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09/06
Bristol compra a DuPont por US$ 7,8 bilhões
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Genérico
09/06
Vicente Vilardaga e Marili Ribeiro de São Paulo



Bristol compra a DuPont por US$ 7,8 bilhões

Fonte: Correio Braziliense - 09/06/2001

Da Redação
com Agência Reuters

A Bristol-Myers Squibb, indústria farmacêutica norte-americana, anunciou ontem a compra da divisão de remédios da concorrente DuPont por US$ 7,8 bilhões. O negócio aguarda aprovação das autoridades reguladoras do setor farmacêutico nos Estados Unidos e deverá ser concluído, no máximo, até dezembro desse ano. A Bristol-Myers é a 5ªmaior fabricante de remédios do mundo. No ano passado, a empresa vendeu cerca de US$ 13,3 bilhões em medicamentos variados. A DuPont tem laboratórios químicos no Brasil, mas a DuPont brasileira não atua no ramo farmacêutico. O negócio fechado nos Estados Unidos não afetará, portanto, as atividades da empresa no Brasil, onde a principal atividade é a fabricação de fibras sintéticas. A Bristol-Myers obterá a linha de drogas experimentais da DuPont, que inclui remédios para tratamento de Aids, artrite reumática, câncer e obesidade. Quase todos os medicamentos estão em fase de testes em seres humanos. A decisão de comprar a concorrente veio depois que as patentes norte-americanas do Taxol e do BuSpar, remédio para tratamento de ansiedade, expiraram, abrindo caminho para a entrada no mercado de opções mais baratas, como os medicamentos genéricos.

 


Genérico
Fonte:
Valor Econômico - 11/06/2001

A brasileira Biosintética vai lançar o genérico Furosemida, cujo medicamento de referência é o Lasix. Anti-hipertensivo, as vendas do produto somam US$ 7,5 milhões por ano.

 

Vicente Vilardaga e Marili Ribeiro de São Paulo
Fonte: Gazeta Mercantil - 11/06/2001

Os laboratórios farmacêuticos convivem com uma limitação: a proibição legal de fazer publicidade na imprensa não especializada, no rádio e na TV das drogas vendidas sob prescrição médica. Mesmo assim, são verdadeiras máquinas de comunicação e propaganda.
O alvo principal da indústria farmacêutica são os médicos - uma comunidade de 150 mil no Brasil. Mas o grande público também é alcançado por projetos de marketing de relacionamento e por pesquisas quantitativas sobre comportamento e problemas de saúde, bancadas pelos laboratórios e veiculadas pela imprensa.
Quando se fala de obesidade, de hipertensão ou de nível de colesterol, por exemplo, muitos consumidores pensam quase imediatamente em produtos como Xenical, Norvasc ou Zocor. A idéia é investir na divulgação de informações sobre a doença e chamar a atenção para o produto que pode combatê-la. Em vez da publicidade direta, recomenda-se que o consumidor consulte um especialista. 'Não podemos deixar de falar com os médicos, mas é possível chegar mais perto dos pacientes', diz João Luís Castro, diretor de marketing da Bristol-Myers Squibb.
O apelo de consumo de determinadas drogas que mais ganha importância no marketing dos grandes laboratórios é o da melhora da qualidade de vida. Longe da dor e da tristeza, a indústria trata de vincular suas inovações com o prazer e a longevidade.
Os investimentos dos laboratórios no Brasil com a promoção de seus produtos no ano 2000 chegaram a US$ 633 milhões. O Aché foi o laboratório que mais investiu: US$ 79,1 milhões. Pfizer, Aventis e Novartis vieram em seguida, com cerca de US$ 30 milhões cada. A indústria destina entre 10% e 15% do seu faturamento à promoção e à publicidade. É o segundo principal custo dos laboratórios. Só perde para o custo de produção.

