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Genéricos na Imprensa
Notícias
Trem das Onze
Fonte: Jornal
de Brasília - 07/10/2001
Coluna
Claudio Humberto
O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária,
Gonzalo Vecina Neto, estava - digamos - pra lá de Bagdá,
cantarolando entre garrafas de vinho e tira-gosto de queijo, no
show dos Demônios da Garoa no Clube do Choro, em Brasília,
esta semana. Parecia feliz da vida, certamente pelo êxito
do programa de medicamentos genéricos.
Painel
S.A.
Fonte: Folha
de S. Paulo - 07/10/2001
Disputa
A Audifar, distribuidora de medicamentos, encaminhou queixa à
SDE (Secretária de Direito Econômico), na qual alega
ter sido retaliada, com a rescisão de contrato de venda de
medicamentos, pelo laboratório Bistrol-Myers Squibb.
Alegação
No comunicado entregue à secretaria, a Audifar sustenta que
o cancelamento teria como razão o crescimento da venda de
medicamentos genéricos em relação às
vendas dos medicamentos da linha ética produzida pela Bristol.
Genéricos
com embalagens antigas continuam válidos
Fonte: A Gazeta (ES) - 07/10/2001
A partir de agora as indústrias de medicamentos genéricos
estão proibidas de produzir embalagens antigas - sem a tarja
amarela e a letra G em azul. Porém, os medicamentos que já
estão no varejo, com as embalagens antigas, continuarão
sendo comercializados no até a data do seu vencimento. Portanto,
os consumidores podem continuar comprando os medicamentos genéricos,
mesmo que na embalagem não conste a tarja amarela e a letra
G. Os outros quesitos, como data de vencimento, nome correto do
princípio ativo, dosagem e outros, devem continuar sendo
observados pelo consumidor. As embalagens dos demais genéricos,
fora dessas condições, terão de trazer obrigatoriamente
a identificação da tarja amarela com a letra G em
azul, de hoje em diante. A medida do Ministério da Saúde
pretende facilitar a visualização desse tipo de medicamento
pela população. Os genéricos são medicamentos
com princípios ativos consagrados em remédios de referência,
porém com preços cerca de 40% inferiores.
Desinformação
ainda mantém genérico longe do consumidor
Fonte:
O Liberal (PA) - 07/10/2001
A lei dos genéricos, mesmo com mais de dois anos de implantação,
ainda gera dúvida e polêmica. O governo faz campanhas
e mais campanhas, mas a população continua sem saber
direito o que isso significa. O maior inimigo do consumidor continua
sendo a desinformação. Mas isso pode mudar com a Resolução
nº47, de 18 de março de 2001, que determina a criação
de uma embalagem padrão que diferencia os genéricos
dos demais medicamentos.
A nova determinação estabeleceu um prazo de seis meses
para que a indústria farmacêutica se adapte à
nova exigência: genéricos agora têm que vir com
uma tarja amarela e a letra "G" inscrita na embalagem.
Porém, somente agora no final do prazo é que começaram
a aparecer alguns medicamentos cumprindo a determinação,
tímidos ainda entre os outros de marca nas prateleiras das
farmácias.
Assim, a maior parte da população continua sem saber
porque não encontra os tais medicamentos e, muitas vezes,
acaba pagando bem mais caro do que deveria, uma vez que um remédio
de marca chega a custar o dobro de seu genérico equivalente.
Embora não pareça, a questão não é
tão simples assim. Alguns medicamentos estão protegidos
pela lei de patentes e, teoricamente, só poderão ter
genéricos a partir de 2006, quando começa a expirar
o prazo de exclusividade. Mas como a lei prevê prazos diferentes
para cada tipo de substância, esse tempo pode ser muito mais
extenso.
Existem hoje 381 genéricos registrados na Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas somente pouco
mais de 200 estão disponíveis no mercado. Embora o
Ministério da Saúde tenha previsto finalizar o ano
de 2001 com 300 registros de genéricos ( e, aparentemente,
os números indiquem um avanço), a marca não
é considerada tão satisfatória, principalmente
por existem ainda muitos medicamentos que podem ser apresentados
como genéricos e não o são.
Para o farmacêutico Gilson Bandeira, vários fatores
devem ser levados em conta na hora de procurar saber por que o consumidor
não vem encontrando muitos genéricos nas prateleiras.
"Há a lei de patentes, mas também há uma
questão de mercado. O norte representa apenas 2% do consumo
de medicamentos em geral no País inteiro, e os genéricos
correspondem a apenas 3% do mercado nacional". Ele acredita
que esses índices estejam relacionados à baixa densidade
populacional na região norte.
Em relação à Lei nº 9.279, a lei de patentes
(criada em 1996), Bandeira explica que a própria Anvisa determinou
um prazo de dez a 15 anos para que somente os laboratórios
que investiram nas pesquisas de criação do medicamento
pudessem utilizar o produto e, com isso, garantir o retorno. Como
a lei dos genéricos é de 99, somente os medicamentos
criados até 96 - portanto não incluídos na
lei de patentes - é que podem ter genéricos.
O representante comercial Adilson Andrade afirma que isso não
representa grandes problemas, uma vez que apenas 14% dos medicamentos
existentes no mercado estão protegidos pela lei de patentes.
