios não dão detalhes, mas, para
conquistar outros mercados, estão ampliando fábricas
e contratando pessoal. A Teuto, inaugura dia 23 o maior complexo
farmacêutico da América Latina, em Anápolis
(GO). Já o laboratório EMS anuncia para o ano que
vem novas fábricas em Sergipe e em São Paulo. As ampliações
das empresas vão gerar 1.300 empregos diretos e 400 indiretos. |
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