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08/06
Bristol fica com remédios da DuPont



Bristol fica com remédios da DuPont
Fonte:
Gazeta Mercantil, Capa/Capital Aberto - 08/06/2001

Vicente Vilardaga

São Paulo A Bristol-Myers Squibb formalizou ontem a compra da divisão farmacêutica da DuPont por US$ 7,8 bilhões. Com a aquisição, a Bristol inclui na sua linha de produção pelo menos seis drogas em fase de pesquisa com grande potencial de negócios.

Um dos principais produtos da DuPont é o Sustiva, informou a Bloomberg News. No Brasil, Sustiva é licenciado para a Merck Sharp & Dohme com o nome de Efavirenz, um dos produtos com patente em vigor que integram o coquetel anti-aids.

Bristol compra divisão farmacêutica da DuPont

São Paulo A Bristol-Myers Squibb formalizou ontem a compra da divisão farmacêutica da DuPont por US$ 7,8 bilhões em dinheiro. Com a aquisição, a Bristol complementa sua linha de medicamentos de combate à Aids e para doenças cardíacas e inclui na sua linha cinco ou seis drogas em fase de pesquisa clínica com grande potencial de negócios nos próximos anos.

Um dos principais produtos da DuPont, com faturamento mundial de US$ 250 milhões, é o Sustiva, informou a Bloomberg News. No Brasil, o Sustiva é licenciado para a Merck Sharp & Dohme e tem o nome de Efavirenz, um dos dois produtos com patente em vigor do bem-sucedido coquetel anti-Aids. O outro remédio com patente é o Melfinavir, da Roche. O governo brasileiro criou uma polêmica mundial a partir da ameaça, sustentada na lei, da quebra da patente das duas drogas por conta dos altos custos do tratamento da Aids. Há alguns anos, a DuPont optou por licenciar todos seus produtos no Brasil.

A Bristol-Myers prevê concluir a compra até o quarto trimestre. O laboratório, um dos cinco maiores dos Estados Unidos, tenta realizar aquisições para compensar os reveses sofridos pelas áreas de desenvolvimento de medicamentos e, também, as vendas perdidas para a concorrência representada pelos medicamentos genéricos, mais baratos que seus produtos de marca.

A empresa deverá tentar reduzir os custos e reconstituir o crescimento das vendas da divisão, além de empregar os medicamentos da DuPont para ajudar a sustentar sua linha de produtos até que seus novos medicamentos cheguem ao mercado. 'Certamente há custos que serão abatidos', disse Tim Ghriskey, administrador sênior de carteira da Dreyfus Corp., que possui ações da Bristol-Myers entre seus ativos. 'O verdadeiro motivo da compra é a linha de medicamentos em desenvolvimento da DuPont'. Entre esses medicamentos há um anti-coagulante para trombose venosa profunda, um ansiolítico e um antidepressivo inovadores, um regulador de estrógeno para tratamento do câncer de mama, um antiinflamatório e uma droga para combater a obesidade e concorrer com o Xenical, da Roche. 'Não temos nenhum medicamento para a obesidade', afirma Antônio Carlos Salles, gerente de assuntos corporativos da Bristol no Brasil. 'As drogas em desenvolvimento pela DuPont tem um grande potencial'.

A DuPont, a segunda maior empresa norte-americana de produtos químicos, informou que vai manter participação no medicamento para controle de pressão arterial Cozaar, desenvolvido em cooperação com a Merck Sharp & Dohme. As vendas anuais do Cozaar no Brasil somam cerca de US$ 10 milhões. O produto de maior faturamento mundial da DuPont é o anticoagulante oral Coumadin, que rendeu US$ 425 milhões para a empresa no ano passado. As vendas da divisão de medicamentos da DuPont caíram 8,6% em 2000, para US$ 1,49 bilhão.

Os analistas tinham previsto que a DuPont obteria de US$ 4 bilhões a US$ 7 bilhões pela divisão. A Bristol-Myers, um dos cinco maiores laboratórios norte-americanos, estava disposta a pagar mais para assegurar seu crescimento. A Bristol faturou US$ 21,8 bilhões no ano passado e tem planos de superar os US$ 30 bilhões até 2005 com novos lançamentos, aquisições e parcerias estratégicas. O anúncio do negócio foi feito depois do fechamento do pregão de ontem nos Estados Unidos. As ações da Bristol-Myers, com sede em Nova York, subiram US$ 0,08, para US$ 56,68. As ações da DuPont tiveram alta de US$ 0,49, passando a ser negociadas a US$ 46,83. A Bristol-Myers enfrenta a concorrência das versões genéricas, de menor custo, do medicamento de combate ao câncer Taxol e do tranqüilizante BuSpar. As versões genéricas do medicamento de tratamento da diabete Glucophage deverão ser lançadas em agosto.

Preocupações ligadas a questões de segurança obrigaram a empresa no ano passado a adiar o lançamento do Vanlev, um medicamento experimental de combate à hipertensão. O laboratório ainda pode entrar com requerimento junto à Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos para liberação do medicamento enquanto aguarda a realização de novos testes. A DuPont decidiu vender sua divisão de medicamentos e concentrar-se nos produtos químicos depois que ficou patente que a empresa não conseguiria expandir seu negócio de medicamentos através de uma 'joint venture'.

 

 
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