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Genéricos na Imprensa
Notícias

 

15/12
Lições dos genéricos
15/12
PAINEL DO LEITOR
14/12
Sensus: Roseana chega a 23,7%

Lições dos genéricos
Fonte:
Folha de S. Paulo - 15/12/2001

Dinheiro/ OPINIÃO ECONÔMICA

GESNER OLIVEIRA

Os genéricos estão provocando mudanças rápidas e significativas no mercado de medicamentos. Essa é a impressão que se obtém dos dados apresentados em seminário sobre Economia da Saúde, realizado em Salvador na última quinta-feira como parte da programação do encontro dos Centros Nacionais de Pós-Graduação em Economia (Anpec).
De acordo com a minuciosa apresentação de Pedro Bernardo, especialista da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), verificou-se aumento do número de registros de genéricos. Os números de laboratórios, fármacos e apresentações passaram, respectivamente, de 4, 11 e 26 em fevereiro para 29, 142 e 1.165 em agosto de 2001.

As unidades vendidas, por sua vez, passaram de 2,02 milhões em junho de 2000 para 8,41 milhões em outubro deste ano, registrando crescimento de 316%.

Ao consumidor importa saber que houve redução de preços de alguns produtos de marca associada à introdução dos genéricos. Os números para três itens são eloquentes. O Renitec 20 mg com dez comprimidos, cujo princípio ativo é o maleato de enalapril, utilizado no tratamento da hipertensão, teve queda de preço de quase 50% entre junho de 2000 e novembro último.
O Losec, que tem como princípio ativo o omeprazol sódico, usado como protetor gástrico, e o Sandimum Neoral, que utiliza a ciclosporina, prescrita nos casos de transplantes de órgãos, registraram reduções de preços de 42% e 45%, respectivamente.

Destaquem-se, igualmente, os efeitos sobre a indústria no médio prazo, como a entrada no mercado brasileiro de grandes produtores mundiais de genéricos, o estímulo para as empresas nacionais lançarem novos produtos e a redução do tempo de entrada no mercado nacional de produtos já patenteados.

Uma questão particularmente importante é verificar se esse impulso à produção de genéricos será suficiente para viabilizar, em termos de escala, a produção de farmoquímicos no país.
Uma avaliação definitiva acerca dos temas mencionados requer naturalmente mais tempo e pesquisa empírica. É positivo nesse sentido que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) esteja promovendo amplo estudo a respeito da indústria farmacêutica, cujos resultados preliminares foram adiantados em Salvador.

O maior foco e objetividade da pesquisa econômica constitui um dos inúmeros ganhos com a estabilização nos anos 90. Várias gerações de economistas brasileiros gastaram muito tempo discutindo a fórmula mágica para debelar a inflação crônica.

A microeconomia foi esquecida. Poucos se dedicaram a estudos setoriais abrangentes que possam servir de guia útil para a política pública. Uma rápida inspeção nas mesas de Salvador sugere uma renovação promissora dos debates nessa direção.

Amparada por sólidas investigações empíricas e boa base teórica, a política pública poderá se afastar da polarização retórica entre aqueles que defendem e os que rejeitam de plano a implementação de política industrial por parte do Estado.

A recente política de genéricos constitui caso de identificação de flagrantes imperfeições de mercado e adoção de providências no sentido de superá-las ou pelo menos atenuá-las. Note-se que seu êxito repousa em grande medida no fato de que a ação estatal estimula a concorrência em vez de inibi-la.

Gesner Oliveira, 45, é doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), professor da FGV-SP, consultor da Tendências e ex-presidente do Cade.

PAINEL DO LEITOR
Fonte:
Folha de S. Paulo - 15/12/2001

Opinião

Galináceos

"O artigo "De galináceos, propaganda e saúde" ("Tendências/Debates", pág. A3, 13/12), de Rogério Cezar de Cerqueira Leite, pode até ser pertinente ao apontar que o caso das patentes e o dos genéricos são mais jogadas de marketing do que políticas de saúde pública. Pena que também seja preconceituoso ao utilizar termo pejorativo -até mesmo abolido pelo "Manual da Redação" da Folha- para se referir ao cidadão portador do HIV. É ainda mais infeliz ao cair no antiquado clichê de nivelar por baixo a assistência médica no país e ao repetir a ladainha de que se gasta muito com o doente de Aids em detrimento de outras patologias. Sobre o zelo em relação ao programa de combate à Aids, não há de ser apenas oportunismo eleitoreiro. Nem sequer é dádiva ou mérito dos "garnisés". É conquista irreversível de toda a sociedade. É exemplo de mobilização em defesa da vida e da saúde."

