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Genéricos na Imprensa
Notícias

 

08/11
Tasso cobra mais caráter do PSDB e do Planalto
08/11
O antraz dos ricos
08/11
Remédio genérico esconde arapucas
08/11
Aumentos chegam a 77% este ano
08/11
Preço de genérico bate remédio de marca




Tasso cobra mais caráter do PSDB e do Planalto
Fonte: O Globo- 08/11/2001

Jorge Bastos Moreno
Enviado especial

FORTALEZA. O governador do Ceará, Tasso Jereissati, cobrou do PSDB e do Palácio do Planalto mais clareza e caráter na definição das regras internas para a escolha do candidato tucano à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. E ironizou as manobras atribuídas ao ministro da Saúde, José Serra, para tentar evitar a aparição dos pré-candidatos tucanos nas inserções da propaganda eleitoral gratuita do PSDB na televisão.

- O ministro José Serra, quando não quer que ninguém vá à televisão apresentar-se como pré-candidato, está sendo absolutamente coerente. O país todo sabe que ele não é candidato, não pensa em ser candidato e não se preocupa com isso, só com o trabalho dele. O ministro não dedica um minuto de seu tempo para tratar dessa questão - disse o governador.
Sempre com ironia, Tasso Jereissati disse que a decisão de Serra fica ainda mais coerente quando todo mundo é testemunha de que ele não gosta de televisão. Só este ano Serra já apareceu em dez cadeias de rádio e TV para divulgar suas ações no ministério. Sem contar as redes estaduais.

- O ministro Serra é avesso à televisão, não gosta de aparecer na televisão. Pelo contrário, ele se revolta se alguém usa os minutos preciosos do telespectador para fazer propaganda ou uso eleitoral de seu cargo - ironizou Tasso.
Para Tasso, o importante é a liberação dos candidatos

O governador do Ceará segue a mesma linha de raciocínio dos tucanos contrários a Serra:
- O importante é que a executiva do PSDB, por ampla maioria, tomou a decisão favorável a que os pré-candidatos tenham a oportunidade de ser apresentarem à opinião pública - afirmou.

E, por isso, pediu:
- Definitivamente, agora, o presidente do PSDB, José Aníbal, e o próprio presidente Fernando Henrique precisam decidir o papel dos candidatos. E até mesmo se teremos apenas um pré-candidato. Tudo isso, nós aceitamos. Somos muito disciplinados. Mas as coisas feitas com jogadas e dissimulações não vão levar a lugar nenhum um partido que já não está tendo um desempenho tão brilhante nas pesquisas eleitorais.

Tasso disse não estar desestimulado pelas pesquisas. Ao contrário, disse que a vontade de seus companheiros e a dele, que se apresentam como pré-candidatos, já é por si só a demonstração de que podem e devem mudar esse quadro:
- Acredito no PSDB. Na força do partido, acima de tudo. Mas essa força só existe quando se faz a coisa limpa. Quando se faz isso com clareza e com caráter.
Governador recebe Ciro, que fez 44 anos anteontem

O governador do Ceará fez esses desabafos ao levar o candidato do PPS, Ciro Gomes, à porta do seu gabinete. Depois de quase quatro meses sem se falarem, Tasso e Ciro tiveram um encontro no fim da manhã de ontem. Acompanhado da namorada, a atriz Patrícia Pillar, Ciro, na verdade, fez uma visita sentimental e já tradicional. Desde que se tornaram amigos, os dois se visitam nos seus aniversários. Anteontem Ciro Gomes completou 44 anos.

Antes de se reunir com Ciro, Tasso Jereissati conversou muito por telefone com os principais governadores e líderes do PSDB. Todos os pré-candidatos - Tasso, Paulo Renato e Dante de Oliveira - se sentiram desconfortáveis com a estratégia de Serra de, pressionado pela executiva, ter optado por uma imagem de cadeira vazia, com a observação de que não estava ali porque estava trabalhando. A atitude de Serra, considerada no mínimo deselegante, irritou seus companheiros.

