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Genéricos na Imprensa Notícias
A
saúde tributada Marcelo Becacici Nunes O país anda doente! A ansiedade por apresentar resultados
cada vez mais expressivos de arrecadação faz com que
nossos administradores releguem até mesmo saúde a
um segundo plano. É estarrecedor saber que um frasco de remédio
carrega, em média, uma inaceitável carga fiscal de
24% no seu preço. A voracidade da arrecadação
tributária onera 30% das despesas das famílias com
serviços de saúde. Nota-se com clara evidência o desinteresse oficial econômico-tributário
com itens tão essenciais para a qualidade e expectativa de
vida da população mais carente. Os medicamentos respondem
por quase 2/3 do dispêndio com assistência à
saúde das famílias com renda de até 2 salários
mínimos. Isso ilustra com clareza que o objetivo da política
fiscal é gerar "superávits" maquiados, priorizando
o pagamento da dívida pública em detrimento da amortização
da dívida social. Nem os medicamentos de uso contínuo, tais como os para o
tratamento de hipertensão e diabetes, escapam do alto peso
dos tributos. Medicamentos cardiovasculares atingem a absurda marca
de 30% de carga tributária. Estudos do Ministério
da Saúde apontam que a necessidade doentia dos arrecadadores
"de resultado" faz com que o SUS gaste mais de 1 bilhão
de reais ao ano somente com impostos. Em todo o país, nem 20% dos medicamentos se beneficiam de
isenção do ICMS. Como se isso fosse pouco, a Receita
Federal, em 1998, majorou em 50% a Cofins, passando sua alíquota
de 2% para 3%, acentuando o quadro de injustiça fiscal. Assim,
enquanto a turma oficial da saúde rema para um lado - genéricos,
distribuição de medicamentos e quebra de patentes
-, a equipe econômica, intocável e insensível,
ruma para outro. Nem mesmo o alto grau de essencialidade desses
produtos a impressiona. Um bom exemplo do que pode ser feito de concreto para amenizar
essa triste situação, vem do Estado do Rio Grande
do Sul, onde a legislação criou um benefício
tributário que, no final, transforma a alíquota de
ICMS de 18% para 7%. Os gastos com remédios consomem quase 10% da renda total das famílias que sobrevivem com até 2 salários mínimos. Para as famílias na faixa superior a 30 salários mínimos, tais gastos representam apenas 1,1% da renda familiar. A tributação dos remédios pesa mais para famílias mais pobres, contribuindo, também, para agravar o vexatório quadro de distribuição de renda do Brasil. É uma peça a mais no quebra-cabeça da tributação dos inocentes. MARCELO BECACICI NUNES é presidente do Sindicato dos Auditores-Fiscais
da Receita Federal no Espírito Santo
José
Serra acusa Novartis de desmora-lizar genérico Capa/Economia Serra acusa Novartis de desmoralizar genérico Gengraf O ministro da Saúde, José Serra, disse que a polêmica
em torno do medicamento Gengraf, que evita a rejeição
do órgão transplantado, foi causada por interesses
comerciais contrariados. Ele acusou ainda as indústrias farmacêuticas
de alugarem porta-vozes a fim de defender seus interesses de lucro. O Gengraf, produzido pela indústria Abbott, é registrado
como o genérico da Ciclosporina. E está sendo distribuído
na rede pública para pacientes transplantados em lugar do
Sandimmun Neoral, da Novartis, comercializado pelo dobro do preço. O ministro reafirmou que a Ciclosporina da Abott foi aprovada pela
Food and Drug Administration (FDA), a vigilância sanitária
americana. Entretanto, o medicamento genérico está
sendo alvo de uma orquestrada campanha de desmoralização,
visando garantir os lucros do fabricante do remédio de marca. "Você acha que eles iriam adotar nos Estados Unidos
uma Ciclosporina que fizesse mal aos transplantados? De jeito nenhum.
Acontece que ela é mais barata. Ela ganhou a concorrência
pela metade do preço. Então, contrariou-se interesses
comerciais", afirmou Serra. Representantes da Associação Paulista de Renais Crônicos
afirmam que o Gengraf não tem a mesma absorção
pelo organismo que o Sandimmun Neoral. O consultor da associação,
Antonio Carlos Zanini, disse que os pacientes transplantados correm
o risco de perder seus órgãos, caso continuem recebendo
a Ciclosporina genérica. Para Serra, aquela associação (uma Ong) está
atuando como porta-voz da Novartis. "Eles (indústrias
com interesses contrariados) alugam porta-vozes para semear de maneira
irresponsável receio entre as pessoas", afirmou o ministro
da Saúde. O ministro reiterou que a política do Governo Fernando Henrique
é reduzir os preços para os brasileiros de menor renda
poderem medicarem-se. "Quando você reduz preços,
contraria interesses e aí eles colocam cascas de banana no
seu caminho. Não há casca de banana que possa nos
atrapalhar", afirmou Serra. PAINEL
DO LEITOR Opinião Ciclosporina |
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