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Genéricos na Imprensa
Notícias
Injustiça social
definirá eleição
Fonte: Jornal
do Brasil - 16/09/2001
Pesquisa mostra que eleitor, em 2002, exigirá também
combate à violência e à corrupção
Investimentos em políticas sociais constituem interesse
prioritário do brasileiro, revela pesquisa do Instituto Vox
Populi. A questão econômica passou a tema secundário,
tendo tomado a dianteira o combate à criminalidade e à
corrupção. A pouca eficácia do governo nesses
setores explicaria em parte a reprovação de FH: 47%
das pessoas consideraram sua atuação ruim ou péssima.
Brasileiro
elege social prioridade
Fonte: Jornal
do Brasil - 16/09/2001
Pesquisa do Vox Populi mostra que população relega
economia a segundo plano e quer combater violência e corrupção
RAPHAEL GOMIDE
O brasileiro deixou de temer a inflação e a instabilidade
econômica e passou a considerar o investimento em políticas
sociais a prioridade para o presidente que sucederá Fernando
Henrique Cardoso. O combate à criminalidade e à corrupção
vêm logo atrás no ranking de preferência. A economia
fica para trás, segundo pesquisa do Vox Populi.
A pouca eficácia do atual governo nesses setores pode ser
uma das explicações para a reprovação
de Fernando Henrique por 47% das pessoas ouvidas pela enquete, que
consideram ruim ou péssima sua gestão. Outros 37%
atribuíram a ele desempenho regular, e 15% o avaliaram como
bom ou ótimo. Na última amostra, feita em junho, os
números lhe eram mais favoráveis - 17%, bom ou ótimo;
40%, regular; e 42%, ruim ou péssimo.
Fantasma dos anos 80 e do começo dos anos 90, a inflação
já parece ser considerada passado pela população.
A meta do país para este ano, estabelecida com o FMI (Fundo
Monetário Internacional), é de 5,8%, mas o governo
admite que não deve conseguir cumpri-la - até o mês
passado, a inflação era de 5,06%.
Das pessoas entrevistadas, 36% consideram que a assistência
a pessoas de baixa renda e o investimento em políticas sociais
devem ser a prioridade do próximo governante. Os números
sugerem certa despreocupação da população
com questões econômicas. Apenas 7% acham que manter
a inflação controlada e os preços estáveis
deva ter primazia no próximo mandato presidencial. O crescimento
da economia e de empresas e a atração de companhias
e investimentos estrangeiros para o Brasil são escolhidos
por 6% e 4% dos entrevistados, respectivamente, apesar de as previsões
mais recentes serem pessimistas.
Crise - O país sente reflexos da crise argentina, do racionamento
de energia e, agora, enfrenta a dúvida quanto a possíveis
mudanças na economia mundial após os atentados nos
Estados Unidos, maior comprador individual de suas exportações.
Analistas econômicos fazem projeções de estagnação
ou de pequeno crescimento, próximo de 1%, para este ano.
O combate à criminalidade é a segunda opção
dos entrevistados, com 25% da preferência; a luta contra a
corrupção vem logo a seguir, com 21%. Para o sociólogo
Emir Sader, ''as pessoas não vêem que as reivindicações
são inviáveis porque o modelo não possibilita
isso e que a relativa estabilidade econômica se deu com a
multiplicação do déficit público por
11, desemprego forte e desaceleração das políticas
públicas''.
Pontos positivos - Os projetos do governo que contam com maior apoio,
segundo a pesquisa, são o dos medicamentos genéricos
- com 71% - e o provão para avaliar cursos superiores - 54%.
Os ministros da Saúde, José Serra, e da Educação,
Paulo Renato, são possíveis candidatos governistas.
A política de reforma agrária seria mantida por 35%
dos entrevistados e vem em terceiro lugar. A ação
governamental que menos agrada a população é
a privatização de empresas públicas. O programa
seria abandonado por 42% dos ouvidos pela pesquisa do Vox Populi.
Apenas 11% manteriam com o programa do jeito que está.
Em qualidade de vida, 69°
BRASÍLIA - Apesar de estar entre as dez maiores economias
do mundo, o Brasil ainda tem muitos países a ultrapassar
no quesito qualidade de vida. Segundo relatório do Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado
há dois meses, o Brasil ocupa a 69ª posição,
entre os 162 países analisados. Perde para a Arábia
Saudita, Fiji e Tailândia. A ONU levou em conta indicadores
de renda, educação e saúde.
Em relação ao ano anterior, o Brasil reduziu a taxa
de mortalidade infantil de 36 para 34 entre mil crianças
que morrem antes de completar um ano. Mesmo assim, o desempenho
é pior que o da Tunísia, que registrou 25 mortes a
cada mil nascidos vivos.
Saúde - Segundo a ONU, apenas 72% da população
recebem atendimento médico adequado, enquanto na Colômbia
o serviço atinge 85% dos habitantes. As Nações
Unidas ainda apontam que 10% da população brasileira
sofrem de má nutrição e que o governo gasta
apenas US$ 453 por pessoa com saúde por ano - a primeira
colocada, Noruega, beira US$ 2,5 mil ao ano por habitante. O pior
é que os recursos públicos para essa área têm
diminuído. Em 1990, o governo destinava 3% do PIB. No fim
da década, apenas 2,9% do PIB eram gastos. Na educação,
houve um discreto aumento. Nos últimos dez anos, a proporção
do PIB para o setor passou de 4,7% para 5,1%. Mesmo assim, 15% da
população adulta ainda são analfabetos.
Um dos piores impedimentos para os avanços sociais, segundo
especialistas, é a concentração de renda. Enquanto
9% dos brasileiros vivem com menos de US$ 1 por dia, 46,7% da renda
estão concentrados nas mãos de 10% da população.
Na luta contra corrupção, 45°
BRASÍLIA - Apesar de ter, pela primeira vez na história,
cassado o mandato de um senador - o empresário Luiz Estevão,
acusado de participação no desvio de verbas da obra
do Fórum Trabalhista de São Paulo -, e fechado a Sudam
e a Sudene, ralos por onde sumiram milhares de reais do contribuinte,
a classificação do Brasil no ranking da corrupção
deixa a desejar.
No último relatório da organização não-governamental
Transparency International, o Brasil ficou em 45° lugar, junto
com Malawi, Zimbabwe e Marrocos. No relatório do ano passado,
estava em 46°. Na avaliação do comitê Transparência
Brasil, o país foi reprovado.
O Índice de Percepção de Corrupção
(IPC), medido desde 1995, levantou informações sobre
propinas que altos funcionários de 99 países exigiram
de representantes de organismos internacionais. Os dados foram compilados
por organizações como World Economic Intelligence
Unit, Gallup International, Freedom House e Wall Street Journal.
A corrupção na administração pública
levou o presidente Fernando Henrique à criação
da Corregedoria-Geral da União, entregue à procuradora
Anadyr de Mendonça Rodrigues. Em vez de combater a corrupção,
Anadyr se transformou numa acompanhadora de processos. O papel de
xerife ficou a cargo do Ministério Público, cujos
procuradores enquadraram Luiz Estevão e estão ajudando
a desvendar falcatruas na Sudam, na Sudene e no Departamento Nacional
de Estradas e Rodagens (DNER).
A atuação do Ministério Público agradou
à opinião pública. O procurador Luiz Francisco
de Souza, por exemplo, recebe diariamente dezenas de e-mails com
mensagens de apoio ou sugestões de denúncias.
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