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Genéricos na Imprensa
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Preços dos remédios
voltam a subir
Fonte: Jornal
de Brasília - 13/09/2001
Durante o Plano Real, há remédios que já
aumentaram 322,7%, enquanto a inflação ficou em 93,8%
no período.
Márcia Delgado
Se depender do preço dos remédios, o brasiliense
não pode ficar mais doente. Nas farmácias do DF, tem
medicamento que aumentou 322,75% durante o Plano Real, muito acima
da inflação do período, em torno de 93,88%,
medidos pelo IGP-M. É o caso do anticonvulsivo Rivotril,
que, em junho de 94, custava R$ 1,67 (2,5 mg oral, frasco com 20
ml) e pode ser encontrado hoje por R$ 7,06. Teve produto que subiu,
de uma só vez, 151%, para desespero dos consumidores.
Em abril deste ano, quem precisou do remédio Flebocortid,
usado contra alergias, pagou R$ 212,52 (100 ml, cx c/50). Um mês
depois, o produto passou a custar R$ 533,86. O Gardenal (anticonsulsivo)
ficou 250% mais caro durante o Plano Real, passando de R$ 0,88 para
R$ 3,08 (100 mg -20 compr.), segundo levantamento feito pelo Conselho
Regional de Farmácias (CRF) do DF.
Este mês, o CRF aponta novo aumento de preços de remédios.
A tabela da Abifarma veio com 23 produtos reajustados por laboratórios
diferentes (veja quadro). O maior aumento foi do antiemético
(anti-vômito) Cloridrato de Metoclopramida, um genérico
que encareceu 11,54%, passando de R$ 1,82 para 2,03 (gts 10 gr).
Por outro lado, 22 produtos tiveram redução de preços
este mês, como é o caso do Aorten Captropril, que ficou
32% mais barato (a caixa com 30 comprimidos caiu de R$ 20,65 para
R$ 13,98).
Mas é no aumento que o CRF está de olho. "O reajuste
é ilegal, pois a lei proíbe correções
até dezembro deste ano. Só que, durante todo o ano,
os laboratórios aumentam, em conta-gotas", diz Antônio
Barbosa, presidente do CRF. Ontem, ele denunciou os aumentos ao
Ministério Público Federal (MPF) e à Câmara
de Medicamentos.
O consumidor cobra uma fiscalização maior sobre o
preço dos medicamentos. "O governo tem mecanismos para
controlar estes valores e não faz isto por falta de vontade",
diz o arquiteto João Pedro Bordalo, 46 anos. A funcionária
pública Gracinira Lopes da Silva, 55 anos, também
fica indignada ao chegar na farmácia e ver que os preços
dos remédios estão lá no alto. "E o genérico,
cadê?", indaga ela.
Gracinira diz que já chegou numa farmácia e o atendente
disse que não tinha determinado genérico. "E
o ministro da Saúde (José Serra) faz a maior propaganda
do remédio genérico (sem marca), mas a gente não
encontra com facilidade", garante ela. Os genéricos
são, em média, 40% mais em conta do que os de marca.
A servente Rosalinda Pereira, 39 anos, por sorte não precisa
comprar muito medicamento. Mas, vez por outra, faz como todo brasileiro
e compra um analgésico ou antitérmico. "Outro
dia, comprei Dipirona e notei um preço maior. Quando a gente
não está passando mal até que dá para
pesquisar, mas doente fica difícil andar de farmácia
em farmácia para ver o preço de remédio",
ressalta ela.
O CRF defende que o governo publique o preço dos remédios
no Diário Oficial e ainda que as listas fiquem à mostra
para os consumidores nas farmácias. "Só assim,
o governo e o próprio consumidor terão como fazer
este acompanhamento", diz Antônio Barbosa. Segundo ele,
não há justificativa para aumento de remédio
este mês, já que a matéria-prima do produto
teve uma redução média de 40%. Os laboratórios,
responsáveis pelos aumentos, alegam a alta do dólar
para aplicar as correções, ressalta o presidente do
CRF-DF.
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