Se o presidente Fernando Henrique já enfrentava problemas com o PMDB e, agora, com o PFL, por causa do crescimento da candidatura da governadora Roseana Sarney, sua relação com o PSDB agravou-se: apenas quatro dos 15 integrantes da executiva cedem à sua tentativa de impor a candidatura do ministro José Serra.

Cadeira vazia no lugar de Serra

BRASÍLIA. Enquanto o ministro da Saúde, José Serra, viaja ao Qatar, os marqueteiros de sua campanha à Presidência da República prepararam um comercial para ir ao ar no programa eleitoral do PSDB: mostram Serra trabalhando e não pensando em eleição. O comercial, se for veiculado, deverá causar polêmica entre os tucanos.
O filme, preparado pelos publicitários Nelson Biondi e Jader Rosetto, mostra imagens do ministro da Saúde durante campanhas de vacinação e visitas a hospitais.
O texto lido por um locutor diz: "Ele é o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve". E exalta as qualidades de José Serra como economista, ex-ministro do Planejamento e senador mais votado do país.

"Ele é o responsável pelos genéricos, pelas campanhas de vacinação e pelos mutirões de cirurgia", diz o locutor, citando os programas da área de saúde de maior repercussão.
Em seguida aparece em cena uma cadeira vazia. "Mas para fazer tudo isso, ele tem de trabalhar muito. Por isso, Serra não veio gravar o comercial para o PSDB. Porque, para ele, é hora de trabalhar e não de pensar em eleição", afirma o locutor.

José Serra não queria a participação de nenhum dos pré-candidatos do PSDB na propaganda política do partido: além dele, o governador do Ceará, Tasso Jereissati, e o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disputam para ser o candidato tucano à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Serra chegou a fazer algumas gravações no domingo, mas manteve a decisão de não aparecer num programa específico para o horário eleitoral. No entanto, ainda não foi decidido se o programa preparado por sua equipe vai ao ar.

 

O antraz dos ricos
Fonte: Folha de S.Paulo - 08/11/2001

BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS

Os desdobramentos dos ataques de 11 de setembro vão continuar a nos surpreender por muito tempo. Eis uma das surpresas: muitas das políticas internacionais dos países ricos, apesar de justificadas na referência a interesses gerais -"o comércio livre traz prosperidade a todo o mundo"-, resultam apenas do fato de que esses países nunca se imaginaram na posição dos países pobres. A ilustração mais clara disso é o que se passa com a ameaça da propagação do bacilo do antraz nos EUA e no Canadá e as reações desses países ante a empresa (a Bayer) que detém a patente sobre o antibiótico considerado mais eficaz para combater a doença (o Cipro).

Antes da Rodada Uruguai, concluída em 1994, cerca de 50 países -entre eles o Brasil- não concediam proteção a patentes de produtos farmacêuticos. Foi com base nisso que se desenvolveram as indústrias nacionais do setor. Desde então, com o acordo sobre os aspectos comerciais dos direitos de propriedade intelectual (Trips), já no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), as grandes farmacêuticas, que detêm as patentes da esmagadora maioria dos medicamentos, passaram a poder impor internacionalmente as suas patentes por um período mínimo de 20 anos.

Isso significa que, durante esse período, elas teriam o monopólio do mercado e fixariam os preços livremente, sem a concorrência dos produtores dos genéricos. Só em casos de extrema emergência nacional poderiam os Estados passar por cima dos direitos de patente.

Desde 1994, os países pobres e em desenvolvimento têm se insurgido contra esse regime, que os impede de ter acesso a medicamentos baratos para tratar epidemias como as de Aids, tuberculose, malária e diarréias. Com a catástrofe da Aids, a situação tornou-se absurdamente desumana. Há 36 milhões de pessoas infectadas com o HIV, 24 milhões das quais na África, onde diariamente morrem 6.000 pessoas com Aids.

A África do Sul, onde, até 2010, morrerão 7 milhões de pessoas com Aids, teve de lutar nos tribunais para poder importar medicamentos mais baratos. O Quênia -onde a esperança de vida em 1990 era de 59 anos e hoje é de 30-, não podendo produzir localmente anti-retrovirais, terá de importar. No entanto a OMC está-lhe a proibir a importação dos genéricos do Brasil e da Índia.