"86% dos produtos farmacêuticos no mercado podem ter
genéricos. Os primeiros foram feitos com remédios
de uso crônico, como os antihipertensivos, antibióticos,
antiinflamatórios, analgésicos, antifúngicos
e alguns de uso controlado (psicotrópicos)", disse Andrade.
Andrade não acredita que haja boicote de genéricos,
pois garante que a indústria farmacêutica já
está adaptada à nova realidade. "Se houve boicote,
foi no início. Hoje, até multinacionais já
produzem genéricos. É importante dizer que não
há falta de genérico, o que há é que
a procura por genéricos ainda é pequena". Ele
diz que a produção não é suficiente
para suprir a demanda, pois só existem 29 laboratórios
que fabricam genéricos para todo o Brasil. A deficiência
levou até o Ministério da Saúde a importar
genéricos do Canadá e de outros países no ano
passado.
O que são os genéricos?
São medicamentos com as mesmas substâncias que o outro
de referência e que foram submetidos a testes de bioequivalência
e biodisponibilidade. O primeiro testa a concentração
do princípio ativo e sua eficiência nas dosagens correspondentes.
O segundo serve para avaliar o tempo em que a substância age
na corrente sanguínea e no organismo. Os testes servem para
comprovar que o genérico vai agir e ter o mesmo efeito que
o remédio de marca.
Maiores informações e a lista de genéricos
estão acessíveis na internet, nos sites do Ministério
da Saúde e da Anvisa, nos endereços: www.saude.gov.br
e www.anvisa.gov.br
"Empurroterapia" continua, apesar dos avisos e das ameaças
Outro ponto polêmico é a questão dos similares,
também chamados de bonificados, que ficaram famosos pela
prática comum da "empurroterapia". Como alguns
similares garante uma comissão aos vendedores, muitos balconistas
os "empurravam" no lugar dos medicamentos prescritos pelos
médicos para garantir as comissões.
De acordo com a Resolução nº 36, de 15 de março
de 2001, a embalagem de todo medicamento similar deve trazer, obrigatoriamente,
o nome fantasia. Segundo o farmacêutico Gilson Bandeira, essa
é uma maneira de coibir a venda de similar por genérico.
Além de não ter sido submetido aos testes, o similar,
embora mais barato que o remédio de marca, é ainda
de custo mais elevado que o genérico.
Bandeira também faz questão de ressaltar que a substituição
de um medicamento por outro só pode ser feito pelo próprio
farmacêutico, e não por balconistas, como ocorre com
freqüência em muitas farmácias do Brasil. "De
acordo com a Resolução nº10, de 2/01/01, somente
o farmacêutico profissional pode substituir um medicamento
de marca por um genérico. A regra não vale para o
similar".
Segundo Bandeira, o farmacêutico, no momento da substituição,
deve carimbar na receita do cliente o seu nome com a sua inscrição
no Conselho Regional de Farmácia (CRF), datar e assinar.
"É dever da população estar ciente disso
e cobrar que os farmacêuticos e as farmácias cumpram
essa norma, porque só quem sai ganhando é ela própria",
finalizou.
População corre atrás, não acha e acaba
comprando de marca
O aposentado Osmar Marques Cabeça, 62, gasta cerca de R$
500 por mês com medicamentos que compra para a esposa, a irmã
e para seu próprio uso. Como nem sempre encontra genéricos,
é obrigado a levar os remédios de marca, cerca de
50% mais caros. O único genérico que ele sempre encontra
é Carbamazepina, cuja caixa custa, em média, R$ 6.
O remédico de marca Tegretol custa o dobro: R$ 12. "Os
outros eu não sei se têm genérico".
Para Cabeça, a solução não está
somente em colocar genéricos na praça, mas em baixar
o preço dos medicamentos de marca também. "Fica
uma briga terrível entre o comerciante e o consumidor. Um
precisa vender, o outro precisa comprar para manter a sua saúde.
Então, o que tem que mudar é essa política".
Ana Passos, 29, representante comercial, quando eventualmente precisa
comprar um medicamento recorre sempre ao genérico. Para ela,
o principal motivo é a diferença de preço,
mas ela também acredita que a oferta0 de genéricos
é pequena e que deveria ser aumentada para atender às
necessidades da população. "Eu compro o genérico
porque a diferença de preço é muito grande.
Não entendo nada de remédio, mas entendo do meu bolso.
Acho que falta mais informação e que deveria ter genérico
para tudo. O médico deveria orientar mais os pacientes nesse
sentido", disse Ana.
Mas há quem, mesmo sabendo da existência dos genéricos,
não procure se informar a respeito. É o caso do analista
de sistemas Klayton Albuquerque, 22, que nunca perguntou nada nas
farmácias a respeito. "Nunca perguntei, até porque
quando o médico passa um remédio, eu nem pergunto
nada, procuro comprar aquele que ele colocou na receita". Ele
disse não desconfiar da eficiência nem da credibilidade
dos genéricos, mas acredita que a obrigação
é dos vendedores das farmácias oferecerem. "É
engraçado, porque a moça nunca oferece..."
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