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09/12
Estatal que deu certo




Estatal que deu certo
Fonte: Jornal do Commercio (PE) - 09/12/2001

Ao inaugurar oficialmente sua nova fábrica de medicamentos líquidos, no início deste mês, o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco deu um passo importante para consolidar sua posição de segundo maior produtor oficial de medicamentos do País. Vem logo depois da Fundação do Remédio Popular, de São Paulo. Convivendo com o processo de privatização das estatais, comandado pelo Governo FHC, o Lafepe contraria, segundo o depoimento do ministro da Saúde, presente à ampliação, a opinião radical de que o Estado é necessariamente incapaz de bem administrar qualquer atividade econômica.

Atuando na área de saúde, que é estratégica para o bem-estar da população e para o próprio crescimento autônomo do País, o Lafepe precisou vencer muitas resistências e incompreensões. No ano de 1998, na terceira administração Arraes, com o mesmo ministro José Serra no cargo, a pasta da Saúde chegou a suspender uma grande quantidade de convênios com o laboratório pernambucano, tendo este enfrentado naquele ano um déficit de R$ 37 milhões. Pensou-se até em fechá-lo, mas o governador Jarbas Vasconcelos enfrentou o desafio, e logo no primeiro ano de sua administração reduziu drasticamente a dívida encontrada ao assumir. No final do ano seguinte, o Lafepe contabilizou lucro de R$ 4,3 milhões. De lá para hoje, aquela estatal pernambucana só fez crescer.

Os produtos oriundos do laboratório instalado no bairro recifense de Dois Irmãos estão presentes hoje em 18 Estados da Federação, atingindo 419 municípios brasileiros. É um exemplo de sucesso numa área - a de saúde - em que o Brasil vem se destacando ultimamente no cenário internacional pela firmeza de sua política pela quebra de patentes para garantir a cura de doenças degenerativas como a Aids.

Numa outra área, a editorial, a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) vem também se destacando pela manutenção da alta qualidade de suas publicações - livros, um Suplemento ilustrado do Diário Oficial e uma revista - Continente Multicultural -, que este mês completa um ano, já um êxito para publicações do gênero. É outra estatal que vem dando certo.
O papel desempenhado pelo Lafepe, na atual circunstância brasileira, como o da Fundação do Remédio Popular de São Paulo, é o de "regulador do mercado farmacêutico", segundo declarações oficiais. Em nosso caso, com maior influência nas praças do Norte e do Nordeste. É que a diferença de preços dos seus medicamentos, em relação aos produtos rotulados pelas multinacionais, é em média 50%, chegando em alguns casos a até 80% menos do que os valores cobrados nas farmácias e fornecedores diretos aos hospitais. E isso tem ajudado o País a vencer a batalha pela popularização dos chamados "genéricos".

Quando de sua mais recente visita a este Estado, para inaugurar a fábrica de medicamentos líquidos, o ministro José Serra revelou que a expectativa de seu Ministério é de que os genéricos irão movimentar 50% do setor no País. Desde a implantação deles, em 2.000, já se registrou uma expansão de 30%. O assunto, porém, fez lembrar também uma triste realidade: os genéricos chegaram ao Brasil cinqüenta anos depois dos Estados Unidos, e quarenta depois da Europa.

A partir do próximo ano, o Lafepe deverá desenvolver sua própria política de genéricos, tornando-se mais um instrumento de pressão visando à universalização daquele tipo de medicamento em nosso País. Mas, algo o laboratório pernambucano já vem fazendo com sucesso, que é a venda de 40 genéricos fabricados por outros laboratórios, que são repassados à população com preços bem menores do que os de nomes famosos. E, agora, está lançando no mercado seus primeiros quatro anti-retrovirais, enquanto vão sendo protocolados quinze outros medicamentos genéricos.


 
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