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Genéricos na Imprensa
Notícias
Laboratórios
querem reajuste médio de 7,8%
Fonte:
O
Globo - 22/06/2001
BRASÍLIA
e RIO. A indústria farmacêutica quer reajustar seus
preços em 7,8%, em média, por causa do impacto da
variação cambial. Seis entidades do setor divulgaram
ontem documento informando que as empresas, nacionais ou multinacionais,
perderão a capacidade de investir no país caso não
possam aumentar o valor de seus medicamentos.
Os preços estão congelados desde dezembro de 2000
e só serão liberados no fim do ano. Mas segundo a
indústria, desde então, o real sofreu uma desvalorização
de mais de 26% em relação ao dólar, o que teve
reflexos negativos nos preços das matérias-primas
importadas pelos laboratórios.
O documento pede o fim do congelamento. Para a indústria,
o mercado já pode ser liberado, porque o governo dispõe
de instrumentos para coibir abusos das empresas. O presidente da
Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica
(Abifarma), Ciro Mortella, disse que o congelamento de preços,
combinado com a variação cambial, desestimula os investimentos
e aumenta o risco de desemprego.
Os laboratórios já vinham passando por um processo
de fusões e enxugamento. Mortella destacou que a variação
do nível de emprego do setor, em maio, em São Paulo,
foi de -1,96%, contra 0,53% de todos os setores industriais.
Mas o ministro da Saúde, José Serra, divulgou nota
oficial afirmando que o texto contém imprecisões.
E garantindo que o governo não estuda um reajuste dos medicamentos
por causa da alta do dólar.
"Temos que ver esses números. Eles (os empresários)
dizem que o peso das importações é de 30%.
Mas, na média, fica abaixo de 15%. É falso também
dizer que metade dos genéricos é importada",
disse a nota.
NY discute experiência
brasileira contra a Aids
Fonte: O Globo - 22/06/2001
Toni
Marques
Correspondente
NOVA
YORK. Considerada exemplar pelas Nações Unidas, a
experiência brasileira no combate à Aids chega hoje
a Nova York como tema do seminário Implementação
da Terapia Antiretroviral no Mundo: o Brasil e Além. O evento
é realizado um dia depois de a Unaids, agência da ONU
que propõe diretrizes para o combate à doença,
divulgar que são necessários US$ 9,2 bilhões
por ano para prevenção e tratamento em 135 países
em desenvolvimento.
Promovida pelo Yale Club, pela ONG Gay Men's Health Crisis (GMHC)
e pela seção carioca do Grupo pela Vidda, o seminário
acontece a poucos dias da abertura da Sessão Especial da
ONU sobre HIV/Aids, que será realizada do dia 25 a 27, em
Nova York.
- Aproveitamos a presença de líderes mundiais para
a sessão da ONU - disse ao GLOBO Marty Algaze, da GMHC.
Entre os participantes estão Paulo Teixeira, coordenador
nacional do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids
do Ministério da Saúde, e Eloan Pinheiro, diretora
da Far-Manguinhos. O seminário conta ainda com a presença
de organizações de diversos países, como Ação
de Ajuda, do Quênia, a internacional Médicos sem Fronteiras
e representantes da própria ONU. Entre os temas apresentados
estarão os antiretrovirais genéricos em países
em desenvolvimento, que barateiam o tratamento.
- O modelo brasileiro é bem-sucedido e poderia ser aplicado
até em populações carentes de países
desenvolvidos, como nos EUA. Mas as indústrias farmacêuticas
têm muito poder aqui - disse Algaze.
Mesmo que o modelo brasileiro faça parte do documento final,
as recomendações não terão caráter
coercitivo.
Remédios: indústria
quer mais aumento
Fonte: O Estado de S.Paulo - 22/06/2001
Entidades do setor querem fim do acordo com o governo e mais
7,8% nos preços
A
indústria farmacêutica vai pedir ao governo um aumento
médio imediato de 7,8% no preço dos medicamentos.
Entidades do setor preparam um documento para enviar ao Ministério
da Saúde pedindo a revisão ou até mesmo o fim
do acordo que congelou os preços dos remédios até
dezembro. O argumento é de que as indústrias perderam
a capacidade de continuar investindo, em razão da alta do
dólar.
A decisão da indústria já fora prevista há
15 dias, quando a Bayer se manifestou sobre a impossibilidade de
manter o acordo com o governo. O documento assinado por seis entidades
representativas do setor ainda não foi entregue ao governo,
servindo apenas como base das reinvindicações isoladas
da indústria ou em conjunto por meio das associações
e sindicatos, que já estão ocorrendo.
"A indústria farmacêutica perdeu a capacidade
de continuar investindo no Brasil, seja ela nacional ou estrangeira.
Novas fábricas, novos equipamentos e expansões foram
suspensos. Os projetos em andamento estão sofrendo restrições
e cortes por incapacidade de geração de caixa por
parte das empresas", diz o documento.
Empresários do setor lembram ao governo que 50% dos medicamentos
genéricos do mercado brasileiro são importados prontos.
