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Genéricos na Imprensa
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19/11
Mais aberto o mercado mundial de genéricos
19/11
Governo quer gastar 48% a mais com propaganda


Mais aberto o mercado mundial de genéricos
Fonte:Gazeta Mercantil - 19/11/2001

Assis Moreira de Genebra

Genebra - Países como Brasil, Índia, Indonésia e África do Sul poderão incrementar a produção de remédios genéricos graças à declaração política sobre patentes e saúde pública aprovada na conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), na semana passada em Doha, no Catar.

O coordenador do programa de remédios essenciais da Organização Mundial de Saúde (OMS), German Velázquez, estima que a indústria brasileira poderá inclusive, na medida de sua capacidade, usar a ampliação da flexibilidade do Acordo Trips (propriedade intelectual relacionada ao comércio) para exportar genéricos a nações que não produzem remédios.

O documento aprovado em Doha dá uma interpretação flexível do Acordo de Trips para os países concederem licença compulsória - ou seja, para quebrar o monopólio de patente em caso de problemas de saúde de suas populações. O impacto do texto aprovado depois de duras negociações entre Brasil e Estados Unidos vai bem além da questão social. A indústria pressionou até o último momento da conferência para mudar o texto. (ver editoria Nacional)

Genebra - Certos especialistas e mesmo organizações não governamentais (ONGs) reclamaram na sexta feira que a flexibilidade beneficiaria somente países que já tem indústria farmacêutica, como o Brasil. A OMC teria deixado para decidir mais tarde como outras nações em desenvolvimento sem laboratórios poderiam importar remédios baratos.

Ocorre que, de fato, usando uma linguagem alambicada, a declaração na prática clarifica a liberdade que Trips dá aos países para fazer importação paralela (importar remédio sem a autorização do titular da patente, que em princípio tem o direito exclusivo de importar).

Assim, com ou sem indústria, um país pode importar de onde é mais barato para reagir a problemas de saúde pública. Por exemplo, se um produto contra Aids é vendido a US$ 5 nos Estados Unidos, mas a Índia o produz por 5 centavos uma versão genérica, o significado do parágrafo quinto da declaração assegura a adoção do regime de importações paralelas para comprar o remédio indiano, mesmo que esteja patenteado no país de origem.

A confusão de certos analistas e ONGs tem a ver com a situação de nações que não têm sequer como quebrar patente, por falta de capacidade de produção ou pela impossibilidade de importação paralela para ter remédio barato - isso tanto pela inexistência de genéricos ou porque a versão patenteada estaria totalmente bloqueada pelo detentor.

Para esse caso, uma possibilidade que será examinada na OMC é deixar que o país autorize a licença compulsória para uma empresa localizada em outro. Por exemplo, o Burundi, na África, concederia a licença compulsória (quebraria a patente) para uma empresa brasileira produza o genérico de que necessita.

A questão é o que acontece se esse medicamento estiver patenteado no Brasil. A solução mais provável no Conselho de Trips talvez seja estabelecer um entendimento de que nessa situação a empresa licenciada não estaria afetando a exploração normal da patente. Esta é uma ´´exceção limitada´´ já prevista no artigo 30 do Acordo Trips.

A declaração de Doha deu prazo até o final de 2002 para o Conselho de Trips da OMC encontrar uma 'solução rápida' para esses países poderem fazer uso efetivo da flexibilidade para quebrar patente para assegurar o acesso a medicamentos essenciais e a preços baratos.

A Organização Mundial de Saúde estimula estratégias nacionais para produção de medicamentos essenciais, através por exemplo de genéricos em razão do baixo custo. Constata que na América Latina existem várias legislações relevantes sobre genéricos, mas que sua implementação é limitada.

Os países ricos cada vez mais recorrem a genéricos para controlar as despesas de saúde. Nos Estados Unidos, os remédios genéricos representam 49% do mercado farmacêutico. Na Grã-Bretanha chegam a 60%; na Alemanha, representam 40% das vendas, enquanto na França pesa apenas 3%.

Há poucas evidências de que significativos volumes de genéricos sejam comercializados entre países industrializados, até pelo grau de regulação nesses mercados. A Finlândia e a Polônia, em todo caso, exportam cada um mais de US$ 200 milhões por ano.

Com relação a produtores emergentes, como o Brasil, a situação pode evoluir a partir da declaração de Doha, estima Velasquez.

(Assis Moreira de Genebra)

 

Governo quer gastar 48% a mais com propaganda
Fonte:Folha de S.Paulo - 19/11/2001


Saúde quer elevar verba publicitária em 43% em 2002

WLADIMIR GRAMACHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo federal pretende injetar mais R$ 57,5 milhões em gastos com propaganda em 2002, ano eleitoral, elevando o total para R$ 176,691 milhões. A previsão, incluída no Orçamento da União de 2002, representa um aumento de 48% nesse gênero de despesa em relação a este ano.