Laboratórios fazem a propaganda das doenças

São Paulo A propaganda da indústria farmacêutica entra em uma fase de maior diversificação. Equipes de vendas superespecializadas, abertura de novos canais de comunicação, investimento em marca para se proteger do agora permanente ataque dos genéricos e marketing de relacionamento com doentes crônicos, como os hipertensos ou os diabéticos, tornam as estratégias de comunicação para venda de remédios cada vez mais sofisticadas. Os exércitos de propagandistas tendem a ficar menores e mais eficientes. E as agências de publicidade esperam fechar mais contratos com os laboratórios.
'Não podemos deixar de falar com os médicos, mas é possível chegar mais perto dos pacientes sem publicidade de massas', afirma João Luis Castro, diretor de marketing da Bristol-Myers Squibb. 'Somos especialistas em marketing de relacionamento.'
Nos últimos doze meses, a Bristol diminuiu sua equipe de propagandistas em cerca de 25% e, mesmo assim, manteve suas vendas. O laboratório melhorou a qualidade do seu cadastro médico e passou a investir nos profissionais que geram mais receitas. Detectou, por exemplo, os médicos que apostam em inovações. E também os mais conservadores. Na outra ponta, a participação do investimento em publicidade na receita da Bristol no Brasil subiu de 1% para 4% em quatro anos.
Diante da impossibilidade legal de fazer propaganda de seus produtos de venda sob prescrição médica em meios de comunicação não especializados, os laboratórios produzem pesquisa e conhecimento e chamam a atenção para as doenças e para novas descobertas. Quando se fala, hoje, por conta de um levantamento quantitativo recém-publicado na imprensa, de obesidade, hipertensão, ou nível de colesterol, pensa-se em produtos como Xenical, Norvasc ou Zocor. É uma relação imediata. A qualidade do produto, garantida pelo médico, combina com um eficiente trabalho de marketing. 'O nosso setor é o que mais pesquisa faz', diz João Carlos Ferreira, diretor interino da divisão comercial da Roche. 'Temos, portanto, uma informação de excelente qualidade.'
O médico é o alvo primordial da propaganda farmacêutica. Estima-se que haja cerca de 150 mil médicos no Brasil, boa parte deles devidamente mapeada por especialidade e até por perfil psicológico pelos laboratórios nacionais. Cada um desses profissionais recebe de oito a quinze visitas por ano de cada laboratório que tenha algum produto de sua área de especialidade. São visitas que duram poucos minutos e rendem informações técnicas e amostras grátis. A amostra grátis, com metade da quantidade da embalagem oferecida no varejo, promove o medicamento e estimula uma primeira compra.
Uma visita do propagandista ao médico custa cerca de US$ 30, incluído o material técnico de divulgação, o salário do funcionário e o transporte. O laboratório que mais gastou com promoção no ano passado no Brasil foi o Aché, que possuia 2,1 mil propagandistas e agora tem 1,5 mil. Suas despesas promocionais somaram US$ 79 milhões, cerca de 20% de seu faturamento. A Pfizer, a Aventis e a Novartis vieram em seguida com cerca de US$ 30 milhões em investimentos promocionais cada. Em geral, os contatos dos representantes equivalem à metade destes custos.
Os laboratórios instalados no Brasil faturam mais de US$ 7 bilhões por ano e o marketing e propaganda custam cerca de US$ 1 bilhão. É quase 15% do faturamento. Os gastos da indústria não devem aumentar muito, mas tendem a ser remanejados. A agências de publicidade aguardam uma ampliação na sua fatia. Nos seus esforços de comunicação, agências e laboratórios poderão mostrar para um público maior, por exemplo, que os asmáticos não precisam mais de dois remédios para combater a inflamação e dilatar os brônquios. Basta um. 'São drogas que cuidam dos dois efeitos simultaneamente e são tendência na área médica', explica Eric Corrêa de Oliveira, gerente-geral da área de atendimento a laboratórios da agência OgilvyHealthcare. Embora esteja presente há mais de duas décadas nos Estados Unidos, a área comandada por Oliveira foi criada recentemente no Brasil.
A área comandada por Oliveira é o denominado segmento de 'healthcare', que dá os primeiros passos no País com pelo menos outras duas multinacionais. Além da Ogilvy, entraram em operação a BatesHealthworld, do grupo NewcommBates, e a Torre Lazur McCann Healthcare, da McCann-Erickson, ambas entre as seis maiores agências mundiais especializadas em saúde (veja quadro na página C-1).
A prestação de serviços de comunicação empresarial na área da saúde, até como decorrência direta das restrições ao uso dos tradicionais meios de propaganda de massa determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sempre ficou a cargo de pequenas agências. Há mais de 150 delas focadas no atendimento às necessidades dos cerca de 350 laboratórios atuantes no País na preparação de catálogos e materiais de divulgação, anúncios em meios direcionados como publicações médicas, além de eventos promocionais sobre a chegada de novas drogas ao mercado.
Uma das agências mais conhecidas no meio médico é a Limay, criada por José Carlos Assef, ex-executivo da indústria farmacêutica. Aliás, essa origem costuma ser comum no caso dessas empresas. A C/Latinoamericana, que estreou no mercado em janeiro deste ano, tem entre seus sócios, o médico Luiz Henrique Martins Castro, assim como o ex-profissional de marketing dos laboratórios Novartis e Warner Lamber, Julio Conejero. Outra empresa do gênero, a Corpore Sano percebeu a movimentação que toma conta do setor e, para crescer, resolveu incorporar-se à holding Prax, dona da agência W/Brasil. O inevitável envelhecimento da população, que requer maior investimento em remédios para controle de doenças como por exemplo a propensão para acúmulo de colesterol, é um fenômeno global. Por isso mesmo, tem provocado discussões sobre as restrições de construção de marca no caso da indústria farmacêutica, presente em níveis distintos em todos os mercados mundiais. No Brasil, apenas 8% dos remédios são de venda livre e podem ser anunciados em meios de comunicação de massa. 'Mesmo esses produtos precisam de um aval médico', acredita Olga Mellone, diretor médica do Whitehall. 'A publicidade não é suficiente para sustentar uma relação de confiança com o medicamento.'
José Luiz Tavares, diretor geral da BatesHealthworld, acha que se caminha para uma evolução no setor. 'A Bates estuda reunir grandes laboratórios no investimento em campanhas únicas e informativas sobre novas drogas, como é o caso dos medicamentos para disfunção eréctil', afirma. A Pfizer, dona do Viagra, patrocinou uma pesquisa sobre sexualidade feminina com o claro objetivo de reforçar seu posicionamento de mercado no Brasil.
A questão da fidelização da marca no setor ainda é um trabalho a ser feito, na opinião de Oliveira. 'A chegada dos genéricos fez os laboratórios perceberem a importância de suas marcas', diz ele. 'Os consumidores conhecem os remédios pelo nome, mas poucas pessoas sabem quem é o fabricante'.
No marketing dos laboratórios, um grande apelo é o da melhoria da qualidade de vida. Longe da dor, a grande indústria tenta vincular seus produtos com o prazer e a longevidade e vender soluções para problemas graves. 'O caminho da indústria é a informação segmentada', diz Castro. 'Não adianta falar de diabetes para todo mundo'.

 
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