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Genéricos na Imprensa Notícias
Laboratório acusa concorrente Política/ GUERRA DOS REMÉDIOS Rodrigo Caetano e Ugo Braga Envolvido numa denúncia de falsificação de
documentos, revelada ontem pelo Correio, o laboratório brasileiro
EMS Sigma Pharma transfere a culpa para o suíço Novartis,
seu concorrente. Em entrevista por telefone, o médico italiano
Carlo Oliani, sócio do EMS Sigma Pharma, afirmou que os documentos
adulterados fazem parte de uma campanha para impedir a concorrência
no mercado nacional de ciclosporina, droga aplicada a doentes renais
crônicos para diminuir a possibilidade de rejeição
a rins transplantados, cujas vendas movimentam R$ 100 milhões
por ano. O mercado era monopolizado pela Novartis até 1997. Desde
então, a EMS Sigma Pharma o disputa com o remédio
Sigmasporin. Nos dois primeiros anos, o medicamento era considerado
similar ao Sandimmun Neoral, de referência, produzido pela
concorrente suíça. Em 1999, foi pedido à Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro
de genérico para o Sigmasporin. O medicamento similar não
é testado para garantir que seja exatamente idêntico
ao remédio concorrente. Foi na busca do registro de genérico
que surgiram as denúncias de falsificação. O teste original, publicado numa revista médica européia,
seria um ensaio preliminar sobre a bioequivalência do Sigmasporin.
Já o estudo falsificado, mostrava adulterações
no nome dos autores, numeração das páginas
e, mais importante, no caráter do estudo. No original, é
apresentado como ''discussão''. Na falsificação,
como ''conclusão''. Em termos científicos, há
uma diferença entre um texto para discussão e uma
prova conclusiva. Sobre a EMS Sigma Pharma pesa a informação de ter
adulterado um dos testes para acelerar o registro de seu remédio
como genérico, mesmo antes de a bioequivalência ser
comprovada clinicamente. Carlo Oliani, no entanto, apresenta outra
história. A falsificação está sendo
investigada pela Polícia Federal. E, segundo ele, a versão
da falsificação foi divulgada pela Novartis e faria
parte de uma campanha para impedir o avanço do Sigmasporin
e garantir o monopólio do Sandimmun Neoral, o remédio
da Novartis. Exigência curiosa Aos leitores Em sua edição de domingo, o Correio anunciou para
hoje a publicação de reportagem contando como as associações
de doentes renais crônicos são aliciadas pelos laboratórios
para fazer lobby em prol de seus medicamentos. O laboratório
EMS Sigma Pharma informou que só hoje teria condições
de se pronunciar sobre as acusações que pesariam contra
ele. Para dar oportunidade de a empresa se defender da melhor forma,
o Correio decidiu reprogramar a edição da reportagem. Brasil O Brasil poderá ter uma fábrica de medicamentos
genéricos e de antiretrovirais, em pouco tempo. A afirmação
é do diretor de negócios do Laboratório Hetero
Drugs, Dharmesh M. Shah, feita durante visita a Brasília
esta semana. Com sede na Índia, o laboratório fabrica
mais de 45 medicamentos para o tratamento de diferentes patologias,
inclusive para o tratamento da aids. Na oportunidade, ele, juntamente com o Diretor de Programas Estratégicos
do Ministério da Saúde (MS), Platão Fisher
Puhler, e com a diretora do Laboratório estatal Farmanguinhos,
conheceram a sede da Hetero. "O Brasil é um país
estratégico para nós", afirma. O Ministério da Saúde (MS), por meio da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocraz) e do Laboratório Farmanguinhos, desenvolveu
uma parceria com a Hetero para conseguir Taxar as piam dos anti-retrovirais,
em 1997. De acordo com Darmesh, para se ter um exemplo, a Lamibudina,
que antes era fabricada por U$ 11 mil o quilo, pode agora ser produzida
ao custo de U$ 4 mil, o que significou uma redução
de mais de 73% no preço da medicação. Já a substância Indinavir Sulfato teve o custo reduzido
em 72,5%. Por meio de processos de otimização na produção,
em dois anos o preço de fabricação da substância
passou de U$ 4 mil o quilo para apenas U$ 700,00. Embora sejam de
patentes de alguns anti HIV, o diretor da Hetero diz que o laboratório
posiciona-se favoravelmente ao dispositivo da lei brasileira que
permite a quebra de patentes de remédios para o tratamento
da aids. 'Isso é muito positivo; estamos falando de vida
ou morte de pessoas", afirma. De acordo com o ele, a instalação de um laboratório
no Brasil será de vital importância para a troca de
conhecimentos entre os cientistas de ambas as pátrias, além
de significar um grande empreendimento. "Temos um projeto ambicioso;
o Brasil éum ponto estratégico no comércio
mundial de remédios", Opinião |
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