O pânico do antraz está instalado nos EUA e no Canadá. Nos EUA, morreram quatro pessoas e umas dezenas estão contaminadas; no Canadá, nenhuma. No entanto isso bastou para que esses países ameaçassem produzir o genérico do Cipro e para que a Bayer, que vende cada comprimido a US$ 5 ou a US$ 7 no varejo, aceitasse vendê-los a esses Estados a US$ 0,95, com possibilidade de mais reduções de preço em novas remessas. O contraste entre os países ricos e os países pobres não podia ser mais chocante. A razão é simples.

A questão das patentes na área da saúde será muito polêmica na reunião da OMC; a responsabilidade do Brasil será enorme

A África e a Ásia, com 67% da população mundial, são apenas 8% do mercado global das grandes empresas farmacêuticas. É por isso também que, dos 1.223 novos produtos químicos ativos descobertos entre 1975 e 1996, apenas 11 são destinados à cura de doenças tropicais. E é por isso ainda que uma fatia muito importante da investigação das grandes empresas farmacêuticas se destina à cura das doenças dos ricos, como, por exemplo, colesterol alto, impotência, obesidade e calvície.

O fato de os países ricos se verem agora ante um perigo que os países pobres há muito conhecem como realidade poderia ser um estímulo para que eles, ricos, na próxima reunião da OMC, que começa sexta-feira, no Qatar, tomassem a única decisão justa: a de as patentes se subordinarem ao interesse da saúde pública. Para isso é necessário que países como o Brasil e a Índia continuem a assumir uma posição agressiva no sentido de defender, como defenderam nas negociações preparatórias em Genebra, que nada no acordo Trips possa impedir um país de tomar medidas de proteção da saúde pública.

Essa posição, que além de óbvia é justa, tem sido fortemente combatida pelos EUA. O Brasil tem, nessa matéria, uma responsabilidade especial, não só porque é um produtor de anti-retrovirais, como também por ter um programa de controle do HIV/Aids que é considerado exemplar no mundo.

Pelas notícias disponíveis, a questão das patentes na área da saúde será uma das mais polêmicas na reunião do Qatar, o que significa que o pânico do antraz deu alguma capacidade de manobra aos países em desenvolvimento.

Essa capacidade se assenta em dois argumentos: o pânico do antraz mostrou que a globalização neoliberal é mais flexível do que os seus arautos têm proclamado; se houver "double standards", ficará ainda mais vergonhosamente evidente que a cotação da vida das pessoas depende estritamente do modo como pode afetar a cotação bolsista das empresas farmacêuticas.

Com argumentos como esses, quem tem capacidade para negociar, como o Brasil, não pode abdicar de o fazer.

Boaventura de Souza Santos, 59, sociólogo, é professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

 

Remédio genérico esconde arapucas
Fonte: Jornal de Brasília- 08/11/2001


Farmácias trazem similares que podem custar até 78% menos do que os genéricos já colocados à venda.

Márcia Delgado

Você sabia que tem remédios nas farmácias mais baratos que os genéricos? Um levantamento feito pelo Conselho Regional de Farmácias (CRF/DF) aponta que 39 genéricos, ou quase 10% do total registrado pelo Ministério da Saúde, estão mais caros que outras marcas similares. A diferença de preços chega a 78,37%, como é o caso do antibiótico Ceftriaxona (genérico), do laboratório Rambaxy, que custa R$ 13,61 contra R$ 7,63 do Ceftriax, do laboratório Sigma Pharma.

Um outro exemplo: nas farmácias, o genérico Dipirona está 56,74% mais caro que o similar Dipimax (veja quadro comparativo). O primeiro custa R$ 2,21 e o concorrente está saindo por R$ 1,41. "O genérico tem de ser o medicamento mais barato do mercado, pois recebe incentivos do governo, como propaganda de graça, alíquota zero para importação da matéria-prima e tem descontos no registro dos remédios", assegura o presidente do CRF/DF, Antônio Barbosa.

Ele culpa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela disparidade entre o preço dos 39 genéricos sobre os similares. Diz que a Agência não monitora o preço dos genéricos no ato do registro, conforme determina a lei 9.782/99. "Com isto, os laboratórios utilizam como referência sempre o maior preço do mercado e não têm como base os medicamentos de menor preço.

