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Acordo
une Merck e Schering-Plough
Fonte:
Gazeta Mercantil- 21/12/2001
Capital Aberto
Vicente Vilardaga
São Paulo - A Merck Sharp & Dohme e a ScheringPlough
, dois dos maiores laboratórios norteamericanos, anunciaram
uma parceria estratégica no segmento dos redutores de colesterol.
A Merck é dona da patente do Zocor, um dos medicamentos mais
vendidos do mundo, com faturamento anual próximo de US$ 4,5
bilhões. Pelo acordo, que inclui investimentos em desenvolvimento
e em co-promoção, os laboratórios se comprometem
com a pesquisa clínica e a propaganda conjunta de dois produtos:
o Zetia, que tem como princípio ativo o ezetimibe, inibidor
de absorção do colesterol descoberto pela Schering-Plough,
e um novo medicamento com duplo efeito, ainda sem nome, que combinará
o ezetimibe com a sinvastatina, molécula do Zocor.
Os projetos de co-promoção ou co-marketing são
cada vez mais comuns na indústria farmacêutica e se
resumem à divulgação de um mesmo produto, com
a mesma marca ou com marcas diferentes, por dois laboratórios.
Com isso, é possível dividir os altos custos de propaganda
médica, ampliar essa propaganda e acelerar a entrada do medicamento
no mercado. Considerando que o ezetimibe obtenha aprovação
dos órgãos reguladores da indústria farmacêutica,
o acordo com a Schering-Plough dará boas chances para a Merck
manter sua posição no mercado de redutores de colesterol
a longo prazo, mesmo após o fim da patente do Zocor nos EUA.
Para a Schering-Plough, detentora do conhecimento que envolve o
ezetimibe, uma inovação, a parceria com a Merck garante
um expressivo ganho de escala e a oportunidade de ampliar sua participação
em um segmento especialmente promissor. O mercado de medicamentos
de controle de colesterol movimenta cerca de US$ 16 bilhões
no mundo, US$ 9 bilhões nos Estados Unidos. A indústria
estima que em 2007 as vendas globais desse tipo de produto gerem
uma receita próxima de US$ 30 bilhões.
'A parceria vale para o mundo inteiro e terá efeitos no
Brasil', afirma Marcos Levy, diretor de assuntos corporativos da
Merck Sharp & Dohme. 'Mas ainda não sabemos como o projeto
irá se desenvolver'. O que se sabe é que na América
Latina a Merck e a Schering-Plough utilizarão suas estruturas
de venda para divulgar e comercializar os dois novos medicamentos
com marcas diferentes. É uma estratégia semelhante
à adotada pelos laboratórios Knoll e Medley , parceiros
na comercialização no Brasil de redutores de apetite
à base de sibutramina. A Knoll, dona da patente, vende o
medicamento com a marca Reductil. E a Medley, empresa nacional,
usa a marca Plenty. Os dois produtos são iguais.
O Zocor é um dos cem medicamentos mais vendidos no mercado
brasileiro e rende um faturamento superior a US$ 12 milhões
por ano para a Merck. Sua posição só não
é melhor porque o produto nunca foi protegido por patentes
no País. Desde seu lançamento, o Zocor enfrenta a
concorrência de vários remédios similares e,
ultimamente, de pelo menos um genérico.
O principal concorrente mundial do Zocor é o Lipitor, da
Pfizer . O Lipitor, que também tem uma estatina como princípio
ativo, a atorvastatina cálcica, foi o segundo medicamento
mais vendido pela indústria no ano 2000. Sua receita alcançou
os US$ 5,4 bilhões. No mercado brasileiro, o Lipitor supera
o Zocor e rende cerca de US$ 14 milhões por ano.
A Schering-Plough e a Merck já concluíram a fase
3 das pesquisas clínicas com o ezetimibe, tanto em combinação
com as estatinas como isolado. Os testes mostraram que o ezetimibe
inibe a absorção do colesterol no intestino. As estatinas
reduzem a produção do colesterol. Combinadas, as duas
moléculas, consumidas em dose única diária,
se revelaram eficazes no tratamento de níveis elevados de
colesterol.
'Dado o tamanho dos mercados mundiais em que estaria competindo,
o ezetimibe será uma contribuição importante
para as receitas futuras do laboratório', diz Richard Jay
Kogan, diretor executivo da Schering-Plough. 'Com a parceria iremos
maximizar o potencial do ZETIA'. Nos Estados Unidos, Canadá,
Europa, Oriente Médio e África, os dois laboratórios
irão divulgar e comercializar o medicamento com a mesma marca.
Na Ásia e no Pacífico, os dois sócios se comprometeram
a selecionar a melhor estrutura para implementar o acordo a médio
prazo.
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