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Genéricos na Imprensa Notícias
Genérico,
receita eficaz Vera Valente Aintrodução dos medicamentos genéricos já
mudou - e continua mudando - o mercado farmacêutico brasileiro.
Há quase dois anos, o Brasil percorre um caminho sem volta
para a consolidação de uma política ampla de
medicamentos de baixo custo e alta qualidade. Os genéricos
representam uma opção real de qualidade e economia
para todas as pessoas que precisam comprar medicamentos. Atualmente, existem mais de 400 genéricos registrados (com
mais de 1.300 apresentações) destinados ao tratamento
de doenças, como hipertensão e diabetes. Seus preços
são, em média, 40% menores do que os medicamentos
de referência, dos quais são cópias fiéis,
clones perfeitos. Em alguns casos, chegam a custar 80% menos. Além
disso, a concorrência com os genéricos fez também
com que o preço dos medicamentos de referência recuasse. A qualidade dos genéricos é assegurada pelos rigorosos
testes exigidos pela Agência de Vigilância Sanitária
(Anvisa) para concessão do registro. Esses testes, em centros
habilitados, fiscalizados pela Anvisa, comprovam que o genérico
é intercambiável com o remédio de referência,
tendo, portanto, garantias terapêuticas idênticas. Além de constituir um benefício direto para a população,
principalmente para os mais pobres, a introdução dos
genéricos no Brasil abriu novas perspectivas para a indústria
nacional de medicamentos. Diante da lei e da portaria que regulamentam os genéricos,
os fabricantes nacionais foram desafiados a produzir cópias
dentro de um novo conceito de exigências, semelhantes à
de países da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá.
Isso levou as empresas brasileiras a modernizar seus processos de
produção e controle de qualidade, adequando-os a padrões
internacionais. O mercado de genéricos cresce em média 15% ao mês
desde o início da sua comercialização, em maio
do ano passado. O maior salto ocorreu em outubro passado, com o
aumento de 30% em relação ao mês anterior, o
que significou a venda de um milhão de embalagens a mais.
Em apenas um ano e meio, os genéricos já correspondem
a 4% do mercado de medicamentos. A Pro-Genéricos, associação
que reúne os produtores de genéricos, prevê
que esta participação atingirá 30% até
o final de 2003. O avanço dos genéricos no Brasil é surpreendente,
especialmente se comparado com outras experiências internacionais.
Nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, demorou
mais de dez anos para que os genéricos se afirmassem como
uma opção para os consumidores. Não há
como negar - a não ser por desinformação ou
má-fé - a trajetória bem-sucedida nos genéricos
no nosso país. A idéia de que as empresas multinacionais dominam o mercado
de genéricos em detrimento das companhias nacionais, apresentada
pelo ex-governador do Ceará Ciro Gomes, é estapafúrdia.
De acordo com todas as evidências, as empresas brasileiras
têm forte predomínio nessa área. Das 29 indústrias
que produzem genéricos, 20 são de capital nacional. Nenhum outro setor relevante da economia brasileira registrou um
aumento tão expressivo de participação da indústria
nacional. O avanço dos genéricos também provocou
resultados favoráveis em outra trincheira importante para
nosso país: as exportações. Alguns fabricantes
100% nacionais já estão exportando medicamentos genéricos
para países da América Latina. VERA VALENTE é gerente-geral de Medicamentos Genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Polêmica
cria pânico em transplantados Geral/Saúde Uma polêmica entre a Associação Paulista de
Renais Crônicos, Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e o Laboratório Abbott que se desenrola
desde maio deste ano está trazendo pânico aos pacientes
que se submeteram a transplantes de órgãos. No centro
da discussão está a ciclosporina Gengraf, produzida
pela Abbott e indicada para pacientes transplantados. Desde maio
com registro de genérico, o Gengraf em São Paulo é
distribuído pela rede pública aos pacientes em lugar
do medicamento de marca, produzido pela Novartis, chamado Sandimmun
Neoral. A Associação de Renais Crônicos afirma que
o medicamento da Abbott não tem a mesma absorção
que a ciclosporina da Novartis. "O remédio da Abbott
não pode ser trocado pura e simplesmente pela ciclosporina
de marca. O modo de tomar o remédio teria de ser diferente",
afirma o consultor da associação, o farmacologista
Antonio Carlos Zanini. "Acreditamos que se isso continuar muitos
pacientes vão perder seus transplantes." Zanini não
estudou as duas drogas. Ele baseia suas afirmações
na análise dos documentos existentes. A Abbott rebate as acusações e garante que a troca
pode ser feita sem qualquer problema. "O medicamento é
usado em 19 países, por cerca de 14 mil pacientes",
afirma a diretora médica da Abbott, Martha Penna. "Para
isso, foi aprovado pela Administração de Drogas e
Alimentos (FDA) , dos Estados Unidos, depois da apresentação
de cinco estudos." Os mesmos documentos foram apresentados
à Anvisa para a obtenção do registro de genérico.
Zanini, porém, diz que quatro deles foram descartados pelo
FDA. "Não sei onde ele obteve essas informações.
Todos os estudos foram aceitos. Poderíamos apresentar todos
os dados necessários, mas ele nunca nos procurou", diz
Martha. "O remédio é seguro e atende a todas
as exigências para ter o registro de genérico",
completa a médica. Em nota oficial, a Anvisa garante que
o medicamento da Abbott substitui com segurança a ciclosporina
de marca e que não há registro de reações
adversas ao medicamento.
PAINEL
DO LEITOR Opinião Ciclosporina |
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