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Genéricos na Imprensa Notícias
Lições
dos genéricos Dinheiro/ OPINIÃO ECONÔMICA GESNER OLIVEIRA Os genéricos estão provocando mudanças rápidas
e significativas no mercado de medicamentos. Essa é a impressão
que se obtém dos dados apresentados em seminário sobre
Economia da Saúde, realizado em Salvador na última
quinta-feira como parte da programação do encontro
dos Centros Nacionais de Pós-Graduação em Economia
(Anpec). As unidades vendidas, por sua vez, passaram de 2,02 milhões
em junho de 2000 para 8,41 milhões em outubro deste ano,
registrando crescimento de 316%. Ao consumidor importa saber que houve redução de
preços de alguns produtos de marca associada à introdução
dos genéricos. Os números para três itens são
eloquentes. O Renitec 20 mg com dez comprimidos, cujo princípio
ativo é o maleato de enalapril, utilizado no tratamento da
hipertensão, teve queda de preço de quase 50% entre
junho de 2000 e novembro último. Destaquem-se, igualmente, os efeitos sobre a indústria no
médio prazo, como a entrada no mercado brasileiro de grandes
produtores mundiais de genéricos, o estímulo para
as empresas nacionais lançarem novos produtos e a redução
do tempo de entrada no mercado nacional de produtos já patenteados. Uma questão particularmente importante é verificar
se esse impulso à produção de genéricos
será suficiente para viabilizar, em termos de escala, a produção
de farmoquímicos no país. O maior foco e objetividade da pesquisa econômica constitui
um dos inúmeros ganhos com a estabilização
nos anos 90. Várias gerações de economistas
brasileiros gastaram muito tempo discutindo a fórmula mágica
para debelar a inflação crônica. A microeconomia foi esquecida. Poucos se dedicaram a estudos setoriais
abrangentes que possam servir de guia útil para a política
pública. Uma rápida inspeção nas mesas
de Salvador sugere uma renovação promissora dos debates
nessa direção. Amparada por sólidas investigações empíricas
e boa base teórica, a política pública poderá
se afastar da polarização retórica entre aqueles
que defendem e os que rejeitam de plano a implementação
de política industrial por parte do Estado. A recente política de genéricos constitui caso de
identificação de flagrantes imperfeições
de mercado e adoção de providências no sentido
de superá-las ou pelo menos atenuá-las. Note-se que
seu êxito repousa em grande medida no fato de que a ação
estatal estimula a concorrência em vez de inibi-la. Gesner Oliveira, 45, é doutor em economia pela Universidade
da Califórnia (Berkeley), professor da FGV-SP, consultor
da Tendências e ex-presidente do Cade. Opinião Galináceos "O artigo "De galináceos, propaganda e saúde"
("Tendências/Debates", pág. A3, 13/12), de
Rogério Cezar de Cerqueira Leite, pode até ser pertinente
ao apontar que o caso das patentes e o dos genéricos são
mais jogadas de marketing do que políticas de saúde
pública. Pena que também seja preconceituoso ao utilizar
termo pejorativo -até mesmo abolido pelo "Manual da
Redação" da Folha- para se referir ao cidadão
portador do HIV. É ainda mais infeliz ao cair no antiquado
clichê de nivelar por baixo a assistência médica
no país e ao repetir a ladainha de que se gasta muito com
o doente de Aids em detrimento de outras patologias. Sobre o zelo
em relação ao programa de combate à Aids, não
há de ser apenas oportunismo eleitoreiro. Nem sequer é
dádiva ou mérito dos "garnisés".
