Ministério da Saúde
contesta licitação do GDF
Fonte: Correio Braziliense - 14/08/2001
Compra
de remédio é contestada
Governo federal condena parecer médico que, por duas vezes,
autorizou Secretaria de Saúde a comprar medicamento em
detrimento de similar genérico. Ministério Público
apura o caso
Samanta
Sallum
Da equipe do Correio
O Ministério da Saúde criticou de forma contundente
o parecer técnico da Secretaria de Saúde do Distrito
Federal, que recusou remédio genérico em dois processos
de compra no mês de julho. O parecer médico é
o argumento do governo local para rebater denúncia de favorecimento
ao laboratório Novartis, que, mesmo apresentando preços
mais caros, foi o escolhido para fornecer o medicamento ciclosporina.
''A desconfiança sobre a eficácia do genérico
não pode ser usada como justificativa para uma compra suspeita
de ser irregular'', destacou Vera Valente, gerente geral de medicamentos
genéricos da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária - órgão do Ministério da
Saúde responsável pelo registro dos medicamentos
no país.
O médico Marcelo Almeida, coordenador da área de
Nefrologia do Hospital de Base, recusou duas vezes a compra do
genérico ciclosporina, que evita rejeição
de órgãos transplantados. Alegou em documento que
precisava ''manter a qualidade e a segurança do tratamento''
de cerca de 350 pacientes. Ao Correio, Marcelo Almeida justificou:
''Me senti inseguro em relação à aplicação
da outra marca porque há 10 anos usamos Novartis. Seria
preciso fazer redosagem nos pacientes e isso causaria transtorno.
Precisamos de um tempo para adaptação ao genérico.''
Vera Valente rebate: ''Não haveria problema algum na troca
da marca. Outras secretarias de Saúde já compraram
o genérico e não há relato algum de problemas
com os pacientes. É um desserviço esse parecer.
Está assegurada a eficácia do genérico'',
reforça.
O Ministério Público do DF já abriu processo
de investigação para apurar a denúncia de
favorecimento. O caso está na 1ªPromotoria de Defesa
do Patrimônio Público. ''O próximo passo será
convocar o médico que deu o parecer técnico para
que ele apresente explicações'', disse a promotora
Zuleika de Almeida Elias.
O Conselho Regional de Farmácia protocolou a denúncia
no MPDF e encaminha amanhã o caso para o Tribunal de Contas
da União. Isso porque o dinheiro usado para a compra do
remédio vem de repasses do Ministério da Saúde.
FRAUDE
A denúncia contra a Secretaria de Saúde envolve
fraude no resultado de tomadas de preços realizada pela
diretoria de material do órgão. No processo, feito
no dia 26 de julho, a Novartis propôs a venda de R$ 1,24
por cápsula de ciclosporina. O genérico fabricado
pelo laboratório Nature's sairia por R$ 1,18.
No mesmo dia, após oficializadas as duas propostas, o médico
Marcelo Almeida, ao conhecer o resultado da tomada de preços,
entrou em contato com a Novartis por telefone e informou que o
preço do concorrente genérico estava mais baixo.
O Novartis, então, reduziu seu preço para R$ 1,16.
A atitude de médico feriu o princípio da ''impessoalidade''
expressa na lei 8.666, que rege as licitações públicas.
A Novartis foi beneficiada também em outro processo para
a compra do mesmo remédio. Seis empresas foram consultadas
na tomada de preços. Os laboratórios Abott e Nature's
apresentaram preço mais baixo. Entretanto, foi a Novartis
a escolhida graças ao parecer do médico Marcelo
Almeida.
''A secretária de Saúde dirigiu de forma ilegal
o processo em benefício do grande laboratório'',
destaca Antônio Barbosa, presidente do Conselho Regional
de Farmácia.
A secretaria de Saúde alega que, no primeiro caso, houve
dispensa de licitação porque foi realizada em caráter
emergencial. ''Nesse caso não temos obrigação
de comprar o mais barato'', defende-se o secretário-adjunto
de Saúde, Paulo Kalume. Na segunda compra, Kalume justificou
a compra no parecer de Almeida.
Entenda o Caso
A Secretaria de Saúde favoreceu o laboratório Novartis
em dois processos de compra do medicamento Ciclosporina, usado
em pacientes transplantados.
No dia 26 de julho, a secretaria realizou uma tomada de preços
para a compra de 39 mil cápsulas. O laboratório
Nature's ofereceu o preço de R$ 1,18 por comprimido. A
Novartis, por sua vez, propôs R$ 1,24 para cada cápsula.
Após saber das propostas, o médico Marcelo Almeida,
responsável pelo pedido do medicamento, entrou em contato
com a Novartis e informou que o concorrente genérico tinha
apresentado preço mais baixo. A Novartis baixou sua proposta
de R$ 1,24 para R$ 1,16 e fechou negócio com o GDF.
No mesmo mês, outra compra de Ciclosporina beneficiou novamente
a marca Novartis. A Secretaria de Saúde fechou negócio
com o laboratório apesar de haver duas propostas de genéricos
mais baratas, dos concorrentes Abbot e Nature's. A escolha baseou-se
em parecer do médico Marcelo Almeida, que recomendou a
compra porque precisava ''manter a segurança do tratamento
dos pacientes''
Com esse parecer, a Secretaria de Saúde comprou 160 mil
cápsulas de Ciclosporina da Novartis. Pagou R$ 456 mil
por medicamentos que poderiam ter sido comprados por R$ 418 mil.
Mais seis genéricos
chegam ao mercado
Fonte: Jornal
de Brasília -14/08/2001
O Ministério da Saúde brasileiro, por meio da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), registrou,
nesta quinta-feira, mais seis medicamentos genéricos.
Com isso, chega a 346 o número de genéricos produzidos
no Brasil por 27 laboratórios, envolvendo 136 princípios
ativos diferentes.
Entre os genéricos que acabam de ser aprovados está
o anti-hipertensivo Captropil + Hidroclorotiazida, de princípio
ativo inédito no mercado.
O medicamento será produzido pelo Laboratório Biosintética
Ltda. e tem como referência o Lopril D.
Ao mesmo tempo, a Anvisa determinou a apreensão do Kronel,
fabricado pela empresa Hebron S/A Indústrias Químicas
e Farmacêuticas, de Pernambuco.
O remédio, de uso ginecológico e que tem a aroeira
como princípio ativo, não foi registrado na Anvisa
e, portanto, não pode ser vendido no país.
As secretarias de vigilância estaduais e municipais foram
instruídas a recolher o produto imediatamente das prateleiras.