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Genéricos na Imprensa
Notícias

 

14/11
Empresa lança linha de remédios genéricos
14/11
Vitória da vida


Empresa lança linha de remédios genéricos
Fonte:O Estado de S.Paulo - 14/11/2001


São 8 produtos com preço entre 35% e 40% menor do que os medicamentos de referência

A indústria farmacêutica Novartis lançou ontem sua linha de medicamentos genéricos. São oito produtos - seis antibióticos, um anti-alérgico e um anti-hipertensivo -, que serão vendidos com preço entre 35% e 40% menor do que os remédios de referência. A intenção da empresa é lançar, até 2003, cerca de 100 medicamentos genéricos. Para isso, serão investidos durante o período R$ 52,6 milhões. "Pretendemos ser uma das três maiores empresas de genéricos brasileira", afirmou o diretor da Novartis Genéricos, Paulo Muradian.

Lançados em fevereiro do ano passado, medicamentos genéricos hoje representam cerca de 3,5% das vendas do setor farmacêutico, em unidades. Na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, existem registros de 413 drogas.

Segundo Muradian, a aceitação dos remédios genéricos pela população brasileira surpreendeu: "Em outros países, o bom desempenho da venda desses medicamentos é provocado principalmente pela pressão das empresas de saúde de grupo. Não imaginávamos que a população trocasse um remédio de marca por um genérico com tanta facilidade."

Muradian afirmou que a empresa deverá fazer um trabalho de propaganda em consultórios médicos, para melhorar o conceito que esses profissionais têm do produto. "Há ainda uma certa resistência entre profissionais."

Depois que os medicamentos similares e genéricos surgiram, a Novartis registrou uma queda de cerca de 20% nas vendas de seus principais produtos de marca: Cataflan e Voltaren.

 

Vitória da vida
Fonte:O Globo - 13/11/2001

XColuna
Márcio Moreira Alves


Primeiro, foi uma vitória da Humanidade; segundo, do Brasil, que liderou os países em vias de desenvolvimento; por último, da obstinação de José Serra, que é como um cão bulldog: quando agarra o focinho do touro, tranca a mandíbula e não larga mais. Falo da redação do Trips, o Tratado de Defesa da Propriedade Intelectual, votado na reunião da Organização Mundial de Saúde no Qatar.

Houve, nessa luta, mudanças de aliados e de circunstâncias. O antraz foi um grande aliado dos países emergentes. A propagação do terrorismo postal nos Estados Unidos fez com que o governo americano encostasse a faca no peito da Bayer, proprietária da patente do antibiótico específico contra a doença, o cipro. Tinham a perspectiva de comprar 120 milhões de unidades do remédio. Fizeram à empresa a chamada proposta do padrinho. A que não pode ser recusada. "Ou vocês reduzem o preço do remédio ou nós desrespeitamos a patente e fabricamos um genérico". Dado o tamanho da indústria farmacêutica americana, o volume da encomenda, a Bayer prontamente cortou o preço pela metade.

A questão do antraz e do cipro erodiu a posição americana de defender o direito a patentes de qualquer maneira. Moralmente, não poderiam mais sustentar uma posição irredutível, como fizeram nas Nações Unidas, onde ficaram isolados, ou na África do Sul, onde as multinacionais desistiram na última hora de manter a ação que moviam na Suprema Corte do país contra o governo, em virtude das patentes de remédios contra a Aids. Dizem que posicionamentos morais não influem em matéria de negociações comerciais. É verdade, mas há limites. No caso do julgamento na África do Sul, as multinacionais tiveram medo do boicote às suas marcas pelos consumidores dos países ricos. Fazendo as contas de custos e benefícios, temeram ter prejuízo. Agora, no caso das negociações na OMC, os diplomatas americanos devem ter pensado no seu público interno. Como explicariam aos contribuintes um prejuízo de centenas de milhões de dólares causado por uma defesa dos interesses de um único setor produtivo, que tinha contra si não só uma parcela importante da opinião pública mundial como o posicionamento oficial de mais de 50 países, que acompanhavam a atitude do Brasil?

Surpresa foi a perda do apoio dos Médicos sem Fronteiras, organização que já recebeu o prêmio Nobel da Paz, e da delegação da Índia. Nas negociações passadas, tinham sido ambos firmes sustentáculos das propostas de José Serra. Os Médicos sem Fronteiras, por trabalharem em alguns dos lugares mais pobres do mundo e necessitarem de remédios baratos. Os indianos, porque têm 24 mil empresas farmacêuticas, exportam US$ 200 milhões em remédios por ano e são um dos maiores produtores de genéricos do mundo.

Acharam ambos que os brasileiros fizeram uma concessão exagerada aos americanos na redação do acordo final. Em vez de manterem um texto que excluía explicitamente o respeito às patentes quando isso implicasse risco para a saúde pública, concordaram com uma redação mais branda, que apenas permite a quebra das patentes. No fundo, dá no mesmo. A posição brasileira vence, mas não esfrega a vitória na cara do adversário, humilhando-o. Ganha, mas não tripudia, como recomenda a sabedoria política mineira.

Um aliado de peso que o Brasil teve foi a Rede Internacional das Mulheres para o Comércio (IGTN). Elas aprovaram um documento prévio num seminário na Cidade do Cabo para apresentar aos ministros reunidos no Qatar. Nesse documento, fazem a crítica geral da agenda da OMC. Em relação à propriedade intelectual, tratada no Trips, sigla que corresponde a Trade-related Intellectual Property Rights, elas pedem simplesmente que se elimine essa questão da OMC. Dizem: "O Trips ameaça a segurança alimentar e a pequena agricultura, especialmente quando permite o patenteamento por multinacionais de sementes e dos recursos genéticos das plantas. O Trips restringe o direito dos governos de planejar a saúde pública dos povos e dá às empresas o monopólio de estabelecer o preço dos remédios. E ainda estabelece severas restrições à produção de remédios genéricos, faz com que os medicamentos se tornem caros e inacessíveis a homens e mulheres que vivem na pobreza".

Como opção, as mulheres declaram que: "...defendem a vida e procuram promover condições para que se viva uma vida decente e digna. Essa a razão por que achamos que a vida, que consideramos sagrada, não deve ser patenteada. A vida é a nossa herança coletiva. Não deveria ser vendida ou comercializada de qualquer forma".

A mais antiga revista feminina americana, a "Lady's Home Journal", tem como lema: nunca subestime o poder de uma mulher. José Serra e a delegação brasileira puderam avaliar a veracidade da frase. Uma vitória da vida é sempre uma vitória das mulheres.


 
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