Preços de remédios
estão na Internet
Consulta pode ser feita em pelo menos dois sites, mas o serviço
ainda não é muito conhecido.
Fonte: Jornal de Brasília - 17/06/2001
Luciene
de Assis
Os consumidores que precisam comprar medicamentos podem consultar
listas de preços pela Internet. Pelo menos dois endereços
oferecem os valores máximos a serem cobrados no balcão
das farmácias e drogarias. São o www.medicart.com.br,
elaborado pela empresa EducArt Tecnologia Pedagógica, e
o www.egenerico.com.br, de responsabilidade do Instituto Brasileiro
de Defesa do Usuário de Medicamentos (Idum).
A consulta de preços pela Internet ainda é novidade
e poucos consumidores têm esse hábito. A secretária
Valéria Gonçalves diz que compra muito, mas nunca
consultou os preços nos endereços eletrônicos.
"Costumo comprar mais os genéricos, os mais baratos,
e sempre peço ao médico para indicar mais de uma
alternativa", explica.
"Eu sempre compro o produto que estiver mais barato",
garante a supervisora de marketing Renata Viana. Ela garante que
nunca pesquisou listas de preços "por falta de tempo"
e quando compra é sempre com indicação médica.
Para a diretora do Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon),
Maria Dagmar Freitas, a divulgação de listas de
preços de medicamentos pela Internet beneficia o consumidor,
"porque quanto maior a oferta de preços, melhor, e
facilita até a nossa pesquisa". Mas ela não
concorda com a proposta de publicar uma relação
de preços ao consumidor no Diário Oficial da União
(DOU) , conforme sugere o presidente do Conselho Regional de Farmácia
do Distrito Federal (CRF), Antonio Barbosa. Maria Dagmar acredita
que essa atitude pode significar o retorno ao tabelamento e controle
de preços pelo governo. "A melhor coisa é o
mercado livre e aberto", argumenta.
Barbosa acha que a existência de uma relação
de preços oficial evitará que a indústria
faça reajustes desproporcionais e sem avisar. Segundo ele,
é o que acontece hoje e os valores são publicados
na Revista ABCPharma, pertencente à Associação
Brasileira do Comércio Farmacêutico.
Quando o preço vem majorado e há reclamações,
a indústria farmacêutica em questão argumenta
ter sido erro de impressão. Barbosa diz que a lista da
Revista da ABCPharma "vem constantemente apresentando erros,
a retificação leva um mês para acontecer e
o consumidor paga mais caro durante esse período".
Consumidores pagam mais caro
Por falta de fiscalização do Procon, afirma o presidente
do CRF, Antônio Barbosa, o consumidor está pagando
mais pelos medicamentos, porque as drogarias compram com descontos
que variam de 30% a 50% e essas reduções não
são repassadas ao preço final. O custo para quem
compra no balcão acaba sendo superior a 100% em relação
ao preço de custo.
Os empresários do setor se defendem. De acordo com Adelmir
Santana, presidente do Sindicato do Comércio Varejista
de Produtos Farmacêuticos do DF (Sincofarma-DF), as drogarias
conseguem descontos, mas quem determina o preço é
a indústria. "Nós repassamos esses descontos
para os consumidores", assegura. Santana diz que essas vantagens
diminuíram desde que o governo isentou vários produtos
do pagamento dos impostos federais PIS, Pasep e Cofins. A isenção
representou uma queda de 11,3% no preço final desses remédios,
que representam até 50% das drogas consumidas no DF.
A exemplo da diretora do Procon, Adelmir Santana não concorda
com a publicação de uma lista de preços no
Diário Oficial : "É uma maluquice colocar o
Estado nisso". Ele defende a liberação de preços,
mas pondera que a fabricação de medicamentos é
cartelizada, o que justifica o tabelamento para venda no varejo.
(L.A.)