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Genéricos na Imprensa
Notícias

 

09/11
Governo vai insistir na quebra de patentes
09/11
Abifarma quer reduzir preço de remédio essencial
09/11
Remédios já podem subir até 3,72%, mas farmácias ainda esperam tabelas
09/11
FH diz nos EUA que tríplice fronteira é segura
09/11
Remédios - Sobe preço de remédios
09/11
Preço de genéricos iguais varia até 86%
09/11
Genéricos caros




Governo vai insistir na quebra de patentes
Fonte: Jornal do Brasil- 09/11/2001

RODRIGO ROSA

BRASÍLIA - O Brasil vai defender a quebra do direito de patentes em questões de emergência em saúde pública, mas não quer alterar a lei internacional em vigor, que rege o direito de propriedade intelectual. A proposta do Brasil será aprovar a assinatura de uma declaração diplomática conjunta dos 142 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), que participarão da rodada de negociações da entidade, a partir de hoje, em Doha, Catar.

A declaração conjunta estabelecerá a quebra das patentes, em especial de medicamentos, sempre que um dos países-membros enfrentar situações de calamidade ou emergência com riscos à saúde pública. O ministro da Saúde, José Serra vai ao Catar só para defender essa posição. O Brasil vai encontrar resistência dos Estados Unidos, que são contra a elaboração do documento. Os EUA temem que ele abra precedente legal para a quebra indiscriminada de patentes e os direitos de propriedade intelectual. As regras atuais, o chamado acordo de Trips, não são claras sobre a possibilidade de quebra de patentes em situações emergenciais.
Saúde pública - O Brasil foi o primeiro país a ameaçar quebrar patentes invocando questão de saúde pública. Em agosto deste ano,o ministro José Serra brigou com os fabricantes de medicamentos anti-Aids, Roche e Merck, para que os remédios fossem vendidos com preço mais baixo no Brasil.

Serra chegou a anunciar a quebra das patentes dos remédios. Mas os fabricantes recuaram e prometeram oferecer os produtos 40% mais baratos no mercado brasileiro. Depois, reclamaram à OMC que o acordo feria as regras internacionais de propriedade intelectual. Mas a entidade acabou posicionando-se favoravelmente ao Brasil.
''Acho que temos a opinião pública do nosso lado'', disse o ministro da Saúde, referindo-se aos editoriais da imprensa internacional apoiando a reivindicação brasileira. Ao lado do Brasil, estão França, Bélgica e África do Sul, esta enfrentando epidemia de Aids.

Moeda de troca - A delegação brasileira será chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, da Agricultura, Pratini de Moraes e do Desenvolvimento, Sérgio Amaral e os respectivos técnicos.

O Brasil apresentará outras duas reivindicações na mesa de negociações. Vai brigar pelo direito de adquirir medicamentos considerados ''essenciais'' a preços menores e pela criação de um fundo internacional para financiar a compra de medicamentos anti-Aids para nações extremamente pobres - caso dos países africanos. As duas propostas, no entanto, poderão servir de ''moeda de troca'' para negociações mais importantes para o país.

OMC admite risco de fiasco em reunião

DOHA, CATAR - A disputa sobre as patentes de remédios poderá levar ao fracasso da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), admitiu ontem o diretor-geral da instituição, Mike Moore. ''As questões dos direitos de propriedade intelectual nas relações comerciais e de saúde pública poderiam ser a causa do fracasso dessa conferência'', afirmou.

Espera-se que o encontro consiga lançar as bases para uma nova rodada de negociações que permita uma redução em escala mundial das tarifas alfandegárias. A reunião da OMC, que começa hoje em Doha, Catar, a pouco mais de mil quilômetros do conflito no Afeganistão, acontece sob forte esquema de segurança.

A junção dos direitos de propriedade intelectual com as políticas de relações comerciais foi feita pelo acordo Aspectos Relacionados com o Comércio da Propriedade Intelectual, conhecido pela sigla em inglês, Trips. Fechado em 1994, ele oferece uma proteção de 20 anos às patentes de remédios, o que entra em oposição à fabricação de genéricos, possibilidade reclamada pelos países pobres que se vêem rodeados pela propagação da Aids, da malária ou da tuberculose.

