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10/08
Serra vai levar a Catar proposta de remédios baratos
10/08
Serra vai insistir na quebra de patentes





Serra vai levar a Catar proposta de remédios baratos
Fonte: O Estado de S.Paulo - 10/08/2001

MURILO FIUZA DE MELO

RIO - O ministro da Saúde, José Serra, disse ontem que o Brasil apresentará, na próxima rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC), em novembro, no Catar, documento sugerindo a criação de um sistema diferenciado de preços de medicamentos para países em desenvolvimento.
Segundo o ministro, a proposta é permitir que os governos de países pobres possam ter acesso a remédios mais baratos para campanhas de saúde pública, como os usados no combate à aids. O documento já teria o apoio de muitos países.

"Os preços diferenciados são perfeitamente sustentáveis, porque os países em desenvolvimento representam uma parte muito pequena do mercado mundial. Em geral, somos colocados como se fôssemos uma ameaça a tudo, mas, na realidade, ameaçamos muito pouco", afirmou Serra, durante palestra no Seminário Internacional de Direito de Propriedade Intelectual, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O ministro acredita que o risco de triangulação comercial (revenda para outros países) é "muito pequeno por causa da complexidade da questão". "O Brasil não vai comprar medicamentos a preços mais baratos para revendê-los a países mais desenvolvidos, sem topar, por exemplo, com as vigilâncias sanitárias desses países, que são extremamente rigorosas", afirmou.

O sistema diferenciado de preços poderá provocar nova polêmica entre Brasil e Estados Unidos na próxima reunião da Organização Mundial do Comércio. No fim de junho, os dois países chegaram a um acordo, com o Brasil se comprometendo a avisar previamente os Estados Unidos sobre a concessão de licença compulsória.
Aumento - Serra considerou injustificada a reivindicação da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) de um aumento médio de 8% no preço dos remédios a partir deste mês. Lembrou que o governo reduziu o imposto de importação em troca do cumprimento de tabela até dezembro.




Serra vai insistir na quebra de patentes
Fonte: Gazeta Mercantil - 10/08/2001

Juliana Radler do Rio

O ministro da Saúde, José Serra, continuará defendendo internacionalmente a posição do Brasil em relação a manutenção da quebra de patentes de medicamentos considerados essenciais à saúde pública. 'O governo tem que exercer o seu poder de pressão na questão das patentes. Defendemos o interesse da coletividade, já que queremos preços mais justos para um país em desenvolvimento', disse o ministro, que participou, ontem, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), de um seminário internacional sobre propriedade intelectual.

Após o Brasil vencer, em junho deste ano, o painel aberto pelos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), que combatia a Lei de Patentes brasileira, Serra voltou a dizer que o País vai reivindicar mais flexibilidade nas regras do Acordo sobre Propriedade Intelectual relacionada ao comércio (Trips). 'Vamos apresentar no encontro da OMC, no Catar (Golfo Pérsico), propostas para flexibilização da Trips', afirmou. O encontro, que terá a presença de 141 ministros dos países membros da OMC, será em novembro.

A flexibilização das regras da Trips, defendida pelo governo brasileiro, prevê que o acordo internacional não interfira na saúde pública, nem limite o poder dos governos de quebrar uma patente, ou impeça a importação de medicamentos caso seja necessário. Para Serra, a posição brasileira em nada fere o direito à propriedade intelectual, somente garante a manutenção de programas de saúde pública, como a distribuição gratuita do coquetel contra aids, programa elogiado pela Organização das Nações Unidas.

O Brasil, maior mercado para a indústria farmacêutica na América Latina e entre os dez maiores do mundo, tem, hoje, cerca de 70 multinacionais do setor instaladas no País disputando uma fatia deste mercado. A suíça Novartis, por exemplo, cita o ministro, vem aplicando valores internacionais considerados altos para os padrões brasileiros no caso de um medicamento importante no combate à leucemia. Para Serra, o valor por mês do tratamento com o uso desse remédio sai por US$ 2,4 mil, ou seja, US$ 80 por dia. 'O laboratório suíço quer cobrar um preço internacional no Brasil'. A manutenção da política dos genéricos, diz ele, também depende da flexibilização da Trips. 'No Brasil só há genérico do Prozac porque o remédio não tinha proteção patentária no País', frisou.

 
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