Os ministros com pretensões eleitorais em 2002 foram os mais bem aquinhoados. Caso o Orçamento seja aprovado tal como foi proposto pelo governo, 11 ministros pré-candidatos e o gabinete da Presidência terão 52% a mais para gastar com publicidade enquanto permanecerem em seus postos (veja quadro abaixo).

Os aumentos prometem reforçar as imagens de vários ministros às vésperas da largada para a corrida eleitoral do próximo ano.

Roberto Brant (Previdência), do PFL-MG, provável candidato a deputado federal, quer mais 49% para verba de propaganda. Pimenta da Veiga (Comunicações), do PSDB, que sonha com o governo mineiro, está de olho em mais 87%. O tucano Martus Tavares (Planejamento), que vai estrear na política como candidato ao Senado pelo Ceará, pretende mais que dobrar seu gasto publicitário.

Se todos eles conseguirem as verbas adicionais que pretendem, nem mesmo assim baterão o presidenciável tucano José Serra (Saúde), dono da principal conta de publicidade da Esplanada.
Saúde

Neste ano, o Ministério da Saúde obteve R$ 14,35 milhões do Orçamento para esses gastos. Em 2002, quer 20,5 milhões, ou 43% a mais. O valor, administrado pelo gabinete de José Serra, não representa o total de gastos publicitários do ministério. Várias outras rubricas orçamentárias prevêem despesas com divulgação.

Ao todo, elas somariam cerca de R$ 50 milhões, segundo levantamento feito pelo gabinete do deputado federal João Paulo (PT-SP), com base em informações do Siafi (sistema de acompanhamento financeiro do governo). "É muito difícil analisar gastos com publicidade na área de saúde porque as rubricas obscurecem o que acontece na realidade", diz a pesquisadora da Fiocruz Aurea Pitta, que acaba de concluir tese de doutorado sobre o assunto.
Cautelosa, ela evita avaliar os gastos com propaganda por absoluta falta de dados. ""Passei dois anos andando pelo ministério sem conseguir nada", conta.

Sua única certeza é que a diluição de gastos inviabiliza avaliações consistentes. "Quem avalia o impacto das campanhas são as próprias agências. Isso é um escândalo", diz Aurea.

Prestam serviços ao Ministério da Saúde as agências de publicidade DM9DDB, Giovani/FCB e Master Comunicação e Marketing. A profusão de gastos com comunicação oficial tem dado ao ministro Serra respaldo técnico para autopromoções. Os boletins "Informe Saúde" e "Saúde, Brasil", por exemplo, regularmente combinam dicas sobre a prevenção de doenças com declarações e imagens do ministro-candidato.

Esse expediente não é exclusividade da Saúde. Do outro lado da Esplanada, o também presidenciável Paulo Renato Souza, ministro da Educação, usou o número 6 da "Revista do Provão" para conceder entrevista de seis páginas com direito a cinco fotos. "A utilização das fotos viola a legislação eleitoral e fere a Constituição, que exige que o administrador público respeite o princípio da impessoalidade", diz o deputado Orlando Desconsi (PT-RS), que move representação contra Paulo Renato por promoção pessoal.

Paulo Renato e José Serra têm as maiores equipes de assessoria de comunicação de todo o governo. Juntas, somam cerca de 50 profissionais dedicados às tarefas de divulgar o trabalho dos ministros.

Na Saúde, o exemplo mais recente é o "Guia de Medicamentos Genéricos", um livro de consulta com 295 páginas para 250 mil médicos de todo o país. Aos jornalistas, foi distribuído com uma carta de Serra, na qual o ministro classifica os genéricos como uma "causa" e um "ato de solidariedade".

Pronunciamentos

Os dois tucanos também têm disputado os pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e TV. A vantagem é de Serra. Em 1999 e 2000, o ministro da Saúde se apresentou 18 vezes, contra apenas quatro de Paulo Renato e outras quatro de Fernando Henrique Cardoso, segundo a Secretaria de Comunicação de Governo.

Neste ano, Serra já teve 12 inserções, batendo Paulo Renato (cinco); Raul Jungmann, do Desenvolvimento Agrário (cinco); o presidente Fernando Henrique Cardoso (três); José Jorge, de Minas e Energia (uma); e José Sarney Filho, do Meio Ambiente (uma).

Isso sem contar as participações em programas de TV. Ontem à noite, por exemplo, o ministro José Serra apareceu no "Domingo Legal", do SBT, para divulgar a campanha de vacinação das mulheres contra a rubéola.

Colaborou a Reportagem Local


 
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