A assessoria de imprensa da Anvisa rebate as acusações de Barbosa, informando que alguns similares estão mais baratos que os genéricos por conta da concorrência natural do mercado. A Agência informa que não se pode comparar genérico com similar, pois estenão passa pelos testes de bioequivalência (em seres humanos) e de equivalência farmacêutica (feitos em laboratórios) como os genéricos. O parâmetro, segundo a assessoria, para o genérico são os medicamentos de referência, que possuem nome fantasia e são testados.

Mas será que o consumidor sabe disto? Nas farmácias, os similares estão nas prateleiras e mais baratos que os genéricos. "Eles falam que o genérico é mais barato, mas é o mesmo preço. Não há diferença quase e isto eu já comprovei na prática", assegura a auxiliar de escritório Erly da Silva Santos, 22 anos. Os consumidores ainda confundem genérico com remédio de marca.

A diferença está, basicamente, na embalagem, já que os genéricos não levam nome fantasia, mas destacam o princípio ativo do medicamento. Um exemplo é a Dipirona, que é o genérico, e Novalgina, que é o de referência.

O Ministério da Saúde é o maior incentivador do uso dos genéricos, especialmente porque estes medicamentos, que têm qualidade garantida, chegam a custar 40% menos que os de referência. Mas o CRF/DF comprovou que os genéricos estão perdendo para os similares na guerra de preços. "O governo precisa ficar atento a estas diferenças, pois a política de medicamentos genéricos pode ficar comprometida. Achamos, porém, que o genérico continua sendo a melhor opção para o consumidor", ressalta o presidente do CRF/DF.

 

Aumentos chegam a 77% este ano
Fonte:Jornal de Brasília- 08/11/2001


Mesmo deixando de lado os casos extremos, como o da Fluoxetina, reajustes superam a inflação do ano.

Márcia Delgado

O preço dos medicamentos está pesando no bolso do consumidor. Segundo o Conselho Regional de Farmácia (CRF/DF), de janeiro a setembro deste ano, tem remédio que encareceu 77,82%. É o caso do similar Fluoxetina que, no começo do ano, custava R$ 5,14 e passou, em setembro, para R$ 9,14. Quem compra remédio diariamento já percebeu a diferença nos preços.

"Tem diferença até entre as farmácias da mesma rede. Acabei de constatar isto, embora uma estivesse apenas R$ 0,30 mais cara que a outra", diz a oficial de Justiça Maria da Conceição Alves, 37 anos. Ela garante que há abusos por parte dos fabricantes e cobra uma atuação mais incisiva do governo. "O governo tem de fiscalizar."

O militar José de Paiva Maciel, 34 anos, lembra que o consumidor sempre fica em desvantagem. "A gente acaba ficando refém das indústrias farmacêuticas, que têm uma lucratividade grande", ressalta. Atento, ele vem percebendo os aumentos constantes nos preços dos medicamentos.

Para o presidente do CRF/DF, Antônio Barbosa, esses reajustes estão em desacordo com a lei 10.213/2001, que congelou o preço dos remédios de janeiro até 31 de dezembro de 2001. "A própria lei dá brecha para os fabricantes, ao prever aumento em casos extraordinários", lamenta Barbosa. E os reajustes, ainda de acordo com ele, não são verificados apenas sobre os preços dos remédios de marca, mas também sobre os genéricos.

O consumidor se preocupa com a instabilidade de preços. "Cada dia que a gente entra na farmácia é um valor diferente. As pessoas que ganham pouco é que ficam mais prejudicadas, pois remédio é uma coisa que mais dia ou menos dia a gente precisa comprar. Acho que deveria haver um controle maior destes preços para o consumidor ficar mais tranquilo", diz a auxiliar de escritório, Erly Santos.

Caso se considee o período decorrido desde o o início do Plano Real, os remédios encareceram até 300%, segundo levantamento feito pelo Conselho de Farmácia do DF. O CRF defende que a lista mensal do preço dos medicamentos seja publicada no Diário Oficial, para que o próprio consumidor possa ter controle maior dos preços. As farmácias dispõem da lista com o comparativo de preços dos medicamentos de acordo com o fabricante. O consumidor pode solicitá-la ao balconista.