Lobby da indústria - Países como Estados Unidos, Japão e Suíça são contra a revisão do Trips. Todos possuem uma poderosa indústria farmacêutica e consideram que as medidas sobre o tema não devem ameaçar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos. ''Conhecemos as contradições atuais. Queremos que um máximo de investimentos seja destinado à luta contra as epidemias de nosso tempo, como o câncer e a Aids. Mas queremos igualmente que o produto desses investimentos beneficie o máximo possível nossos filhos'', reconheceu Moore.

Mas nem com relação à abertura de uma nova rodada de negociações comerciais está sendo possível chegar a um consenso. Por isso, representantes do Brasil, de outros países latino-americanos e do Caribe e dos Estados Unidos se reuniram ontem para esclarecer e aproximar posições ainda antes do início da conferência. Segundo vários dos presentes à reunião, realizada a portas fechadas, a maioria dos países foi favorável ao início de uma nova rodada de discussões, diferentemente da postura assumida pela Índia e outros países asiáticos e africanos.

A possibilidade de um fracasso da conferência levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) a pedirem um maior empenho no lançamento de uma nova etapa de negociações tendo em vista a ''situação crítica da economia mundial''. ''O apoio a uma continuação na abertura dos mercados mundiais produzirá um empurrão necessário à confiança dos mercados mundiais e às perspectivas globais de crescimento'', afirmaram em um comunicado conjunto o diretor do FMI, Horst Köhler, e o presidente do Bird, James Wolfensohn.

 

Abifarma quer reduzir preço de remédio essencial
Fonte:O Estado S.Paulo - 09/11/2001


Estudo está em andamento e pode vigorar em janeiro para concorrer com genéricos

CLARISSA THOMÉ

RIO - A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) estuda a redução dos preços de remédios essenciais, como hipertensivos, diuréticos e antibióticos, a partir de janeiro. Seria uma contrapartida para o reajuste geral entre 7% e 12% dos preços que ela reivindica por causa do aumento no custo de produção com a alta do dólar. A medida faz parte de uma negociação da entidade com o Ministério da Saúde.

O reajuste a ser concedido em janeiro terá deduzido o aumento médio de 4% já permitido pelo governo, que entra em vigor hoje. De acordo com o presidente da Abifarma, Ciro Mortella, a queda dos preços dos remédios, que fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Especiais, é uma reação da indústria ao avanço dos medicamentos genéricos no mercado e uma resposta política ao congelamento de preços determinado pelo governo.
"Essa redução é para mostrar que as empresas podem administrar seus preços, sem que você tenha que instituir mecanismos especiais para isso", afirmou Mortella, que participou ontem do seminário Genéricos: Mercado, Tecnologia e Perspectivas, na Confederação Nacional de Comércio. "O mercado também faz pressões para baixo, porque a empresa perde espaço ou porque a margem de lucro está alta. A perversão do controle é que não te dá a possibilidade de reduzir o preço, porque você reduz e não vai poder aumentar depois."

Concorrência - Mortella disse que pode haver remédios de referência entre os medicamentos cujos preços podem ser reduzidos. As indústrias podem, ainda, reduzir o valor de uma das apresentações do remédio - reduz o preço da caixa de comprimidos de 500 mg, mas reajusta a embalagem de 250 mg - para que ele possa competir com o genérico. O presidente do Grupo Pró Genérico, entidade que reúne 19 indústrias fabricantes desse tipo de medicamento e organizou o seminário, Carlos Eduardo Sanchez, afirmou que as empresas podem reagir. "A Pró Genérico pode atacar e baixar ainda mais", afirmou.

Hoje os genéricos têm 3,52% do mercado de medicamentos no Brasil. O mais vendido, a amoxicilina, vende quatro vezes mais do que o seu remédio de referência, o Amoxil. A previsão do Ministério da Saúde é de que os genéricos correspondam a 30% das vendas até 2004. Mortella é pessimista.

Segundo ele, este ano a indústria farmacêutica teve queda na produção de 1,5 bilhão de unidades, cerca de 5% do total. "Talvez os genéricos possam chegar a 5% do mercado no ano que vem. Mas não consigo reunir elementos científicos para fazer essa previsão de 30%", disse.