Os demais genéricos e os medicamentos de marca dependem de
princípio ativo importado. Os empresário alegam que
o governo possui mecanismos para coibir abusos das indústrias
atuantes no País e por isso o acordo é dispensável.
A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica
(Abifarma) encabeça a lista que dá apoio ao documento.
(Viviane Mottin)
Indústria quer
mais um reajuste para remédios
Fonte: Jornal de Brasília - 22/06/2001
Desta vez, a justificativa dos fabricantes para aumento de 7,8%
é a alta do dólar.
Luciene
de Assis
A
indústria farmacêutica quer reajustar os preços
dos medicamentos em 7,8% por causa da disparada do dólar.
De acordo com os representantes dos laboratórios, a medida
se justifica porque 50% dos remédios genéricos são
inteiramente importados, sofrendo impacto integral da variação
cambial e resultando em uma desvalorização de 26%.
Em documento distribuído ontem e assinado por seis entidades
representativas do setor, os fabricantes argumentam que perderam
a capacidade de investir no Brasil e ainda propõem o fim
do controle de preços pelo governo.
A bronca dos laboratórios está no acordo firmado com
o Ministério da Saúde, no final do ano passado, e
que gerou a edição da Medida Provisória 2.138,
hoje transformada na Lei Federal 10.213, de dezembro de 2000. Na
época, eles concordaram com a proposta do governo de não
aumentar os preços dos medicamentos genéricos até
31 de dezembro deste ano. Mas os laboratórios dizem que a
época "era outra" e o dólar não estava
com a cotação tão elevada.
Em janeiro, os fabricantes dizem que houve um reajuste de apenas
4,4% no preço final dos produtos.
Os técnicos da Câmara de Medicamentos do Ministério
da Saúde discordam e rebatem a tese da necessidade de reajuste.
Nota oficial, divulgada ontem à noite pela assessoria de
comunicação social, diz que a realidade do impacto
da desvalorização cambial sobre os preços dos
remédios não chega a 15%. Mas a indústria contra-ataca
e insiste que 30% dos custos de produção devem-se
aos insumos importados. Na nota, o Ministério sustenta que
"a variação do câmbio será tratada
dentro de um horizonte de mais longo prazo, onde é de se
esperar uma estabilização a níveis inferiores
aos atuais".
O Ministério da Saúde garante que, dos 286 medicamentos
registrados, apenas um quarto deles vem de fora do País e
"vários estão em processo de nacionalização
da produção". Liderados pela Associação
Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), os
fabricantes de remédio decidiram pressionar o governo visando
também acabar com o tabelamento de preços. E justificam:
"É necessário sair de maneira organizada e responsável
da situação de controle de preços".
Por outro lado, o Sindicato das Farmácias do DF garante que
o reajuste não tem razão de ser, já que os
medicamentos tiveram seus preços aumentados em 150%, em média,
sendo que alguns deles ficaram até 300% mais caros ao consumidor,
desde o início do governo Fernando Henrique Cardoso. O presidente
do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos
(Sindifarma), Adelmir Santana, também combate a intenção
da indústria de reajustar os valores dos remédios.
Segundo ele, "quando os preços sobem, cai o número
de unidades vendidas no balcão das drogarias".
Governo não pretende ceder
O controle de preços dos medicamentos, que vigora desde janeiro
deste ano, foi estabelecido pelo Ministério da Saúde
por causa dos reajustes feitos pelo setor, considerados abusivos
e acima dos índices gerais de inflação, entre
1993 e 1999. Portanto, significa que, pelo menos por enquanto, os
laboratórios terão de respeitar o acordo de não
aumentar seus preços.
Endossando o que diz o Ministério da Saúde, Adelmir
Santana, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de
Produtos Farmacêuticos (Sindifarma), confirma que quase todos
os produtos genéricos são fabricados por laboratórios
nacionais, embora boa parte dos sais usados pela indústria
sejam importados. "Não entendo como é que os
fabricantes estruturam seus preços porque isso não
é muito claro para nós", diz.
Representantes da indústria farmacêutica afirmam que
a política de controle de preços do governo não
surte o efeito necessário, que seria o de beneficiar a população
de baixa renda. Pelo menos 35 milhões de brasileiros ficam
de fora do consumo de remédios, afirmam.
Em nota oficial distribuída ontem, o Ministério da
Saúde considerou "equivocada" essa afirmação
dos laboratórios. E argumenta que "diversas políticas"
do Sistema Único de Saúde (SUS) garantem acesso gratuito
para a população carente a medicamentos destinados
ao tratamento de Aids, câncer, tuberculose, hanseníase
diabetes, hemofilia e outros males.
O presidente do Sindifarma acredita que faltou ao governo maior
cuidado no lançamento dos produtos genéricos. "No
lançamento dos genéricos, não houve um plano
governamental de ajuda a quem não tem acesso a remédios",
afirma. Ele diz que deveria haver uma cesta básica de medicamentos
para a população pobre, o que evitaria novas internações
e retornos aos médicos. Para Santana, é preciso apostar
em outras frentes, como baixar uma determinação que
obrigue os médicos do SUS a prescreverem preferencialmente
os genéricos. (L.A.)
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