Este sábado, novo reajuste

O consumidor pode se preparar para mais um aumeto de preços dos medicamentos. A partir de sábado, os remédios podem estar mais caros nas prateleiras das farmácias. A correção foi autorizada pelo governo.

Os fabricantes de remédios têm até sexta-feira para protocolarem o reajuste no Ministério da Saúde. A correção, segundo a Anvisa, será de 4% na indústria, mas o preço final dos remédios, ou seja, aquele que o consumidor vai pagar, deve encarecer em torno de 2,97%, segundo informou a Agência.

Todos os seis mil medicamentos do mercado terão correção. O aumento foi autorizado para compensar as perdas que os fabricantes estão tendo com o aumento do dólar, já que compram matéria-prima importada.

O presidente do CRF/DF, Antônio Barbosa, não concorda com o aumento de preços dos medicamentos. "A matéria-prima teve uma queda de preços de 40% durante o Plano Real e isto não foi repassado para o consumidor. Concordo que um ou outro medicamento está com o preço defasado, mas não se justifica um aumento geral de preços dos medicamentos. Cada caso tem de ser analisado", explica.

O reajuste no preço dos medicamentos foi autorizado pelo governo, por meio a Resolução 11, de 2001. A assesoria da Anvisa garante, porém, que este será a última correção do ano. Os consumidores desconfiam, já que vêm constatando aumentos sucessivos este ano.

Preço de genérico bate remédio de marca
Fonte:Diário de Pernambuco (PE) - 08/11/2001


Pesquisa do CRF-DF mostra que há diferença de até 81,39% nos preços dos medicamentos similares

Pesquisa do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF) comprova que os medicamentos genéricos estão mais caros do que os remédios similares em até 81,39%. São 39 produtos genéricos comercializados nas farmácias, que deveriam ser 40% mais baratos do que os produtos de marca. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde que fiscaliza a venda de medicamentos, informa que a pesquisa está distorcida porque os genéricos só podem ser comparados aos produtos de referência ou inovador.

Na avaliação do CRF-DF, a diferença de preços entre os genéricos e os medicamentos similares de marca se deve à falta de fiscalização da Anvisa. De acordo com o presidente do CRF-DF, Antônio Barbosa, a agência não monitora os preços dos genéricos no ato de registro dos produtos, conforme determina a Lei 9.782/99. Segundo ele, com isso, os laboratórios utilizam sempre como referência o maior preço do mercado, ao invés de usar o mais barato, o que resulta numa média mais alta.

Ele cita como exemplo o caso do genérico Ciprofloxacina, do laboratório Rambax, encontrado mais caro no mercado do que o produto de marca Quinoflox do laboratório Biolab. Outro exemplo identificado na pesquisa do CRF-DF é o genérico Ceftriaxonal, do laboratório Rambaxy, mais caro 78,33% do que o Ceftriax, do laboratório Sigma Pharma.

PREÇOS - A diretora de genéricos da Anvisa, Vera Valente, disse que o CRF-DF está comparando "abacaxi com banana". Segundo ela, os genéricos estão mais baratos 40% do que os produtos de referência. Ela pegou o exemplo do Ciprofloxacina (genérico) justificando que só pode ser comparado com o Cipros, que é o produto de referência e tem a mesma eficácia terapêutica. Ela confirmou que existem medicamentos de referência mais baratos do que os genéricos no mercado. Vera atribui a diferença de preços à competição do mercado que beneficia o consumidor. Em sua opinião, a tendência é os genéricos ficarem ainda mais baratos.

Barbosa rebate a diretora da Anvisa. Segundo o presidente do CRF-DF, a pesquisa compara genéricos com medicamentos do receituário médico. Em sua opinião, a Anvisa não pode se comportar como uma Secretaria de Indústria e Comércio porque a sua finalidade é fiscalizar o mercado de medicamentos. Barbosa disse que está fazendo uma crítica construtiva e um alerta à população para que consulte os preços antes de comprar os remédios. Além de pedir ao seu médico que prescreva o produto genérico.

 

 
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