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06/11
A turma de Serra vai à guerra
06/11
Remédios mais caros na sexta-feira
06/11
Remédio também mais caro




A turma de Serra vai à guerra
Fonte: Correio Braziliense - 06/11/2001

Comitiva brasileira que vai à reunião da OMC no Catar leva 360 compridos para tratamento contra o antraz. A missão do ministro da Saúde é enfrentar a resistência americana e quebrar patentes de remédios em casos de emergência

Tina Evaristo e Daniela Guima
Da equipe do Correio

Bem-humorados e prontos para encarar até trincheiras. É esse o espírito que tomou conta da comitiva do governo brasileiro, três dias antes da viagem para a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). O encontro ocorre de 9 a 13 deste mês no Catar, país encravado no Oriente Médio, terra de incertezas em tempos de combate ao terrorismo. Os executivos do Ministério da Saúde partem para a missão munidos de 360 comprimidos de ciprofloxacina, genérico do Cipro,produzido no Brasil para combater a bactéria do antraz. As pílulas foram retiradas do estoque oficial do ministério.

Para aliviar a tensão de um temido ataque biológico, os enviados da comitiva oficial fazem brincadeiras. ''A gente fica falando que está indo para a guerra. Minha mulher até perguntou se ando no meu juízo perfeito para topar fazer uma viagem dessas'', diz um dos três funcionários do ministério que fará assessoria ao ministro José Serra durante o encontro. Serra é o único que não brinca com o assunto. ''Ele não é muito dado a essas coisas não...'', fala outro executivo do ministério.

A bagagem da delegação americana é mais reforçada. Contém máscaras contra gases tóxicos e aparelhos individuais de rastreamento, que facilitam a busca de vítimas perdidas em escombros. Às vésperas do encontro, as informações, mesmo as mais banais, recebem tratamento de segredos militares. Na semana passada o Itamaraty pediu à OMC a lista com nomes de jornalistas estrangeiros que cobrirão o evento. O pedido foi negado por se tratar, segundo a organização, de informação confidencial. Em Genebra, cidade suíça onde fica a sede da OMC, cogitou-se na semana passada da possibilidade de transferir a reunião para Cingapura. A idéia não vingou.

Por motivos de segurança, os participantes foram aconselhados pela OMC a não divulgar o nome do hotel em que ficarão hospedados. Para todos os efeitos, as comitivas permanecerão no Sheraton, local onde será realizada a reunião. Na prática, a coisa muda de figura. A delegação brasileira - chefiada pelos ministros das Relações Exteriores, Celso Lafer, da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Sérgio Amaral, e da Saúde, José Serra - será dividida entre o Sheraton e o Marriot. Os outros países seguem o mesmo exemplo. A tática é despistar os terroristas. Se todos ficassem nos Sheraton, o hotel se tornaria alvo óbvio, no caso de um ataque.

É a primeira vez que um ministro de saúde participa da reunião da OMC. De cara, Serra enfrentará a resistência dos americanos. O ministro brasileiro concentra-se na estratégia destinada a dar o golpe final na política de quebra de patentes de medicamentos em situações de emergência. O momento é favorável. A ameaça do antraz forçou o governo norte-americano a entrar com processo de cópia do Cipro, fabricado pelo laboratório alemão Bayer. ''Eles sentiram na pele a importância dessa política quando há emergências'', avalia o diretor da Área de Programas Estratégicos do Ministério da Saúde, Platão Fisher.

A posição brasileira tem um forte aliado. Na última semana, o jornal The New York Times, um dos mais influentes nos Estados Unidos dedicou um editorial à defesa da redução do preço de medicamentos em circunstâncias especiais. ''Estamos confiantes de que esse encontro será um bom momento para tornar os acordos internacionais que regem as propriedades menos rígidos'', avalia o coordenador do programa de combate à Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira.


Remédios mais caros na sexta-feira
Fonte: Jornal de Brasília- 06/11/2001

O aumento nos preços dos remédios, autorizado pelo governo para cobrir prejuízos dos laboratórios com a alta do dólar, começa a vigorar na próxima sexta-feira, dia 9.

Os produtos de uso contínuo e antibióticos subirão até 3,58%, enquanto o aumento para os demais medicamentos poderá chegar a 3,72%.
O consumidor pode tentar reduzir os gastos com medicamentos aproveitando os descontos e promoções oferecidos pelas drogarias. Em alguns casos, o preço cai pela metade.

Outra alternativa é pedir ao médico que prescreva genéricos, que possuem os mesmos princípios ativos, mas podem custar até 40% menos em relação aos remédios de marca.

Os associados do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas contam com um programa que oferece desconto de até 47% em alguns medicamentos. Para se associar, o consumidor deverá pagar uma taxa mensal de R$ 0,50.


Remédio também mais caro
Aumento de até 3,72% entra em vigor na sexta-feira. Em janeiro, haverá novo reajuste
Fonte: DIA (RJ) - 06/11/2001

Mirtes Guimarães

Os remédios ficarão mais caros a partir de sexta feira. Os de uso contínuo e antibióticos terão reajustes de até 3,58%. Os demais subirão até 3,72%. O aumento foi pedido pela Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), sob a alegação de que o dólar disparou, e componentes importantes dos medicamentos (matéria prima e alumínio) vêm do exterior.
A decisão de aumentar o preço dos remédios praticamente acabou com o congelamento no setor, que iria até dezembro. O Ministério da Saúde não aceita essa tese. Argumenta que houve antecipação do percentual que seria concedido em janeiro.
O aumento vai prejudicar os mais pobres, que não têm condições de comprar todos os remédios que os médicos prescrevem. Segundo a empresa de pesquisas Target Marketing, este ano, o consumo por pessoa, na classe E, será de US$ 20,03, (R$ 52,07). Na classe A1 (a dos mais ricos), o gasto chegará a US$ 348,72 (R$ 906,67).
A tendência de redução de preços nos medicamentos que têm concorrência dos genéricos vai aumentar em 2002, com a entrada no País de dois grandes fabricantes: o Hexal, da Alemanha, e o Apotex, maior do ramo no Canadá. O Ministério da Saúde também avalia o pedido de autorização para a instalação de outros laboratórios da Espanha, da Alemanha e do Canadá.
O Hexal vai construir fábrica no interior do Paraná. O Apotex ainda não anunciou onde vai se instalar. O Rambax, que até então só embalava aqui os genéricos trazidos da sede, na Índia, resolveu fazer um parque industrial em Goiás. Outros 21 laboratórios que já atuam no País estão pedindo autorização para fabricar genéricos.
Ainda este ano, o mercado crescerá em número e tipos de medicamentos. Dos 200 novos genéricos que estão sendo analisados pelo Ministério da Saúde, 40 são lançamentos. Entre eles estão os primeiros à base de hormônios sintéticos, para diabetes, osteoporose e tireóide.

Teuto e EMS vão exportar genéricos

Dois laboratórios nacionais vão exportar genéricos a partir de 2002. Teuto e EMS já fecharam contratos com países da Ásia, África, Leste Europeu e América Latina. Os laboratórios não dão detalhes, mas, para conquistar outros mercados, estão ampliando fábricas e contratando pessoal. A Teuto, inaugura dia 23 o maior complexo farmacêutico da América Latina, em Anápolis (GO). Já o laboratório EMS anuncia para o ano que vem novas fábricas em Sergipe e em São Paulo. As ampliações das empresas vão gerar 1.300 empregos diretos e 400 indiretos.

 
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