É conquista irreversível de toda a sociedade. É
exemplo de mobilização em defesa da vida e da saúde." Mário Scheffer, representante do movimento de luta contra
a Aids no Conselho Nacional de Saúde (São Paulo, SP)
A ofensiva
de Serra nos populares Germano Oliveira SÃO PAULO. Pré-candidato do PSDB à
sucessão do presidente Fernando Henrique, o ministro da Saúde,
José Serra, não tem perdido oportunidade de aparecer
nos programas mais populares da televisão. Anteontem à
noite, esteve no "Programa do Ratinho", do SBT, divulgando
projetos do ministério e, principalmente, falando da destinação
de R$ 1,2 milhão para a construção do Hospital
Fogo Selvagem, em Uberaba, Minas Gerais. A obra fez parte de uma
campanha apresentada na televisão pelo apresentador. Domingo
passado, Serra já tinha aparecido no programa "Domingo
Legal", de Gugu Liberato, falando sobre o trabalho do governo
na prevenção à Aids. Gugu não poupou
elogios ao ministro. Depois de apresentar uma reportagem sobre as crianças atingidas
pela doença do fogo selvagem, que provoca feridas no corpo,
e as dificuldades da mineira Aparecida da Conceição
para conseguir verbas para construir um hospital em Uberaba, Ratinho
disse que o ministro tinha se comprometido a ajudar a instituição
e que agora está cumprindo o que prometera. A reportagem
mostra Serra repassando o dinheiro para Aparecida da Conceição. O apresentador aproveitou a deixa e disse que convidara o ministro
para lhe agradecer pessoalmente pela ajuda: O apresentador elogiou o trabalho do ministro com os remédios
genéricos, dizendo que ele mesmo comprava medicamentos 50%
mais baratos. Também no "Domingo Legal", Serra usou o programa
popular para falar sobre a luta do governo na queda-de-braço
com os laboratórios que se recusam a baratear o custo dos
produtos usados no coquetel contra a Aids. - Enfrentamos os grandes laboratórios e reduzimos os custos
dos medicamentos para o combate à Aids em mais de 50%. Mas
não podemos cantar vitória. A Aids continua sendo
uma ameaça. Por isso, precisamos continuar nosso trabalho
- disse Serra. No fim do pronunciamento do ministro, Gugu Liberato, que reivindica
do governo um canal de TV, fez vários elogios a Serra, com
os aplausos da platéia. Sensus:
Roseana chega a 23,7% BRASÍLIA. A governadora do Maranhão, Roseana
Sarney (PFL), começa a ameaçar a liderança
de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de acordo com a pesquisa
do Instituto Sensus patrocinada pela Confederação
Nacional dos Transportes (CNT), divulgada ontem. A pesquisa mostra
que a governadora está a menos de quatro pontos percentuais
do petista: Lula caiu de 31,8% em outubro para 27,1% em dezembro,
e Roseana passou, no mesmo período, de 19,1% para 23,7%. Pré-candidato do PSDB, o ministro da Saúde, José
Serra (PSDB), passou de 4,8% para 5,5%. A pesquisa foi realizada
entre os dias 6 e 11 de dezembro, com dois mil entrevistados em
todas as regiões do país. A margem de erro varia de
um a três pontos percentuais, para mais ou para menos. Pela primeira vez na série de pesquisas da CNT/Sensus, Lula
perde vantagem também na simulação feita para
o segundo turno: segundo o instituto, hoje ele seria derrotado por
Roseana, que ficaria com 42,7% dos votos contra 38,4% do petista. - Os números dessa pesquisa reafirmam que, se a base aliada
for unida em torno de um candidato de consenso, vencerá as
eleições - disse Roseana. Se a disputa no segundo turno fosse entre Lula e Serra, o petista
teria hoje 48,5% dos votos e o tucano, 27,8%, de acordo com o Sensus.
Nas simulações feitas pelo instituto, se as eleições
fossem hoje Lula só perderia em segundo turno para Roseana. - Parabéns para a Roseana, ela está sabendo aproveitar
bem sua exposição. Mas um dado significativo é
a simulação entre Lula e Serra no segundo turno. É
um bom indicador e mostra que o tucano cresce - disse o presidente
nacional do PSDB, José Aníbal. O presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, comemorou o resultado
da pesquisa. Para o senador, os novos números só mostram
que a candidatura de Roseana é irreversível. Mesmo
assim, ele não descarta a possibilidade de um outro candidato
da base governista ser o cabeça de chapa em 2002. Segundo a pesquisa divulgada ontem, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), passou de 8,2% para 9,1% e está em terceiro lugar. Em seguida aparece Ciro Gomes (PPS), que caiu de 12,8% em outubro para 8,8%. O governador do Estado do Rio, Anthony Garotinho (PSB), permaneceu estável, com 7,9% das intenções de voto. Enéas, do Prona, continua com 2,2%. |
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