Osteosporose - A gerente-geral de Medicamentos Genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Vera Valente, anunciou ontem que será liberada a produção de genéricos para tratar de doenças na tireóide, osteosporose e diabetes. Esses medicamentos são feitos à base de hormônio sintético. A legislação proibia a fabricação de genéricos a partir de hormônios naturais, porque, na corrente sangüínea, eles se confundem com os hormônios do paciente, impedindo que sua concentração no sangue fosse medida. A nova portaria sai em 15 dias. Já há pedidos de indústrias interessadas para registro do produto no Ministério da Saúde.

 

Remédios já podem subir até 3,72%, mas farmácias ainda esperam tabelas
Fonte: O Globo- 09/11/2001

Ledice Araujo

Após nove meses de congelamento, os remédios sobem hoje entre 2,86% e 3,72% para o consumidor. As farmácias, entretanto, só deverão cobrar os novos preços a partir do dia 14, quando receberão os cadernos da ABCFarma. Os índices são mais baixos que os 4%, em média, concedidos para as indústrias. Mas os fabricantes já pleiteiam nova alta de 7% a 12% para janeiro, quando os preços serão congelados até dezembro.
Abifarma defende fim do controle de preços

Como compensação, e para enfrentar a concorrência dos genéricos, a preços em média 40% mais baratos, os laboratórios planejam baixar os preços de um grupo de remédios de uso contínuo da Relação Nacional de Medicamentos (Rename). O plano de redução foi confirmado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), Ciro Mortella, que voltou a defender o fim do controle para evitar a perpetuação de distorções no mercado.

- Estamos estudando a baixa de medicamentos essenciais, apesar do congelamento. Na lista para este mês já apresentamos reduções; algumas, é claro, por causa da maior competitividade dos genéricos, que tem potencial para crescer no país e até para exportação - admitiu ontem Mortella, após palestra no 2 Seminário sobre Medicamentos Genéricos, promovido pelo Grupo Pró-Genéricos, no Rio.

Mercado de genéricos chegará a 20% em 2002

Atualmente, os genéricos representam 3,5% do mercado de remédios no Brasil. E, pelas previsões da Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), essa participação pode subir para 20% em 2002. Segundo Vera Valente, gerente-geral de Medicamentos Genéricos da Anvisa, esse crescimento pode ocorrer se for mantido o aumento mensal de 12% de produtos no mercado.

Os consumidores já contam com 411 genéricos registrados, que abrangem 1.321 apresentações. A Anvisa analisa 172 pedidos de laboratórios para aprovação de genéricos. O próximo poderá ser para o tratamento de osteoporose.

 

FH diz nos EUA que tríplice fronteira é segura
Fonte:O Globo- 09/11/2001

José Meirelles Passos
Correspondente

WASHINGTON. O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a situação na área da tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), que inclui Foz do Iguaçu, é de muita tranqüilidade. Apesar das suspeitas levantadas pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos, ali - segundo ele - não existiriam células ou bases de grupos terroristas do Oriente Médio.

Ele afirmou que, embora o terrorismo seja hoje uma realidade mais aguda, é preciso evitar a preocupação excessiva:
- Não existe essa inquietação de nossa parte. Só existem referências vagas na imprensa sobre a possibilidade de haver terroristas na área. Eu até diria que a fronteira tríplice deve ser mais segura que Londres ou qualquer outra importante capital da Europa. Há muito mais riscos nessas regiões - disse.
General Cardoso diz que não viajou para dar explicações

O terrorismo foi um dos temas da conversa, ontem de manhã, na Casa Branca, com o presidente George W. Bush. Ele disse que o americano foi "bastante franco e convincente em mostrar os riscos que existem nesse momento", mas não chegou a perguntar especificamente sobre a tríplice fronteira.

- Nunca recebemos nenhuma queixa sobre Foz do Iguaçu, sobre o fato de poder haver terroristas lá ou de não termos condições de lidar com o problema. É claro que estamos de olho nessa questão. Mas não existe um fato novo que nos leve a um certo nervosismo. Tomara que não venha a ocorrer. Se ocorrer, agiremos duramente - garantiu.