Mário Scheffer, representante do movimento de luta contra a Aids no Conselho Nacional de Saúde (São Paulo, SP)

A ofensiva de Serra nos populares
Fonte:
O Globo - 14/12/2001

Germano Oliveira

SÃO PAULO. Pré-candidato do PSDB à sucessão do presidente Fernando Henrique, o ministro da Saúde, José Serra, não tem perdido oportunidade de aparecer nos programas mais populares da televisão. Anteontem à noite, esteve no "Programa do Ratinho", do SBT, divulgando projetos do ministério e, principalmente, falando da destinação de R$ 1,2 milhão para a construção do Hospital Fogo Selvagem, em Uberaba, Minas Gerais. A obra fez parte de uma campanha apresentada na televisão pelo apresentador. Domingo passado, Serra já tinha aparecido no programa "Domingo Legal", de Gugu Liberato, falando sobre o trabalho do governo na prevenção à Aids. Gugu não poupou elogios ao ministro.

Depois de apresentar uma reportagem sobre as crianças atingidas pela doença do fogo selvagem, que provoca feridas no corpo, e as dificuldades da mineira Aparecida da Conceição para conseguir verbas para construir um hospital em Uberaba, Ratinho disse que o ministro tinha se comprometido a ajudar a instituição e que agora está cumprindo o que prometera. A reportagem mostra Serra repassando o dinheiro para Aparecida da Conceição.
- Com o convênio, vamos ter um hospital bom, com 35 leitos para o tratamento do fogo selvagem - disse o ministro.

O apresentador aproveitou a deixa e disse que convidara o ministro para lhe agradecer pessoalmente pela ajuda:
- Não sou de fazer média, mas o senhor é o melhor ministro da Saúde de todos os tempos. Se eu falar aqui tudo o que o senhor fez, vão falar que estou puxando seu saco.
Sempre elogiando o trabalho de Serra, Ratinho lembrou da campanha do Ministério da Saúde contra a hipertensão.
- Se a pessoa tem pressão alta, deve checar de novo e o SUS dá o remédio de graça para quem precisa. Tratando da pressão alta, a pessoa evita ter um ataque cardíaco ou problemas renais no futuro - disse Serra.

O apresentador elogiou o trabalho do ministro com os remédios genéricos, dizendo que ele mesmo comprava medicamentos 50% mais baratos.

Também no "Domingo Legal", Serra usou o programa popular para falar sobre a luta do governo na queda-de-braço com os laboratórios que se recusam a baratear o custo dos produtos usados no coquetel contra a Aids.

- Enfrentamos os grandes laboratórios e reduzimos os custos dos medicamentos para o combate à Aids em mais de 50%. Mas não podemos cantar vitória. A Aids continua sendo uma ameaça. Por isso, precisamos continuar nosso trabalho - disse Serra.

No fim do pronunciamento do ministro, Gugu Liberato, que reivindica do governo um canal de TV, fez vários elogios a Serra, com os aplausos da platéia.
- Parabéns, ministro - disse.

Sensus: Roseana chega a 23,7%
Fonte:
O Globo - 14/12/2001

BRASÍLIA. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), começa a ameaçar a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de acordo com a pesquisa do Instituto Sensus patrocinada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada ontem. A pesquisa mostra que a governadora está a menos de quatro pontos percentuais do petista: Lula caiu de 31,8% em outubro para 27,1% em dezembro, e Roseana passou, no mesmo período, de 19,1% para 23,7%.

Pré-candidato do PSDB, o ministro da Saúde, José Serra (PSDB), passou de 4,8% para 5,5%. A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 11 de dezembro, com dois mil entrevistados em todas as regiões do país. A margem de erro varia de um a três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Pela primeira vez na série de pesquisas da CNT/Sensus, Lula perde vantagem também na simulação feita para o segundo turno: segundo o instituto, hoje ele seria derrotado por Roseana, que ficaria com 42,7% dos votos contra 38,4% do petista.

- Os números dessa pesquisa reafirmam que, se a base aliada for unida em torno de um candidato de consenso, vencerá as eleições - disse Roseana.

Se a disputa no segundo turno fosse entre Lula e Serra, o petista teria hoje 48,5% dos votos e o tucano, 27,8%, de acordo com o Sensus. Nas simulações feitas pelo instituto, se as eleições fossem hoje Lula só perderia em segundo turno para Roseana.

- Parabéns para a Roseana, ela está sabendo aproveitar bem sua exposição. Mas um dado significativo é a simulação entre Lula e Serra no segundo turno. É um bom indicador e mostra que o tucano cresce - disse o presidente nacional do PSDB, José Aníbal.

O presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, comemorou o resultado da pesquisa. Para o senador, os novos números só mostram que a candidatura de Roseana é irreversível. Mesmo assim, ele não descarta a possibilidade de um outro candidato da base governista ser o cabeça de chapa em 2002.

Segundo a pesquisa divulgada ontem, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), passou de 8,2% para 9,1% e está em terceiro lugar. Em seguida aparece Ciro Gomes (PPS), que caiu de 12,8% em outubro para 8,8%. O governador do Estado do Rio, Anthony Garotinho (PSB), permaneceu estável, com 7,9% das intenções de voto. Enéas, do Prona, continua com 2,2%.

 
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