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20/12

Serra só sai em janeiro, garantem amigos

Serra só sai em janeiro, garantem amigos
Fonte: Correio Braziliense - 20/12/2001

Política/Sucessão

Em jantar na casa de Pedro Piva, ele alegou que faltam ações 'relevantes' a fazer no ministério

ARIOSTO TEIXEIRA

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Serra, se recusa a deixar o cargo na velocidade que sugerem seus adeptos no PSDB para assumir a candidatura à Presidência. "Ainda tenho umas dez coisas relevantes para fazer no ministério", dizia ele na madrugada de terça-feira, já no final de um jantar de confraternização oferecido pelo senador Pedro Piva (PSDB-SP).

Uma dessas "dez coisas" é, segundo ele, a regulamentação da profissão de agente de saúde. A categoria cresceu de 30 mil para 150 mil em três anos e ainda não tem direitos triviais, como férias remuneradas.

Amigos do ministro garantem que ele deixará o governo no final de janeiro, descansará no carnaval e voltará à cena, como senador, na reabertura do ano legislativo, em 15 de fevereiro. A pré-convenção do PSDB que definirá a candidatura presidencial está prevista para a semana seguinte.

O ministro tem um receio inusitado de voltar ao Senado: o corredor entre o gabinete de senador e o plenário. Nesse espaço público, lembra, o parlamentarfica sujeito a todo tipo de abordagem, de lobistas a malucos e - o que quase lhe tira o sono - de jornalistas. Sobretudo os de rádio, televisão ou que operam serviços de informação em tempo real.

Proteção - No plenário, observa, os senadores estão protegidos pelo acesso privativo ao local. "Você pode não olhar para o lado onde estão os jornalistas, não freqüentar o salão de chá e café, onde eles também estão sempre, mas no corredor não tem escapatória.

Você é cercado e tem que repercutir tudo. Vou ter de responder até sobre o aumento da conta de luz", se desespera, como se tal assédio fosse ruim para um candidato. "O ideal é o parlamento inglês", pontifica. "Lá o senador sai direto do plenário para o gabinete."

Na realidade, Serra se comporta como um anticandidato. Seus amigos dizem que ele se habituou à vida no Executivo, no qual a iniciativa da abordagem é exclusiva do ministro. "Ele se apegou ao cargo, gosta do que faz na Saúde", diz um deles.

Serra não tem falado sobre política com jornalistas. É capaz de conversar com meia dúzia deles por longo tempo sobre quase tudo. Com um bom humor e uma presença de espírito inéditos, ele discorre sobre situações engraçadas, se entusiasma quando fala de remédios genéricos, lembra curiosidades do pensamento japonês ("eles têm uma mente completamente diferente da nossa"), suas manias pessoais ("Não gosto de nada regular, que tenha de repetir diariamente na mesma hora; mas é verdade que lavo as mãos muitas vezes por dia. Não é um bom hábito?").

Procissão - Para o ministro da Justiça, o tucano Aloysio Nunes Ferreira, o lançamento da candidatura de Serra não mudará as pesquisas eleitorais. "Eu não creio que o lançamento do ministro tenha por si só o condão de fazer qualquer reviravolta nas pesquisas eleitorais", afirmou.

O anúncio da entrada Serra na disputa, avalia Aloysio, vai permitir que se comece a construir uma candidatura. "O partido estará colocando o santo em cima do andor para a procissão prosseguir." (Colaboraram Cida Fontes, Gilse Guedes e Leonêncio Nossa)

 
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