Enquanto Fernando Henrique conversava com Bush, o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Nacional da Presidência da República, reunia-se com representantes da comunidade de inteligência dos EUA. Ele teve dois encontros específicos nessa área, mas evitou identificar seus interlocutores.

Cardoso frisou que não tinha viajado "para dar explicações", e sim para fazer um balanço da situação - reiterando que não foi encontrado nenhum indício da existência de uma base ou de células terroristas na tríplice fronteira:
- A probabilidade de haver bases ou células é baixíssima. Há um nível maior de probabilidade de que o dinheiro remetido para o exterior financie atividades ilegais, como o terrorismo - disse o general.

Segundo ele, a região é um antro de contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Mas não de terrorismo:
- Há uma comunidade de origem árabe ordeira, que nos ajuda a construir o Brasil. Existem remessas de dinheiro para as famílias, nos países de origem. Temos controle sobre essas remessas. Nosso sistema contra a lavagem de dinheiro é bom. O que não sabemos é o destino dado a esse dinheiro. Para isso é preciso maior cooperação internacional - disse Cardoso.

No encontro com Bush, Fernando Henrique disse que o Brasil e outros países poderiam apoiar os EUA mais efetivamente se lhes dessem uma oportunidade de participar mais do diálogo global:
- Eu lhe disse que os países se sentem mais dispostos a atuar ativamente na medida em que participem das decisões - declarou.

O presidente voltou a pregar o multilateralismo, dizendo a Bush que é preciso fortalecer a ONU, e dar mais voz aos países em desenvolvimento:
- Eu mencionei a importância para nós, brasileiros, de que haja uma participação maior nossa inclusive nos organismos formais, como o Conselho de Segurança da ONU, e também nos informais.

O presidente também mencionou a necessidade de se entender que o mundo pós-Guerra Fria é outro:
- Vivemos numa outra época, e nela temos de ter uma visão muito mais aberta, esquecendo o passado que já morreu, pois hoje os desafios são de outra natureza.

Presidente responde à CNN e pede provas

A suposta atuação de terroristas na região da tríplice fronteira também mobilizou a entrevista do presidente Fernando Henrique Cardoso concedida ontem à rede de notícias americana CNN. O site da rede publicava ontem reportagem em que classificava a área como uma das áreas mais vulneráveis do mundo. Fernando Henrique voltou a afirmar que não existem provas concretas de grupos terroristas na região, e que "muito barulho" está sendo feito sobre as denúncias. Fontes ligadas à inteligência argentina informaram à CNN que o local está sendo usado para apoio e financiamento de terroristas.

- Eu ficaria encantado se vocês pudessem me enviar esses documentos - respondeu Fernando Henrique. - Eu insisto: não tenho provas da atuação de terroristas.
Diante da alegação de que terroristas estariam usando mesquitas como apoio, o presidente afirmou:

- Existem mesquitas no Brasil como existem nos EUA. Esta é uma guerra contra o terrorismo, não contra o Islã.

Outro tema em pauta foi a produção de medicamentos genéricos. Fernando Henrique destacou que o Brasil está produzindo genéricos, mas não o faz de modo compulsório.
- Estamos discutindo, fazendo acordos com as indústrias farmacêuticas. Cada Estado tem o direito de proteger a saúde de sua população - observou ele.

Remédios - Sobe preço de remédios
Fonte:Gazeta Mercantil- 09/11/2001

Após nove meses de congelamento, os remédios sobem hoje entre 2,86% e 3,72% para o consumidor. As farmácias, entretanto, só deverão cobrar os novos preços a partir do dia 14, quando receberão os cadernos da ABCFarma. Os índices são mais baixos que os 4%, em média, concedidos para as indústrias. Mas os preços serão congelados até dezembro. Como compensação, e para enfrentar a concorrência dos genéricos a preços, em média 40% mais baratos, os laboratórios planejam baixar os preços de um grupo de remédios de uso contínuo da Relação Nacional de Medicamentos (Rename).

Preço de genéricos iguais varia até 86%
Fonte:Jornal de Brasília- 09/11/2001


De um laboratório para outro, custos do mesmo produto trazem diferenças que exigem atenção dos consumidores.

Márcia Delgado

O consumidor deve abrir o olho. Nas farmácias, os genéricos têm uma diferença de preços de até 86,4%. Quem procura o genérico Amoxicilina (250 mg), um antibiótico, pode encontrar três valores diferentes: o medicamento fabricado pelo laboratório EMS custa R$ 13,57, o da Medley está saindo por R$ 12,83 e o da Eurofarma está mais barato ainda, R$ 7,28. Portanto, cuidado para não levar o mais caro.

Se deixar por conta do balconista, ele pode empurrar o que tem o preço mais salgado, pois terá uma comissão maior. "Isto ocorre", admite um funcionário de uma farmácia em Taguatinga, que não quis se identificar. Veja outra disparidade de preços de genéricos: o Nistatina (50 ml), do laboratório Neo Química, sai por R$ 9,43, 69,9% mais caro que o do fabricante EMS, que está saindo por R$ 5,55 (confira quadro abaixo).

"Isto ocorre por falta de monitoramento do governo, que deixa os fabricantes seguirem as regras de mercado", critica Antônio Barbosa, presidente do Conselho Regional de Farmácias (CRF/DF). Ele diz que poucas farmácias exibem a lista de medicamentos genéricos, para que o consumidor possa comparar.

A dona de casa Maria da Glória Magalhães, 36 anos, e a amiga Miriam Soares não tinham percebido a diferença de preços dos genéricos. "Sei que são mais baratos", ressalta Glória. Miriam, que sofre de artrite e reumatóide juvenil, doenças que a puseram numa cadeira de rodas, lamenta o fato de usar medicamentos que não têm genérico. "Se tivesse, economizaria um pouco", diz.

Comissão ajuda empurroterapia

Antônio Barbosa diz que, em geral, as farmácias escolhem vender o genérico mais caro, para "ganhar mais", a chamada empurroterapia. Adelmir Santana, presidente do Sindicato das Farmácias do DF, nega. "O que distingue o genérico é o preço, pois este medicamento não possui marca (destaca o princípio ativo na embalagem", mostra. Ele condena a disparidade de preços dos genéricos e acha que cabe ao Estado verificar os motivos.

Os laboratórios fabricantes de genéricos, segundo Barbosa, recebem incentivos diversos, como descontos no registro, alíquota zero para importação de matéria-prima, entre outros. Mesmo assim, existem no mercado 39 similares mais baratos que genéricos, segundo pesquisa do CRF/DF. O similar, segundo balconistas de farmácias, são mais "lucrativos" para eles, pois rendem uma comissão maior.

Na dúvida, orienta Barbosa, o consumidor deve pedir auxílio ao farmacêutico. Ainda hoje, garantem os balconistas, alguns consumidores se sentem inseguros em relação ao genérico. Chegam a pensar que o remédio não faz efeito, o que não corresponde a verdade, segundo os especialistas. O genérico é cópia fiel do remédio de referência e sua eficiência é testada. O consumidor deve se preocupar com os preços.

Genéricos caros
Fonte:Jornal de Brasília- 09/11/2001

Os medicamentos genéricos surgiram para diminuir o preço dos chamados remédios de marca ou similares. Ao utilizar o princípio ativo do medicamento, sem preocupações mercadológicas, os produtores dos genéricos teriam condições de baixar e muito o preço dos medicamentos.

Mas não é bem assim. Trinta e nove desses medicamentos genéricos, 10% do total encontrado no mercado, já custam mais do que remédios similares. É uma denúncia, no mínimo, grave, ainda não levada em consideração pelo Ministério da Saúde.

Quem precisa tomar remédio no Brasil sempre foi vítima de poderosos interesses. Há laboratórios que cobram mais caro por determinados medicamentos simplesmente porque sabem que há pessoas que são obrigadas a pagar qualquer preço por eles. Uma atitude desumana, sim, mas comum no mercado.

Os genéricos, entre outras coisas, surgiram para acabar com essa farra macabra. Pelo visto, não vai ser desta vez. Mas, antes de qualquer coisa, é preciso que o Ministério explique como um genérico pode custar mais do que um medicamento similar.



 
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